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ESTUDO E CULTURA

  • Foto do escritor: Conteúdos Católicos
    Conteúdos Católicos
  • há 1 dia
  • 7 min de leitura
Homem em hábito marrom lendo livro aberto em biblioteca antiga, cercado por estantes de madeira repletas de livros. Cena de estudo, contemplação e busca espiritual, com atmosfera de recolhimento e sabedoria. Pintura a óleo em estilo clássico, ideal para temas religiosos, educação cristã e cultura espiritual.

Os estudos são importantíssimos para a vida espiritual e para nos defendermos do maligno.

Através do saber, não somente por meio das Sagradas Escrituras, como também de inúmeros assuntos em geral, melhor conduta teremos e transmitiremos aos outros, na clareza de quem é conhecedor de vários temas. Assim, desempenharemos mais seguramente nossas ações e nunca será demais conhecermos o que é necessário sob o véu da prudência e do temor de Deus.


Introdução e organização textual de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos


Cultura e Vida Espiritual


«O Senhor é um Deus que sabe» (1Sm 2,3). Sem o auxílio dos

conhecimentos naturais não se pode chegar à sublimidade das coisas espirituais. Ouso acrescentar que o delicado trabalho da obra projetada pela senhora não poderá ser desenvolvido, como convém, sem os fundamentos de uma vasta cultura em seus vários membros. O primeiro germe de destruição das grandes obras de Deus está na ignorância ou no conhecer mal o muito que se sabe. Isto leva a perder o bom gosto do saber.

É preciso que todos se persuadam da importância dos estudos, como instrumentos da glória divina, e se preparem para enfrentar as tentações do maligno. Este, sob a aparência de piedade, procura todos os meios para afastar as pessoas dos estudos das ciências humanas, insinuando que enormes danos brotarão do conhecimento. Ao mesmo tempo, é preciso estar atento contra a outra tentação, também do inimigo, que se serve dos estudos mal feitos para fazer o homem cair em grave ruína.

Os livros divinos nos fornecem as armas para o apostolado. Por outro lado, as ciências humanas são muito úteis para o conhecimento

da Sagrada Escritura. Conhecer as línguas, antigas e modernas, a geografia, a história profana, a literatura e as ciências ajudam o estudo da Sagrada Escritura. O diabo faz de tudo para nos manter ignorantes nas matérias profanas. O conhecimento de coisas simples é também de grande valia para a oração e a meditação.


Estudar segundo os Próprios Talentos


Existem inteligências, com capacidades modestas, que devem se

limitar a poucas coisas. Outras, ao contrário, dotadas de grande capacidade, podem abraçar praticamente tudo.

As primeiras, quando esquecidas de si mesmas, querem elevar-se

ao nível das segundas. Ficam como que deslumbradas, correndo, por vaidade, o risco de perder o lugar que teriam podido ocupar, com dignidade e em posição mais modesta, se mantivessem o bom senso de parar por ali. As inteligências altamente capacitadas quando não conhecem, efetivamente, tudo que em teoria teria sido possível são levadas a confundirem-se e a desanimarem, não atingindo a altura correspondente ao próprio merecimento. Como consequência, terminam, às vezes, por apegar-se às pequenas coisas, a ponto de tornarem-se incapazes das grandes realizações, para as quais o Criador as havia preparado.

Disso, porém, não se conclui que as pessoas de elevada capacidade

não devam, de vez em quando, descer de seu patamar para estudar também as coisas simples e que as pessoas modestas não possam, de vez em quando, alçar voo e superar o alcance ordinário das próprias capacidades cognoscitivas. É certo, com efeito, que, se, de um lado, não se deve descuidar de coisa alguma, de outro lado, é útil por vezes usar os talentos para coisas mais elevadas. Tudo, porém, faça-se de tal maneira que se evite o desprezo pelas coisas mais humildes e combata-se o tédio e a oposição que se poderiam encontrar.


Estudar para a Glória de Deus


«Não se deve preocupar ou temer dificuldades particulares no cami-nho do estudo, quando percorrido para encontrar nosso Senhor e promover Sua glória, considerando que é Ele o Senhor da ciência» (1Sm 2,3). Ninguém jamais deu, no conhecimento, um passo sem Sua luz, mesmo nas coisas naturais. Se Deus não negou essa luz a muitos homens, mesmo pagãos e infiéis para que servisse de auxílio a muitos outros, embora eles por própria conta possam ter abusado deste benefício , como poderá negá-la àqueles que querem se servir dela para melhor conhecê-Lo e amá-Lo, propondo-se a comunicá-la aos outros para o mesmo fim?

Os estudos são um meio de promover a glória de Deus, sobretudo

no trabalho apostólico junto aos outros. Assim, é claro que se deve, em primeiro lugar e antes de tudo, promover a glória divina em nós mesmos, almejando vitória plena sobre si, antes de entrar em campo para conquistar, com a arma dos estudos, os corações dos outros. Para isso, é bom recordar a advertência feita por Santo Inácio aos estudantes, para que conservassem sempre vivo o sentido da presença de Deus. O santo deu-lhes também outras orientações, com a finalidade de valorizar sempre mais os estudos como meios para promover a glória de Deus e, ao mesmo tempo, defendê-los das insídias do maligno.

Lembremo-nos de que é melhor saber pouco, mas bem e com pre-

cisão, do que muito e confusamente, pois, desta forma, nem mesmo se sabe o que se poderia presumir que conhecimento a pessoa tem.


A Curiosidade Vã


Todos moderem o desejo de querer o saber. Isto se consegue medi-

ante a virtude da aplicação ao estudo, contra o vício da vã curiosidade.

Cada um domine a excessiva mania de querer saber tudo, conforme o dito do Apóstolo: «não pretender saber mais do que convém, mas saber na medida justa» (Rm 12,3).

O curioso está sempre inquieto, porque, querendo saber e inves-tigar o que não lhe convém, não pode entender todas as coisas. E, vindo a saber alguma coisa que lhe desagrade, sente contínua inquietação.

Existem aqueles que se interessam pela vida particular dos outros, procuram ouvir tudo, descobrir os pequenos segredos das pessoas, para esparramá-los depois e mostrar-se informados de tudo. Têm tempo de bisbilhotar, pois nada fazem. Levam os outros a fazer o mesmo, procurando mudar as pessoas, conforme a malícia de sua fantasia inquieta e turbulenta. De fato, não existem tipos curiosos que não sejam inquietos também. A Escritura reprova a vã curiosidade: «pensa sempre no que Deus te ordenou e não sejas curioso acerca de Suas muitas obras» (Eclo 3,22).

O Apóstolo chama a atenção do bispo Timóteo sobre as jovens viú-

vas que «vivendo na ociosidade costumam ir de casa em casa, não apenas como ociosas, mas também como faladeiras e fofoqueiras, propalando o que não convém» (1Tm 5,13). Existem igualmente alguns que são curiosos, passeadores, bastante inquietos, semeadores de más notícias, visitadores por conta própria de ricos para pedir ofertas. Se isto não é conveniente para as viúvas, não o é para ninguém e, muito menos, para quem é consagrado ao Senhor.


A Sabedoria Humana


Deus é autor não só das verdades naturais, como das sobrenaturais. Por isso, em todas as coisas deve-se procurar a verdade divina, e Ele deve ser adorado em toda parte. Se alguma vez não nos é dado alcançar a verdade, será, porém, sempre considerado mérito e honra o fato de tê-la ao menos investigado ou ter-se dela aproximado. Em certo sentido, já é sucesso ter chegado a criar uma dúvida razoável, sem jamais se deixar levar por conclusões ao acaso.

Devem-se investigar as verdades de ordem natural, porque nos servem como degrau para as sobrenaturais, às quais é impossível chegar mediante a ignorância, o erro ou a falsidade. Ao especular sobre os segredos da natureza, nossa mente se exercita na contemplação das realidades espirituais e chega a encontrar especial deleite, posteriormente na indagação de realidades mais misteriosas e sublimes.

É, portanto, grande façanha formar homens autenticamente sábios, homens que saibam raciocinar bem, que saibam ser críticos diante de toda provocação de erro, homens que, em seu comportamento, saibam seguir os ditames da reta razão e das virtudes.


O Estudo da Palavra de Deus


Toda a ciência e a teologia dos primeiros padres da Igreja se concentram no estudo da Escritura. Desta, tiraram ideias e fundamentos sólidos de piedade e se tornaram guias e mestres de outros homens, e amados por Deus.

São Jerônimo exorta seu caro Nepociano: «lê assiduamente a divi-

na Escritura; jamais tuas mãos abandonem o livro da Palavra de Deus». O santo doutor escreveu que, com a leitura e a meditação assídua da Escritura, Nepociano havia feito de sua alma uma biblioteca de Cristo.

O mesmo São Jerônimo, escrevendo a Paulino, quer que ele penetre

até o âmago das Escrituras para encontrar a norma da vida monástica e para poder ser bom mestre dos outros. Incita-o a apreender da Escritura o que deve ensinar, adquirindo a linguagem fiel que segue o ensinamento verdadeiro, a fim de que esteja à altura de exortar, com sã doutrina, e de refutar os que a atacam. Com efeito, foi sempre sentença comum dos padres e doutores da Igreja que o estudo da Bíblia é necessário, de modo todo particular, às pessoas consagradas.


Como Estudar a História


Do conhecimento da história, ainda mais se for acompanhado de

reflexão sobre os fatos passados, chega-se a adquirir uma especial atitude de prudência, pois aí contemplamos, quase como num espelho, as vicissitudes das coisas humanas e os prodígios da Providência divina, tanto em nível universal quanto no modo como o Senhor governa Sua Igreja. Certamente, é preciso empenhar-se no estudo da história, particularmente da História da Igreja, não por simples curiosidade. Quando se faz isto com seriedade, com a intenção de obterem-se bons frutos, não há dúvida de que se conseguem resultados maiores do que se possa imaginar.

Naturalmente, não se trata de armazenar na memória uma série

de fatos, de datas, de personagens, de proezas. Isto não é ainda ciência histórica, porque a ciência é o conhecimento das coisas por intermédio das razões e das causas. Saber história quer dizer conhecer bem os homens que são seus protagonistas, avaliar, quanto possível, suas qualidades e seus defeitos, as opiniões, as paixões, os motivos que determinaram suas escolhas.

Deve-se chegar, em suma, a tirar do conhecimento dos outros uma

lição a ser aplicada a si mesmo, a encontrar o amadurecimento pessoal nos homens virtuosos e santos, a vislumbrar que se deve evitar o que os viciados e ímpios praticaram. Deve-se encontrar uma norma de como se comportar, tanto nas situações favoráveis como nas adversas. Na falta dessas disposições, não se colherá da história um fruto verdadeiro, não se aprenderá a exata regra de conduta, que se adquire indo além do simples conhecimento de dados, por meio de reflexões e ponderações prudentes.


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