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Para uma Santa Quaresma

  • Foto do escritor: Conteúdos Católicos
    Conteúdos Católicos
  • há 29 minutos
  • 5 min de leitura
Pintura a óleo de um homem caminhando sozinho num deserto ao pôr do sol. O céu apresenta tons dramáticos de roxo, azul e laranja, com luz dourada iluminando o horizonte. À esquerda surgem montanhas escuras e nuvens densas; à direita, o céu é mais claro e sereno. O homem, de camisa azul e calças escuras, avança determinado, projetando uma longa sombra no chão arenoso. A cena transmite solidão, reflexão e jornada espiritual.

Há muitas batalhas dentro de nós: a carne contra o espírito, o espírito contra a carne.

Se, na luta, são os desejos da carne que prevalecem, o espírito será vergonhosamente rebaixado de sua dignidade própria e isto será uma grande infelicidade, de rei que deveria ser, torna-se escravo.


Se, ao contrário, o espírito se submete ao seu Senhor, põe sua alegria naquilo que vem do céu, despreza os atrativos das volúpias terrestres e impede o pecado de reinar sobre o seu corpo mortal, a razão manterá o cetro que lhe é devido de pleno direito; nenhuma

ilusão dos maus espíritos poderá derrubar seus muros; porque o homem só tem paz verdadeira e a verdadeira liberdade quando a carne é regida pelo espírito, seu juiz, e o espírito governado por Deus, seu Mestre.


É, sem dúvida, uma preparação que deve ser feita em todos os tempos: impedir, por uma vigilância constante, a aproximação dos espertíssimos inimigos. Mas é preciso aperfeiçoar essa vigilância com ainda mais cuidado, e organizá-la com maior zelo, nesta época do ano, quando nossos pérfidos inimigos redobram também a astúcia de suas manobras.


Eles sabem muito bem que esses são os dias da santa Quaresma e que passamos a Quaresma castigando todas as molezas, apagando todas as negligências do passado; usam então de todo o poder de sua malícia para induzir em alguma impureza aqueles que querem celebrar a santa Páscoa do Senhor; mudar para ocasião de pecado o que deveria ser uma fonte de perdão.


Meus caros irmãos, entramos na Quaresma, isto é, em uma fidelidade maior ao serviço do Senhor. É como se entrássemos em um combate de santidade.


Então, preparemos nossas almas para o combate das tentações e saibamos que quanto mais zelosos formos por nossa salvação, mais violentamente seremos atacados por nossos adversários. Mas Aquele que habita em nós é mais forte do que aquele que está

contra nós. Nossa força vem d'Aquele em quem pomos nossa confiança.


Pois se o Senhor se deixou tentar pelo tentador foi para que tivéssemos, com a força de Seu socorro, o ensinamento de Seu exemplo. Acabaste de ouvi-Lo. Ele venceu seu adversário com as palavras da Lei, não pelo poder de Sua força: a honra devida a Sua

humanidade será maior, maior também a punição de seu adversário se Ele triunfa sobre o inimigo do gênero humano não como Deus, mas como homem.


Assim, Ele combateu para que combatêssemos como Ele; Ele venceu para que também nós vencêssemos da mesma forma.

Pois, meus caríssimos irmãos, não há atos de virtude sem a experiência das tentações, a fé sem a provação, o combate sem um inimigo, a vitória sem uma batalha.


A vida se passa no meio das emboscadas, no meio dos combates. Se não quisermos ser surpreendidos, é preciso vigiar; se quisermos vencer, é preciso lutar. Eis porque Salomão, que era sábio, diz: Meu filho, quando entras para o serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação (Eclo. 2,1).


Cheio da sabedoria de Deus, sabia que não há fervor sem combate laborioso; prevendo o perigo desses combates, anunciou-os de antemão para que, advertidos dos ataques do tentador, estivéssemos preparados para aparar seus golpes.


Sermão da Quaresma de São Leão Magno


A melhor forma de iniciarmos a Quaresma é com uma boa confissão e estar permanentemente em estado de graça com a decisão firme de ser obediente e fiel à Deus em tudo.

Que esta possa ser uma Quaresma determinada em nos fortalecer ainda mais e combater os combates da fé com mais sabedoria e mais atitudes que nos levem a nos santificar mais.

O maligno não terá vez nenhuma se, verdadeiramente se está decidido a lutar pelo Reino de Deus já aqui na terra.

Os combates, às vezes poderão ser mais difíceis em alguns momentos, mas se recorrermos aos Sacramentos e viver em obediência total, mesmo que, possa parecer impossível para nós, sabemos que para Deus, NADA é impossível se vivermos Nele, em constante aceitação da Sua Vontade em nossas vidas.


Finalização, transcrição e elaboração de texto de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos


Síntese do Conteúdo

A Batalha Interior da Minha Quaresma


Hoje, ao entrar na Quaresma, sinto como se atravessasse uma porta silenciosa para dentro de mim mesmo. Percebo, com mais nitidez do que gostaria, que há batalhas constantes acontecendo no meu interior. A carne e o espírito parecem disputar o governo da minha vida e eu me vejo, tantas vezes, dividido entre o que desejo e o que sei que devo ser.


Quando cedo às fraquezas, sinto meu espírito rebaixado, quase envergonhado. É duro admitir que, por vezes, deixo que aquilo que deveria ser instrumento se torne senhor. Mas quando consigo elevar o olhar, quando escolho aquilo que vem do alto, quando rejeito as seduções que me afastam de Deus, então algo dentro de mim se reorganiza. A paz volta. A liberdade volta. E percebo que a ordem verdadeira só existe quando deixo que Deus governe o meu espírito e o meu espírito governe a minha carne.


Tenho consciência de que essa vigilância deveria ser diária, constante. Mas nesta época do ano, sinto que sou chamado a um cuidado ainda maior. É como se o inimigo soubesse que estou tentando corrigir o que ficou para trás e por isso se aproximasse com mais astúcia. Sinto isso na pele, pensamentos que antes não me incomodavam, agora surgem com força, tentações que eu julgava superadas reaparecem e as distrações se multiplicam. No entanto, algo dentro de mim também desperta. É como se Deus me dissesse: “Não temas. Este combate é necessário”.


Entrar na Quaresma, para mim, é entrar num campo de batalha espiritual. E eu sei que quanto mais desejo a santidade, mais serei provado. Mas também sei, que preciso repetir isso a mim mesmo, que Aquele que habita em mim é mais forte do que qualquer adversário. A minha força não vem de mim. Vem d’Ele.


Quando penso que o próprio Cristo se deixou tentar, percebo que Ele quis me ensinar o caminho. Ele venceu com a Palavra, não com demonstrações de poder. Ele venceu como homem para que eu aprendesse a vencer como discípulo. Isso me consola. Isso me encoraja.


Entendo, então, que não existe virtude sem tentação. Não existe fé sem provação. Não existe vitória sem luta. A vida espiritual é feita de emboscadas e se eu não quiser ser surpreendido, preciso vigiar. Se eu quiser vencer, preciso lutar.


As palavras da Escritura ecoam dentro de mim: “Meu filho, quando entrares para o serviço do Senhor, prepara a tua alma para a tentação.”, Sinto que são dirigidas diretamente a mim.


Por isso, decido começar esta Quaresma com uma confissão sincera, abrindo o coração diante de Deus e pedindo a graça de permanecer fiel. Quero viver este tempo como um período de fortalecimento interior, de escolhas concretas, de passos reais rumo à santidade.


Sei que o maligno tentará me desanimar, mas também sei que ele não tem poder algum quando estou decidido a lutar pelo Reino de Deus. Alguns combates serão difíceis, talvez até dolorosos, mas se eu me apoiar nos sacramentos e na obediência à vontade divina, nada será impossível.


Hoje, escrevendo estas linhas, sinto que Deus me chama a confiar mais, a temer menos, a lutar com coragem e mansidão. A Quaresma não é um peso, é um convite. Um convite à verdade, à conversão, à liberdade.


E eu quero aceitar. Que este desejo também floresça em ti, para que caminhemos juntos rumo à luz que Deus nos prepara.


Conclusão de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos


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