Programa de santidade: as virtudes humildes e escondidas
Atualizado: há 2 horas
Nestas páginas do diário, a Madre Marie Cronier conta o que compreendeu nos dias 8 e 9 de abril. Jesus fala-lhe das virtudes interiores, humildes e escondidas, e pede-lhe que as viva com fidelidade, dia após dia. Vai encontrar o texto dela em cinco partes e, no fim, algumas ideias simples para viver isto hoje. As palavras da Madre estão apresentadas tal como as escreveu, apenas com pequenos acertos de pontuação e de tratamento.
Uma nota serena: este texto é uma página de diário espiritual, um testemunho pessoal. Não é doutrina da Igreja nem matéria de fé obrigatória. O Catecismo da Igreja Católica (n.º 67) lembra que as revelações privadas «não pertencem ao depósito da fé» e que o seu papel é «ajudar a vivê-la mais plenamente». Lê-se, por isso, com liberdade e com o coração aberto.

As virtudes interiores
Domingo, 8 de abril. Sentido:
Jesus falou-me muito das virtudes interiores. Ele deseja que não haja nem movimento, nem uma palavra sequer, por parte daquela de quem gosta tanto, que não seja regulada pela Sua Graça. Compreendi toda a extensão que Ele dava às virtudes interiores, humildes, desconhecidas, escondidas.
A luz e a verdade
Compreendi sobretudo que Ele era a Luz e a Verdade. Inundava minha alma com Seus divinos raios que lhe permitem perceber a santidade verdadeira, a prática profunda. Prometeu-me Sua luz e disse-me que este era o dom maior que pudesse me dar neste mundo. Esta luz divina que ilumina, que revela a santidade, os preciosos segredos de Jesus, esta luz divina que traz o calor, o amor.
O silêncio e as virtudes escondidas
Voltando às virtudes interiores, pediu-me que amasse muito essas humildes virtudes cuja existência ninguém suspeita e cuja beleza somente Ele, sozinho, pode conhecer, e acrescentou: «nunca pronuncie uma palavra em seu próprio louvor, evite frequentemente uma palavra, um gesto, um olhar; caminhe até perder de vista com essas preciosas virtudes escondidas; prefira o silêncio, ame passar despercebida, não pronuncie jamais uma palavra inútil».
«Sempre Comigo, sempre habilidosa em se esconder atrás do silêncio, da paz, do esquecimento das criaturas; caminhe, caminhe. A perfeição não tem limites: caminhe sempre mais para frente».

«Remova cada dia os menores grãos de poeira. Essas virtudes tão humildes, tão pequenas na aparência, são abismos que a alma pode sempre aprofundar; Minha filha, essas virtudes tão humildes, tão modestas, são também tesouros que encantam Meu divino Coração. Olhe para a Minha divina Mãe e contemple esta obra-prima das virtudes interiores. Quero que nelas você progrida muito».
A mansidão e a discrição
«Para tanto, seja amável, mas com uma suave gravidade e um tanto séria, seja paciente sem que se possa perceber tal ato de paciência de sua parte; sem que se possa descobrir se algo a contrista ou a irrita; seja tão boa que nada possa anuviar seu rosto, mas sempre com suave seriedade, seja tão caridosa que seus lábios nunca profiram a menor crítica; esteja sempre pronta a esquecer, a perdoar, a ajudar».

«Seja tão discreta que passe despercebida».
«Ao agir, faça pouco barulho; ao falar, diga poucas palavras, submeta sua vontade cada vez que for possível sem faltar aos deveres; aceite a opinião dos outros por condescendência, por virtude: seu Jesus lhe dará o tato e a finura necessários para agir no momento certo, sem fraqueza, sem abuso».
«Procure mortificar-se em cada encontro com tanta boa vontade e finura que somente Jesus seja testemunha».
«Procure ser esquecida, não fale de si mesma nem bem, nem mal: tenha sempre um sorriso nos lábios e com tanta simplicidade que a própria virtude pareça natural aos olhos de todos; ficará minorada pela grandeza de sua própria perfeição».
Um trabalho para toda a vida
Tendo falado assim, Jesus pediu-me ainda a coragem paciente, generosa, constante, exigida por este esforço interior praticado, tão mortificante, tão escondido, tão extenso, tão perpétuo.
Eu mesma notei algumas imperfeições, algumas palavras inúteis, uma precipitação exagerada numa ação, um instante de tristeza exagerada ao pensar na separação que tanto me fere. Mas procurarei fazer melhor amanhã.
Jesus deu-me a entender que se tratava de um trabalho para toda a minha vida e que o importante era nunca estar satisfeita, nunca descansar.

9 de abril.
Ele me pede não fazer nada que seja inútil: vou me esforçar com afinco, nada de natural, tudo com a calma, tudo sem barulho, tudo com mansidão, mesmo se for interrompida vinte vezes, tudo sem vontade própria mas unicamente pela vontade d’Ele, de tal forma que esteja pronta a tudo deixar, tudo abandonar; enfim, um desprendimento total de modo a não me deixar cativar nem por um instante e escolher as tarefas menos atraentes.
Para viver isto hoje
As propostas que se seguem são nossas, não da Madre Marie Cronier. São simples, e cada pessoa vive-as ao seu ritmo:
• Guardar todos os dias um momento de silêncio, mesmo curto, para estar com Deus, sem pressa. Sobre o recolhimento, leia A alma recolhida e as virtudes.
• Falar menos de si. Quando surgir a vontade de contar o que se fez de bem, guardá-lo em silêncio e oferecê-lo a Deus.
• Ter uma paciência discreta: respirar, esperar e deixar passar a irritação, sem queixas e sem ar de sacrifício.
• Perdoar depressa e ajudar sem barulho. Escolher hoje um gesto concreto, em casa ou no trabalho, e fazê-lo sem que ninguém precise de saber.
• Terminar o dia com um breve exame de consciência: onde faltou paciência, onde sobrou uma palavra inútil. E recomeçar amanhã, como a Madre: «procurarei fazer melhor amanhã».
No texto, Jesus convida-a a olhar para Maria, «obra-prima das virtudes interiores». Para a conhecer melhor, leia As Dez Principais Virtudes de Maria Santíssima e Como Devemos Imitá-la.
Quem foi a Madre Marie Cronier
Marie Cronier (1857-1937) foi a fundadora e a primeira abadessa da Abadia de Sainte-Scholastique, em Dourgne, no sul de França. Segundo a própria comunidade de Dourgne, em 1883 recebeu a inspiração de fundar uma obra beneditina dupla, de irmãs e de monges, em ligação com o seu diretor espiritual, Dom Romain Banquet. As primeiras irmãs chegaram a Dourgne em 1890. Em 1896, a abadia foi erigida como abadia autónoma e Marie Cronier recebeu a bênção abacial. Faleceu em Dourgne, a 24 de julho de 1937.
Madre Marie Cronier (1857-1937)
Fundadora e primeira Abadessa do Mosteiro de
Sainte-Scholastique de Dourgne França






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