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O JUÍZO PARTICULAR SE FAZ LOGO QUE O HOMEM EXPIRA

Atualizado: 9 de jun.

Pintura a óleo barroca mostrando Cristo como Juiz entre Céu e Inferno. No centro, Jesus resplandece em luz dourada, com a mão direita erguida em gesto de misericórdia e a esquerda estendida em justiça. À direita, anjos acolhem almas arrependidas; à esquerda, demônios arrastam os condenados entre chamas. A alma julgada ajoelha-se no meio, dividida entre luz e sombra.

É sentimento comum entre os teólogos, que o Juízo Particular se faz logo que o homem expira, e que no próprio lugar onde a alma se separa do corpo, aí é julgada por Jesus Cristo, que não manda alguém em Seu lugar, mas vem Ele mesmo para a julgar.

Qual não será o espanto daquele que, vendo pela primeira vez seu Redentor, O vir indignado! – “Diante da face de Sua indignação quem é que poderá subsistir?” Este pensamento causava tal estremecimento ao Padre Luiz Dupont, que fazia tremer consigo a cela onde se achava.


O Bem-aventurado Juvenal Ancina, ouvindo cantar o Dies irae, e pensando no terror que se há de apoderar da alma ao comparecer em juízo, resolveu deixar o mundo, o que efetivamente fez. – O aspeto do Juiz indignado será o anúncio da condenação.

Segundo São Bernardo, será maior sofrimento para a alma ver Jesus Cristo indignado do que estar no Inferno. Têm-se visto criminosos banhados em suor frio na presença de um juiz terrestre. Pison, comparecendo no senado em traje de réu, sentiu tamanha confusão, que a si próprio se deu a morte. Que pena não é para um filho ou para um vassalo ver seu pai ou seu príncipe indignado!


Que maior mágoa não deve sentir a alma à vista de Jesus Cristo, a quem desprezou durante toda a vida!Verão aquele a quem traspassaram”.

Esse Cordeiro, tão paciente durante a vida do pecador, então mostrar-Se-Lhe-á irritado, sem esperança de Se deixar aplacar. Pelo que a alma pedirá às montanhas que a esmaguem e a furtem às iras do Cordeiro indignado.

Opinam os Doutores que o Divino Juiz virá julgar a alma em forma humana, e portanto com as mesmas chagas com que deixou a terra. Estas chagas serão motivo de consolação para os justos, mas que terror e espanto não inspirarão ao pecador! A vista do Homem-Deus, que, morreu para o salvar, far-lhe-á sentir mais vivamente a sua ingratidão.


Quando José do Egito disse a seus irmãos: Eu sou José, a quem vendestes, diz a Escritura, que pelo terror perderam a fala e ficaram calados.

Que responderá, pois, o pecador a Jesus Cristo? Terá coragem de Lhe pedir misericórdia, quando, primeiro que tudo, tem de Lhe dar contas do abuso que fez da misericórdia? Que fará então? Pergunta Santo Agostinho, para onde fugirá o miserável, quando vir acima de si o Juiz irritado, por baixo o Inferno aberto, a um lado os pecados que o acusam, a outro os demônios armados para execução do suplício e dentro de si os remorsos de sua consciência?

Santo Afonso de Ligório


Texto transcrito e elaboração textual de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos


Síntese do Conteúdo

Quando a Alma Encontra Cristo: A Verdade que se Revela no Juízo Particular


Ao meditarmos sobre o Juízo Particular, percebemos que este mistério não é apenas um acontecimento futuro, mas uma verdade que ilumina o presente. Desde agora, cada escolha, cada gesto e cada silêncio moldam a disposição da alma para aquele encontro inevitável com Cristo, que vem julgar não como um estranho, mas como Aquele que nos amou até ao extremo. A tradição espiritual recorda que, no instante em que a alma se separa do corpo, ela se encontra diante do próprio Senhor, que não envia mensageiros, mas vem Ele mesmo ao seu encontro. E é precisamente esta presença direta, luminosa e santa, que provoca na alma um espanto indescritível: o Redentor, visto pela primeira vez sem véus, pode aparecer indignado àquele que O rejeitou durante a vida e tal visão, dizem os santos, causa um tremor maior do que qualquer sofrimento terreno. Não é o castigo em si que mais fere, mas a consciência súbita da própria ingratidão diante das chagas gloriosas que testemunham o preço da nossa salvação. A alma percebe, num só olhar, tudo aquilo que poderia ter sido e não foi, tudo o que recebeu e não correspondeu, tudo o que Cristo ofereceu e ela recusou. É por isso que os santos afirmam que o maior tormento do pecador será ver o rosto de Jesus indignado, mais doloroso do que o próprio inferno. Ali, nada pode ser escondido: os pecados acusam, os demónios aguardam, a consciência grita e o Juiz, que antes era Salvador, mostra a verdade inteira sem que haja mais tempo para mudar o rumo da história pessoal. Mas para os justos, para aqueles que lutaram, caíram e se levantaram, para os que confiaram na misericórdia e se deixaram transformar por ela, as mesmas chagas que aterrorizam o pecador tornam-se fonte de consolação e paz, porque nelas reconhecem o amor que sustentou cada passo, cada renúncia, cada lágrima oferecida a Deus. Assim, o Juízo Particular não é apenas o momento da verdade, mas também o momento da revelação do amor que nos acompanhou desde o primeiro instante da vida.


E por isso, ao contemplarmos este mistério, somos convidados a olhar para dentro de nós com sinceridade e coragem. Como está o nosso coração diante de Cristo? Vivemos como quem O encontrará face a face? Ou adiamos a conversão como se a eternidade fosse um detalhe distante? Talvez seja este o momento de permitir que a luz do Juízo ilumine o presente, não para nos assustar, mas para nos despertar. Porque, no fim, o que mais importa não é o medo do Juiz, mas o desejo de encontrar o Amado. Que cada leitor, ao terminar esta reflexão, se pergunte em silêncio: se hoje fosse o meu encontro com Cristo, que rosto Ele veria em mim, o de um filho que O ama ou o de alguém que O esqueceu? E que esta pergunta, longe de pesar, se torne um convite à conversão, à esperança e à preparação amorosa para o único encontro que realmente decide a eternidade.


Finalização e aperfeiçoamentos de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos


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