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LÚCIFER ESTAVA TÃO PERTO DE DEUS PORQUE SE REBELOU?

  • Foto do escritor: Conteúdos Católicos
    Conteúdos Católicos
  • 7 de jun. de 2022
  • 5 min de leitura

Atualizado: 14 de nov. de 2025


Capa visual com pintura de Lúcifer em pose dramática, título ‘O Orgulho que Precipitou a Luz’ em fonte dourada sobre fundo sombrio. Arte religiosa que ilustra a queda do anjo por orgulho, com contraste entre luz divina e trevas

No dia a dia, diversas vezes nos deparamos com atitudes que não dão glória a Deus. Qual a raiz de tantas inclinações para o mal, de tantos desejos desordenados e de tantos outros defeitos da natureza humana? O orgulho, que, desde a queda de nossos primeiros pais, alastrou-se pelo mundo como uma peste no meio do jardim. Esse vício é a raiz de todos os pecados e por isso o homem necessita combatê-lo constantemente, sem que possa ver-se livre dele “senão meia hora após a morte”, comenta Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias. Contudo, antes ainda da queda de Adão, outro ato de orgulho havia causado a perdição eterna de outros seres, superiores ao homem na ordem da Criação. Os anjos pecaram porque quiseram ser como Deus «Non serviam! ― Não servirei! Subirei até o alto dos Céus, estabelecerei o meu trono acima dos astros de Deus, sentar-me-ei sobre o monte da aliança! Serei semelhante ao Altíssimo!» (Is 14, 13-14). Este odioso brado de revolta ― inspiração de todos os gritos de insubmissão da História ― fez-se ouvir no Céu. Era Lúcifer, o anjo que portava a luz. Tal era sua excelência que a Igreja aplica a ele as palavras de Ezequiel: «Tu és o selo de semelhança de Deus, cheio de sabedoria e perfeito na beleza; tu vivias nas delícias do paraíso de Deus e tudo foi empregado para realçar a tua formosura!» (Ez 28, 12-12). Se Lúcifer estava assim tão perto de Deus, qual o motivo de tamanha revolta? Segundo vários autores, fora revelado aos anjos que o Verbo Eterno Se uniria à natureza humana, «elevando-a assim até o trono do Altíssimo; e uma mulher, a Mãe de Deus, tornar-se-ia medianeira de todas as graças, seria exaltada por cima dos coros angélicos e coroada Rainha do universo». Tal revelação foi, no fundo, uma prova para todos os anjos. E alguns não quiseram aceitar, «pecaram por orgulho; manifestaram-se, ipso facto, desejosos de se nivelar com Deus, pois Lhe negaram a plena e suprema autoridade». Lúcifer quis ultrapassar o mistério que seu entendimento não alcançava… Julgou que o Senhor ignorava a superioridade da natureza angélica ao preferir unir-Se a um ser tão inferior a Si. E ao constatar que ele, o arquétipo dos Anjos, ver-se-ia na obrigação de adorar um homem ― ainda que divino ―, rebelou-se. Como observa São Bernardo, «aquele que do nada fora tirado, comparando-se, cheio de altivez, pretendeu roubar o que pertencia ao próprio Unigênito do Pai». Entretanto, o Arcanjo São Miguel, levantando-se como uma labareda da contrarrevolução e da fidelidade aos desígnios do Altíssimo, bradou: «Quis ut Deus?» «E houve no Céu uma grande batalha. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus sequazes travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles» (Ap 12, 7-8). Arrastando consigo a terça parte dos anjos, Lúcifer foi precipitado no inferno, tornando-se o príncipe das trevas. «Como caístes, ó astro resplandecente, que na aurora brilhavas? A tua soberba foi abatida até os infernos» (Is 14, 11-12). Eis o castigo do orgulho! São Miguel Arcanjo, por sua vez, foi elevado à mais alta hierarquia celeste, tornando-se o condestável dos exércitos angélicos, o baluarte da Santíssima Trindade. Eis o prêmio da humildade! Com os homens, dá-se o mesmo?


Síntese do Conteúdo

O Orgulho que Precipitou a Luz: A Queda de Lúcifer e a Glória da Humildade


Desde que comecei a meditar sobre a queda de Lúcifer, percebi que esse episódio não é apenas uma narrativa simbólica, mas uma chave para compreender a dinâmica entre liberdade, orgulho e amor na Criação. A teologia cristã, especialmente a patrística, sempre destacou que Deus criou os anjos com liberdade plena, uma liberdade que, embora perfeita, exigia uma escolha definitiva, servir ou não servir. Santo Tomás de Aquino, em sua «Suma Teológica», afirma que os anjos, sendo seres intelectuais puros, tomaram uma decisão irrevogável no momento da prova. E foi nesse instante que Lúcifer, movido por uma altivez incompreensível, escolheu a não-servidão. Eu me pergunto: como pode a criatura desejar rivalizar com o Criador? A resposta, creio, está no mistério do orgulho, que é a distorção da liberdade quando separada do amor. Lúcifer não pecou por ignorância, mas por soberba. Ele viu o plano divino, a união do Verbo com a carne humana e não aceitou que algo inferior à natureza angélica fosse elevado acima dele. Essa recusa revela uma lógica invertida, ao invés de se alegrar com o desígnio divino, ele se fechou em si mesmo, preferindo a própria glória à comunhão com Deus.


Essa atitude me lembra a filosofia de São Bernardo de Claraval, que via o orgulho como a raiz de toda desordem espiritual. Ele dizia que «o orgulho é o amor desordenado pela própria excelência». E é exatamente isso que vejo em Lúcifer, um amor desordenado por si mesmo, que o impediu de reconhecer a beleza do plano salvífico. A revelação de que uma mulher, Maria seria exaltada acima dos coros angélicos foi o estopim da revolta. Para mim, isso mostra que o orgulho não suporta a humildade alheia, especialmente quando ela é glorificada por Deus. Lúcifer não apenas rejeitou a encarnação, mas também a maternidade divina, que é o ápice da humildade, uma criatura humana tornando-se Mãe de Deus.


Filosoficamente, essa queda me faz pensar na tensão entre essência e existência. Lúcifer, criado com uma essência luminosa, escolheu uma existência sombria. Ele quis definir-se por si mesmo, rompendo com a dependência ontológica que toda criatura tem em relação ao Criador. É o drama do ser que deseja ser causa de si, o mesmo erro que, séculos depois, filósofos como Nietzsche exaltariam como ideal de autonomia. Mas eu vejo que essa autonomia é ilusória. A verdadeira liberdade não está em negar Deus, mas em aderir a Ele com amor. São João da Cruz dizia que «a alma que se une a Deus se torna divina por participação». Lúcifer rejeitou essa participação, preferindo uma glória própria, que acabou por torná-lo o oposto do que fora criado para ser.


Esta reflexão me leva a considerar meu próprio caminho espiritual. Se até os anjos foram provados, como posso eu, ser humano frágil, pretender viver sem vigilância? A queda de Lúcifer é um alerta constante, o orgulho é sutil, sedutor e pode esconder-se até nas boas intenções. Por isso, busco cultivar a humildade, não como humilhação, mas como verdade sobre mim mesmo. Reconhecer minha pequenez diante de Deus é o primeiro passo para participar da Sua grandeza. E ao olhar para São Miguel, que bradou «Quis ut Deus?», vejo o modelo da fidelidade: não aquele que entende tudo, mas aquele que confia plenamente. A humildade, portanto, não é ignorância, mas sabedoria espiritual. É saber que só em Deus encontro meu verdadeiro ser é o que eu acho. E você?


Finalização de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos


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