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Os Segredos dos Santos Para Vencer os Pecados da Carne


Os jovens católicos hoje — e não apenas os jovens — estão experimentando um bombardeio sem precedentes de propaganda sexual e tentações carnais. Os pecados da carne sempre estiveram connosco desde a queda de Adão, mas nunca antes houve uma tal multidão e disponibilidade de imagens impuras e tantas incitações para ceder ao pecado, sem atenção à saúde espiritual do homem ou até mesmo à sua saúde física e psicológica.


Se C. S. Lewis acertou em dizer que “a castidade é a menos popular das virtudes cristãs”, por outro lado também é possível dizer que “a impureza é o mais popular dos vícios do mundo”. Nossa situação moderna foi descrita com bastante antecedência por Nossa Senhora do Bom Sucesso, que apareceu à Venerável Madre Mariana de Jesus Torres, em Quito, Equador, de 1594 a 1634, e falou-lhe com grandes detalhes de uma “catástrofe espiritual” que ocorreria na Igreja “um pouco depois de meados do século XX”. Entre as muitas profecias havia esta:


O terceiro motivo pelo qual se apagou a lamparina é porque nesses tempos estará a atmosfera saturada do espírito de impureza, que, à maneira de um mar imundo, correrá pelas ruas, praças e logradouros públicos com uma liberdade assombrosa. Quase não haverá almas virgens no mundo.


De modo similar, Nossa Senhora apareceu a Santa Jacinta de Fátima diversas vezes, entre dezembro de 1919 e fevereiro de 1920. Uma das coisas ditas por ela deve fazer-nos pensar:


“Vão mais almas para o inferno por causa dos pecados da carne do que por qualquer outra razão”. E ainda: “Hão de vir umas modas que ofenderão muito a Nosso Senhor”.

Em seu livro The Message of Our Lady of Fatima, Dom Augustine Marie, OSB, comenta sobre essas palavras:


"Vão mais almas para o inferno por causa dos pecados da carne do que por qualquer outra razão.” A Irmã Lúcia, última vidente viva de Fátima, diz que isso se refere primeiramente aos pecados contra a castidade, também chamados de pecados de impureza. Essa afirmação não é porque os pecados contra a castidade são os mais graves, mas sim porque eles são os mais comuns e, nas palavras da Irmã Lúcia, “por causa da consciência”, já que os pecados de impureza tendem a ser menos penitenciados do que os outros. Por quê? Primeiro, porque o sentimento da injustiça cometida, que é o primeiro estímulo para que uma pessoa se arrependa de seus pecados, não é sentido fortemente quando se praticam esses pecados, com exceção do adultério. Segundo, porque há um maior sentimento de vergonha quando se cometem certos atos impuros e, por consequência, há maior dificuldade em confessá-los no sacramento da Confissão, ou até mesmo em se arrepender deles de coração. Terceiro, porque a atividade sexual de todos os tipos é apresentada por nossa cultura popular pós-cristã (ou até anticristã) como algo bom e natural, ao mesmo tempo que chegam a ensinar que a abstinência sexual faz mal à saúde.


Como explicado, então, ainda que a impureza, a imodéstia e vícios correlatos de intemperança não sejam em si mesmos os piores dos pecados, eles estão sem dúvida entre os mais comuns, especialmente em certas faixas etárias, e são ainda mortais para a alma e corrosivos para a sociedade. Que uma pessoa impenitente seja condenada ao inferno por homicídio ou fornicação, por roubo ou masturbação, seja como for ela acabará no inferno, um lugar de tormento e escuridão eternos; e ainda que a Divina Comédia de Dante esteja correta em retratar o inferno com círculos de punição mais ou menos severa, a depender dos graus de malícia com que foram cometidos os pecados, todos os condenados experimentam a pena da perda de Deus e do fogo sensível por toda a eternidade. Eis uma coisa da qual precisamos querer nos livrar a todo custo, por meio de um autocontrole honesto, de arrependimento caso tenhamos caído, de uma confiança humilde e inabalável na misericórdia de Deus e, finalmente, de um recurso contínuo à Confissão e à Comunhão.


São Cirilo de Jerusalém, Padre e Doutor da Igreja, exclama em uma de suas homilias:


Se te sentes tentado pela intemperança, alimenta-te com o Corpo e o Sangue de Cristo, que na vida terrena praticou com excelência a sobriedade, e tornar-te-ás temperante. [...] Se tu te sentes arder pela febre da impureza, aproxima-te do banquete dos anjos, e a carne imaculada de Cristo te fará puro e casto.


Comentando sobre essa passagem em seu maravilhoso livro Jesus, nosso amor eucarístico, o Pe. Stefano Manelli diz:


Ao procurarem saber como fez São Carlos Borromeu para se conservar puro e justo em meio a seus pares jovens, frívolos e entregues à dissipação, as pessoas descobriam que o seu segredo era a Comunhão frequente. [...] E São Filipe Néri, conhecedor profundo dos jovens, dizia:


“A devoção ao Santíssimo Sacramento e a devoção à Virgem Maria são, não o melhor, mas o único meio para conservar a pureza. Nada a não ser a Comunhão pode conservar puro um coração aos vinte anos de idade… Não pode haver castidade sem Eucaristia".


A Eucaristia é o próprio Cristo — verdadeiro Deus e verdadeiro homem, o Deus que nos criou e que nos santifica, o homem que conhece nossas fraquezas e que as cura com sua carne. É Ele quem nos assegura: “O que é impossível aos homens, é possível a Deus” (Lc 18, 27). Aproximemo-nos, pois, cada vez mais dEle, com temor e com fé, e deixemos que a força de Sua presença opere milagres em nós.


Lembremo-nos primeiro que o cristianismo é uma religião essencialmente interior, desde o seu princípio. As inúmeras condenações de Cristo aos “ritualismos” a que estavam presos os fariseus são suficientes para fazer-nos ver que não basta, na religião fundada por Nosso Senhor, praticar um ou outro ato externo de devoção para ser justo. Esta fórmula pode estar desgastada — principalmente em nosso tempo, tão pouco dado às práticas religiosas —, mas continua sendo verdadeira: Deus olha o coração. O lamento de Deus colocado na boca do profeta Isaías, e que o próprio Jesus repete dirigindo-se aos mesmos fariseus, é simples: “Este povo me honra somente com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim” (Is 29, 13).


Esta necessidade de uma conversão radical, que envolva os afetos mais íntimos do ser humano, Nosso Senhor a procurou inculcar nos seus discípulos desde o início de Sua pregação: leiam-se, por exemplo, no Sermão da Montanha, os versículos com os quais Jesus “reforma” o quinto (cf. Mt 5, 21-26) e o sexto mandamentos do Decálogo (cf. Mt 5, 27-32). Agora, já não basta “não matar”, é preciso amar o próximo e viver fraternalmente com ele, sem iras e contendas de nenhum tipo; já não basta “não cometer adultério”, é preciso vigiar os próprios pensamentos para evitar todo tipo de impureza. Em suma, não basta evitar determinados atos externos, é preciso ter o coração limpo em primeiro lugar.


Com isso, podemos entender melhor o termo “almas virgens”, a cuja ausência Nossa

Senhora se referiu falando de nosso tempo.


Primeiro, a Mãe de Deus não está falando aqui da virgindade em sentido estrito, em sua aceção meramente física (que é o sentido em que hoje comumente entendemos essa expressão). O mal de nossa época não é que as pessoas tenham relações sexuais porque o sexo seria algo “impuro” em si mesmo, nem poderia ser este o problema, porque, afinal de contas, é do relacionamento conjugal que vêm os filhos, e Cristo, em Sua vida terrestre, fez questão de elevar o casamento à dignidade sacramental (ou seja, o relacionamento entre um homem e uma mulher, com o auxílio da graça de Deus, é destinado a santificá-los, a eles e a seus filhos).


Mas, segundo, também não parece que, com a expressão “almas virgens”, a Mãe de Deus esteja falando simplesmente do menor número de pessoas que se entregariam a Deus, em nosso tempo, por meio da vida religiosa. Não que esse dado não seja verdadeiro (porque tragicamente o é), mas a referência direta de Nossa Senhora à “atmosfera saturada de espírito de impureza” faz pensar mais nas “ruas, praças e logradouros públicos” que nos claustros, mais no ambiente secular que nas casas religiosas.


Por isso, precisamos redescobrir e reviver, com urgência, a “virgindade de alma”, que nada mais é do que a velha virtude cristã da castidade. Não que fosse fácil vivê-la em outras épocas (afinal, esse ensinamento de Cristo sempre foi “pedra de tropeço” para o mundo), mas o nosso século, devido em grande medida ao bombardeio pornográfico dos últimos anos, tornou-se particularmente insensível a esse apelo do Evangelho, de modo que muitos de nós sequer acreditamos que a pureza de alma seja possível!


Deus, no entanto, não nos manda o impossível — creiamo-lo! — e no Evangelho Ele diz mui claramente: “Todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração” (Mt 5, 28); “Se teu olho direito — Ele continua — é para ti causa de queda, arranca-o”, “Se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti” (Mt 5, 29-30). Sendo ainda mais claro: Se teu olho é para ti ocasião de desejares sexualmente as outras pessoas, seja na pornografia, seja na vida real, “arranca” de tua vida esse mau hábito! Se tua mão direita é para ti ocasião de pecares pela masturbação, ou pelos toques e abraços indecentes com outra pessoa, “corta” de tua vida este relacionamento! E se alguém ainda duvida de qual seja a gravidade deste pecado, Nosso Senhor conclui: “(...) é preferível perder-se um só dos teus membros a que o teu corpo inteiro seja atirado no inferno” (Mt 5, 30).


Muitos dizem que “os tempos mudaram”, e é verdade. Nossa Senhora do Bom Sucesso o havia profetizado. Mas se os tempos mudam, a palavra de Cristo não muda (cf. Mt 24, 35); se os tempos realmente mudaram, então mudaram para pior.


Por isso, se quisermos preservar nossas almas e nossas famílias da “atmosfera saturada” de sensualidade em que nos encontramos, não há outro remédio: precisamos ser extremamente cuidadosos com as imagens que avistamos, com os nossos relacionamentos, e até mesmo — tristes tempos os nossos! — com os lixos musicais que andam na moda. São Josemaría Escrivá dizia que “é necessária uma cruzada de virilidade e de pureza que enfrente e anule o trabalho selvagem daqueles que pensam que o homem é uma besta”. (Caminho, 121), e ele tinha toda a razão. Essa cruzada é obra nossa!


Mas não venceremos — desiludamo-nos desde já — sem o auxílio da graça de Deus. É no nosso coração que mora o problema? O inimigo já está morando dentro de casa, como se diz? Então é contra nós mesmos a primeira luta que devemos travar, e — isso deveria ser óbvio para todos — não nos venceremos com nossas próprias forças. Precisamos recorrer a uma arma maior, ao auxílio de corações superiores, nos quais esta batalha da pureza tenha sido vencida e já reine a paz que tanto procuramos: por isso… Sagrado Coração de Jesus, Imaculado Coração de Maria e Coração castíssimo de São José, sede a nossa salvação! Restaurai-nos a pureza de alma e, se não somos mais “almas virgens”, fazei de nós ao menos almas penitentes!

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