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Os cinco degraus para a lectio divina - Parte 1

Atualizado: 17 de dez. de 2022



Início: invocar o Espírito Santo. Atitude prévia, para entrar no caminho da lectio divina: pede-se a Deus a luz necessária.


1. Leitura: ler a Palavra. A leitura se faz com a consciência de que se escuta Alguém: Deus. Nesse primeiro momento, trata-se de apropriar-se da passagem estudada no seu sentido literal e histórico.


2. Meditação: ruminar a Palavra. Procuram-se os sentidos espirituais contidos no texto: em referência a Cristo, à vida moral, à esperança cristã.


3. Oração: rezar a Palavra. O que foi meditado é retomado em forma de diálogo com o Senhor, segundo os diversos tipos de oração (louvor, agradecimento, súplica, pergunta, arrependimento, confiança...).


4. Contemplação: em recolhimento de adoração, coloca-se em atitude recetiva, de escuta, e deixa-se plasmar pela Palavra.


5. Ação: escolher um empenho concreto para o próprio testemunho de fé, no meio dos outros, para que a Palavra escutada se torne vida vivida.


Conclusão: agradecer a Deus pelo dom de Sua Palavra e pela alegria de crescer e amadurecer em Sua escola.


Para aprender o método da lectio é importante que percorramos as etapas, uma por uma, com fidelidade e constância, especialmente no início.


Início: invoco o Espírito


A primeira e fundamental atitude a ser assumida quando me disponho à lectio divina é pedir que o Espírito venha iluminar todo o meu ser. Encontro-me diante do livro como Bartimeu, o cego, que suplica: "Senhor, que eu veja!" (Lc 18,41).


a) Necessidade do Espírito. A lectio divina é, antes de tudo, uma graça. O Espírito que criou a Palavra não a abandona, mas a suscita, torna-a viva em quem a escuta. Porque "o mesmo Espírito que tocou a alma do profeta toca agora a alma do leitor" (São Gregório Magno).


Sem a intervenção do Espírito nossa lectio permaneceria um exercício simplesmente humano, um esforço da razão, uma aquisição intelectual, e não um crescimento na Sabedoria divina. De fato, "os outros escritos podem ser compreendidos e penetrados por quantos os leem, mas os escritos que são divinos e falam da salvação não podem ser compreendidos, nem guardados, sem a iluminação do Espírito Santo" (Simão, o novo teólogo).


Com o Espírito revivemos também nós a aventura dos apóstolos depois da ressurreição do Senhor: "O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo, e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito" (Jo 14,26).

Por isso, como foi descrito com uma série de imagens felizes, devemos "colocar-nos no justo comprimento de onda para captar a mensagem do Espírito..., sintonizar a mente com o mundo divino. A luz do Espírito constitui um farol poderosíssimo, que investiga os mistérios de Deus escondidos nas Escrituras..., e transforma os corações de pedra em corações de carne". Por fim, São Jerônimo (também ele com imagens muito felizes) já dizia que meditar as Escrituras "é abrir as velas ao sopro do Espírito Santo, sem saber em que praias aportaremos".


b) Portanto, a epiclese. Epiclese é a palavra grega antiga que significa invocação. O Espírito Santo é o verdadeiro mestre que abre a mente do crente. Se não possuímos seu dom, não poderemos entrar no coração das Escrituras, nem avizinhar-nos das profundidades e dos segredos de Deus.

Por isso nós, antes de ler o texto, rezamos ao Espírito Santo para que nos ilumine, e descendo até nós nos faça compreender a Palavra na fé.

Ele nos vai dispor a ir ao encontro do texto inspirando-nos o sentido do sagrado, da reverente adoração diante do mistério, da docilidade.


c) Depois devo criar em mim as condições para que tudo isso aconteça.


Primeiro envolver-me no silêncio, entrar no oásis do deserto.

Em seguida, convencer-me de que o Pai quer dar-me o Espírito. Jesus nos disse: "Algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra?... Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu saberá dar o Espírito Santo aos que lhe pedirem!" (Lc 11,11.13).


Devo também pedir que o Espírito me conserve em união com a Igreja: "para evitar qualquer perigo de consumismo privado da Palavra, o perigo do subjetivismo interpretativo" (Enzo Bianchi).

E tudo, sempre, com a máxima discrição: "Precisa - explicava a Enzo Bianchi um monge do monte Athos - comportar-se com o Espírito, como com uma pomba, que tanto mais se avizinha de nós, quanto mais nós ficamos quietos, dóceis, esperando-a".


d) O que direi? Para pedir ao Espírito a luz necessária, disponho de várias orações belíssimas e oficiais da Igreja. Como a sequência de Pentecostes: "Vinde, Espírito Santo...". Posso usar o Salmo 119, ao menos em parte, que é um salmo por excelência de escuta da Palavra. Ou me confiar a uma oração espontânea, talvez a partir do argumento da minha lectio.


1 - Leitura: aproximo-me da Palavra


Escolhido o texto sobre o qual pretendo meditar, eu me preparo para colher por partes (degraus) sua mensagem global. Antes de tudo, escalar o primeiro degrau, a Leitura. Esta compreende dois aspetos: o ler, propriamente, e depois a pesquisa que farei sobre o texto, para compreendê-lo no seu conteúdo imediato (literal, histórico).


Deverei assumir algumas atitudes de fundo: antes de tudo, nutrir a convicção de que, de fato, estou começando a escutar Alguém: a pessoa viva, que me fala, é Jesus Cristo, é Deus mesmo; a seguir, ativar em mim as qualidades de um bom ouvinte (certa sã

curiosidade, a docilidade ou atitude de aprendizagem, o desejar compreender, para depois agir); nesse primeiro momento fixarei para mim um objetivo que poderia

parecer limitado (e não o será de fato): procuro colher, em profundidade, o sentido literal do texto que tomei em exame. Sem pressa de encontrar desvios para chegar, o quanto antes, aos sentidos espirituais.


a) Empenho-me então em compreender a fundo a leitura, procurando entrar nas palavras e na história que o texto narra, para fazer minha a sua mensagem imediata.

De fato essa primeira fase poderia tornar-se a mais longa, fatigante e empenhativa de todas. Normalmente poderia limitar toda a lectio divina no espaço de uma hora; mas se não tiver urgências particulares, convirá conduzir esse primeiro trabalho de escavação na Palavra com muita calma, sem pressa de concluir.


b) Algumas modalidades exteriores da lectio, se aplicadas com método e fidelidade, facilitam esse meu primeiro trabalho.


Primeiro empenho-me a ler com calma e atenção, evitando uma leitura apressada, superficial e distraída. Talvez possa ler e reler o texto mais vezes.

Alguém aconselhou: podendo, lerei em voz alta, como para sentir ressoar as palavras, para imprimi-las com mais força na memória. (De resto convém relembrar a história: recordar que a leitura sem cochicho é uma conquista recente da humanidade...)

Se o livro é meu, posso trabalhar sobre a página: sublinho com uma caneta, ou com um marca-texto, a palavra-chave, a frase incisiva, a ideia que me atingiu; anoto à margem uma citação, uma recordação.

Depois de tudo, daí a algum tempo, quando tomar em mãos o livro, aqueles sinais à caneta vão me fazer reviver a experiência espiritual que estou vivendo hoje.


c) Portanto, inicio o trabalho de escavação no texto. Um biblista e estudioso da lectio divina não hesitou em sugerir as "técnicas filológicas" do passado e dos nossos tempos, a começar pela análise gramatical, lógica, do período, da estrutura de um texto. E apresentou diversos exemplos.

Percorrendo essa via de andamento mais escolástico, chego a ter confidência com as palavras-chave, individuar o versículo central, avaliar os elementos secundários, mas iluminadores, e dispor-me a alcançar a mensagem central do texto.


d) Devo me transportar mentalmente ao passado. Os autores inspirados estavam condicionados pela cultura de seu ambiente, e nesse passado devo lançar-me também eu.

Procuro reconstruir o ambiente do fato narrado e o seu contexto histórico; imagino os personagens que aí agiram, os sentimentos que experimentaram. Elenco as imagens (os símbolos aos quais o autor recorre), estudo o dinamismo das ações...


Outro procedimento eficaz consiste em propor ao texto perguntas: "Onde e quando se desenvolve o relato?", "Quais são os personagens principais?", "Qual é o problema afrontado?", "Que importância tinha naquele momento?", "Que ações do episódio se tornam significativas segundo o autor bíblico?", "São indicadas como positivas ou são desaprovadas?", "Que mensagem o autor entendia repassar aos seus contemporâneos?"



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