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A ALMA QUE SE CONHECE EVITA OS ENGANOS DO DEMÔNIO

Atualizado: 6 de jun.

Pintura religiosa a óleo representando o combate espiritual entre o bem e o mal. À esquerda, figuras celestes envoltas em luz — Cristo com os braços abertos, anjos e crianças — simbolizam a graça divina. À direita, demônios sombrios com asas e rostos grotescos emergem das trevas, representando a tentação. No centro, um monge em hábito marrom confronta um homem, entre a luz e a escuridão, simbolizando a luta interior da alma entre fé e pecado.

Tratado da oração


1.- Eu não quis esconder-te, Minha filha muito amada, do erro onde caem frequentemente os homens que deleitam-se no pouco bem que fazem em tempo de consolação e aquele dos Meus servidores que agarram-se tanto às doçuras espirituais, que não conseguem mais conhecer a verdade do Meu amor e discernir onde se encontra o pecado. Disse-te da cilada que o demônio lhes estende pelas suas faltas, caso não sigam pelo caminho que lhes ensinei. Assim tu e os outros servidores, deveis caminhar pela virtude por amor por Mim, e não por outro motivo.


2.- Estes erros e seus perigos são destinados para aqueles cujo amor é imperfeito, ou seja àqueles que amam mais os benefícios do que a Mim. Mas, a alma que entrou no seu próprio conhecimento, na prática da oração perfeita, ao rejeitar a imperfeição do amor e da oração como já te expliquei, esta alma recebe-Me pelo amor; ela esforça-se de atrair a ela o leite da doçura no seio da doutrina de Jesus crucificado.


3.- Ela chegou ao terceiro estado, quer dizer ao amor terno e filial; ela não possui um amor mercenário, mas ela age Comigo como um amigo que age com seu amigo que lhe dá um presente: ele não olha pelo presente, mas no coração daquele que dá, e ele gosta do presente pelo amor que tem pelo amigo. Assim faz a alma que atingiu ao amor perfeito. Quando ela recebe Meus benefícios e Minhas graças, ela não para no presente, mas sua inteligência contempla a grandeza da Minha caridade oferecida.


4.- Para que a alma não possa desculpar-se de não reagir assim, eu quis unir o benefício ao benfeitor, ao unir a natureza humana à natureza divina, quando vos dei o Verbo, Meu Filho único, que é igual a Mim, e Eu a Ele. Nesta união podeis ver o presente sem ver aquele que o faz. Entendeis então com qual amor deveis amar o dom e o dador. Se fazeis isto, tereis um amor, não mercenário, mas puro e generoso, como aquelas que se isolam no conhecimento de si próprio.

DO MEIO UTILIZADO PELA ALMA PARA ATINGIR O AMOR PURO E GENEROSO 1.- Quando a alma entrou no caminho da perfeição, passando pela doutrina - de Jesus crucificado, com o amor autentico da virtude e do ódio pelo vício, quando ela chegou pela santa perseverança na célula do conhecimento de si próprio, ela ai clausura-se nas vigílias e na oração continuada, e ela separa-se da conversação dos homens. Porque se isola? Ela isola-se com medo causado pela visão da sua imperfeição, e pelo desejo de chegar a obter o amor generoso e perfeito. Ela vê e compreende que não se pode chegar por outro meio, e ela espera com fé viva a Minha vinda para a graça nela. Em que se reconhece esta fé viva? Na perseverança da virtude e na santa oração, alguma coisa que aconteça. A menos que seja por obediência ou por caridade, nunca devereis abandonar a oração.

2.- Muitas vezes o demónio obceca mais a alma de suas tentações durante o tempo destinado a oração que durante o tempo que não esta em outra atividade: ele queria inspirar-lhe o tédio pela oração. Por vezes ele diz: esta oração não lhe serve a nada, porque não deve estar tão distraída. O demónio esforça-se por este meio de a confundir e, de desgostar a alma do exercício da oração, porque a oração é uma arma com a qual a alma se defende contra todos seus inimigos, quando ela a pega com a mão de amor e o braço do livre arbítrio, e que ela combate à luz da santa fé. (103)


Diálogos de Santa Catarina de Sena


Texto transcrito e elaboração textual de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos


Síntese do Conteúdo

A Verdade que Liberta a Alma dos Enganos Espirituais


A vida espiritual só amadurece quando a alma aprende a olhar-se com verdade diante de Deus. Entre consolações e secas, entre luzes e sombras, o cristão é chamado a discernir o que vem do Senhor e o que nasce do próprio amor imperfeito. Muitos, encantados com o pouco bem que fazem nos tempos de doçura espiritual, acabam por se prender mais aos benefícios do que Àquele que os concede, caindo assim nas sutis ciladas do inimigo, que se aproveita das faltas e das fragilidades para desviar o coração do caminho da verdade. Por isso, Deus ensina que a virtude deve ser buscada por amor a Ele e não por interesse ou gosto pessoal. A alma que entra no conhecimento de si mesma, iluminada pela oração perseverante, rejeita o amor imperfeito e aprende a receber os dons divinos não como quem coleciona consolações, mas como quem contempla o coração do Doador. Assim, ela chega ao amor terno e filial, semelhante ao amigo que aprecia o presente não pelo objeto em si, mas pelo amor daquele que o oferece. Para que ninguém pudesse separar o dom do Doador, o próprio Deus uniu a natureza humana à divina no Verbo encarnado, de modo que, ao contemplar o presente, a alma fosse conduzida ao Benfeitor e aprendesse a amar com pureza e generosidade.


Quando a alma deseja verdadeiramente este amor puro, ela recolhe-se na cela interior, sustentada pela doutrina de Cristo crucificado, pela vigilância e pela oração contínua. Afasta-se das conversas inúteis não por desprezo do mundo, mas porque reconhece a própria fragilidade e deseja ardentemente alcançar a perfeição da caridade. A fé viva manifesta-se na perseverança: aconteça o que acontecer, a alma não abandona a oração, a não ser por obediência ou caridade, pois sabe que é ali que Deus a visita e a fortalece. O demônio, conhecendo o poder da oração, tenta desanimá-la com distrações, tédio e falsas sugestões, fazendo-a acreditar que nada aproveita. Mas a alma que permanece firme, tomando a oração como arma na mão do amor e do livre-arbítrio, combate iluminada pela fé e vence as tentações que procuram afastá-la de Deus.


Diante deste caminho exigente e belo, fica o convite, que cada leitor se deixe conduzir ao conhecimento de si mesmo, à humildade que liberta e à oração que sustenta. Que este artigo seja não apenas uma leitura, mas um espelho onde a alma se reconhece e uma porta que se abre para um amor mais puro, mais generoso e mais verdadeiro. E que, ao terminar estas linhas, cada um se permita perguntar em silêncio: como tenho amado Deus, pelos Seus dons ou pelo Seu coração?


Finalização e aperfeiçoamentos de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos


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