A Santidade como Empenho Global
Atualizado: 4 de set.

«Mas que tudo se faça como convém e em boa ordem» (1Cor 14,40).
Notemos a seguinte palavra: tudo. Somos obrigados a cumprir todos os deveres relativos à aquisição da perfeição. Não só alguns, e descurando a maior parte. Não só a maior parte e abandonando a parte menor. Não só os menores, deixando de lado os mais importantes. Nem só os mais importantes, negligenciando os mais insignificantes. Pelo contrário, valorizar sempre as coisas pequenas!
Quem é fiel no pouco será também no muito. Ao contrário, «quem
despreza as coisas pequenas, aos poucos cairá» (Eclo 19,1). Uma gota contínua escava uma pedra e uma centelha produz um incêndio: «quem teme a Deus, de tudo sairá ileso» (Ecl 7,18). O próprio Deus ensinou tais verdades. Não basta ouvi-las, é preciso colocá-las em prática.
Não basta ouvir a palavra divina com prazer e colocar em prática
somente parte dela. Também Herodes ouvia João Batista com prazer. Contudo, somente punha em prática alguns ensinamentos, deixando de lado o que se referia à sua paixão predominante. É lamentável que, desde jovem, se comece a viver desleixadamente! Pouco a pouco, vai se perdendo o primitivo ardor e, fatalmente, cair-se-á na fraqueza de espírito, na tibieza e no relaxamento.
Por outro lado, quem vê o ardor dos jovens faz que toda a Igreja,
inclusive os que já estão adiantados no caminho da perfeição, sinta-se tocada pelo fervor da oração e pelo cultivo mais intenso da união com Deus.
Tive a inspiração de combater, quer os pequenos defeitos, quer os
grandes, e de crescer com toda a diligência na virtude. Torna-se cada vez mais breve o tempo em que posso servir melhor a Deus, promover Sua glória e me santificar.
Extraído dos escritos de São Gaspar Bertoni
Valorizar as coisas pequenas! Sim, ser santo não é fazer coisas extraordinárias (Embora existam aqueles que o façam) mas no cotidiano da vida de cada um de nós, fazer com amor e perfeitamente cada ação, colocando amor no que se faz. Isso sim, é uma grande conquista de cada dia. Isso, aos poucos, levará cada um de nós, à fazer grandes feitos e tudo por amor à Deus, pela nossa própria santificação e pelo bem de todos.
Não colocarmos obstáculos, mesmo que existam, mas contornarmos estes obstáculos e darmos o melhor de nós mesmos em boas ações e evitando o que possa prejudicar o nosso crescimento na santidade.
Combater perseverantemente quer os pequenos defeitos, quer os
grandes, e de crescer com toda a diligência na virtude, pois torna-se cada vez mais breve o tempo em que posso servir melhor a Deus, promover Sua glória e me santificar.
E assim, não perdermos tempo naquilo em que nada acrescenta de santo e virtuoso em nós.
Texto transcrito e elaborado, com mensagem encorajadora da autoria de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos
✅ Síntese do Conteúdo
O Poder das Pequenas Coisas: A Arte Cristã de Santificar o Cotidiano
Ao apresentar esta reflexão, proponho ao leitor um mergulho na lógica espiritual que sustenta a verdadeira busca pela santidade, não como ideal abstrato, nem como façanha reservada a poucos, mas como empenho global que envolve todas as dimensões da vida. Inspirado pelos escritos de São Gaspar Bertoni e pela tradição bíblica, este estudo procura demonstrar que a perfeição cristã não nasce de gestos extraordinários, mas da fidelidade perseverante às pequenas ações que, somadas, moldam o coração segundo a vontade de Deus.
A afirmação paulina «Mas que tudo se faça como convém e em boa ordem» (1Cor 14,40), serve de ponto de partida para compreender que a santidade exige atenção a tudo: aos grandes deveres e aos pequenos, às virtudes mais visíveis e às discretas, às renúncias heroicas e às escolhas silenciosas do cotidiano. Não é possível alcançar maturidade espiritual selecionando apenas o que agrada ou convém, a perfeição cristã é integral, abrangente e exige que nada seja negligenciado. A tradição sapiencial reforça esta verdade: «quem despreza as coisas pequenas, aos poucos cairá» (Eclo 19,1). Uma gota contínua perfura a pedra, uma centelha acende um incêndio, assim também a alma que persevera no pouco torna-se capaz do muito.
O artigo lembra, com firmeza, que ouvir a Palavra é apenas o início. Herodes escutava João Batista com prazer, mas não deixava que a verdade penetrasse a área mais sensível da sua vida. A santidade não floresce quando se acolhe apenas parte da vontade de Deus, ignorando aquilo que exige conversão mais profunda. É lamentável que muitos iniciem a vida espiritual com ardor, mas, por descuido, permitam que esse fogo se apague, caindo na tibieza e no relaxamento. Em contraste, o fervor dos jovens — símbolo da alma que ainda arde — tem o poder de reacender toda a Igreja, despertando até aqueles que já caminham há muito tempo na via da perfeição.
São Gaspar Bertoni testemunha que recebeu a inspiração de combater tanto os pequenos defeitos quanto os grandes, compreendendo que o tempo para servir a Deus é breve e precioso. A santidade, portanto, não consiste em feitos extraordinários, mas em realizar com amor cada ação ordinária, colocando perfeição naquilo que parece insignificante. Quem valoriza as pequenas coisas prepara-se para grandes obras, porque o amor que anima o gesto simples é o mesmo que sustenta o heroísmo.
O caminho espiritual exige também que não se coloquem obstáculos voluntários à graça. Mesmo quando surgem dificuldades, o cristão é chamado a contorná-las com paciência, oferecendo o melhor de si em boas ações e evitando tudo o que possa prejudicar o crescimento interior. A luta contra os defeitos quer que sejam pequenos ou grandes, devemos ser perseverantes, pois cada vitória molda a alma segundo a virtude. Assim, torna-se urgente não desperdiçar tempo com aquilo que nada acrescenta à santidade, mas orientar a vida para aquilo que edifica, purifica e aproxima de Deus.
Este conjunto de ensinamentos revela uma espiritualidade profundamente encarnada, a santidade não é um ideal distante, mas uma construção diária, feita de escolhas concretas, de amor aplicado às ações, de discernimento que ilumina cada passo. A perfeição cristã nasce da união entre interioridade e exterioridade, entre contemplação e ação, entre o amor infinito a Deus e a caridade ordenada ao próximo.
Concluo convidando o leitor a refletir sobre a própria vida, quais pequenas ações têm sido negligenciadas? Que gestos simples podem tornar-se caminho de santificação? Que obstáculos precisam ser contornados com paciência e amor? A santidade não está longe; ela começa agora, no detalhe, no silêncio, no pequeno. E é precisamente aí que Deus transforma o pouco em muito e o ordinário em graça.
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