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Do Desapego dos Homens

Atualizado: 12 de jul.



O desapego de nossos semelhantes não consiste em não amarmos a ninguém no mundo, mas em ordenar ou regular nossas afeições segundo a vontade de Deus, tornando-as agradáveis a Ele. A natureza e a religião nos impõem o dever de amarmos de coração nossos pais, benfeitores e amigos; este amor, porém, torna-se desordenado se por sua causa ofendermos a Deus ou é um impedimento a tendência à perfeição.


Muitos cristãos fariam grandes progressos no caminho da perfeição se se desprendessem de todo o apego natural; mas, porque fomentam em seu coração uma outra pequena afeição desordenada, a que não querem renunciar, permanecem sempre em seu triste estado, sem nunca dar um só passo no caminho da virtude. São João da Cruz diz:


«Uma alma que prende seu coração a qualquer criatura que seja, nunca chegará à perfeita união com Deus, mesmo possuindo muitas virtudes».


Pouco importa que o pássaro esteja preso por um fio grosso ou fino, pois, por mais fraco que este seja, enquanto não for rompido, será suficiente para reter o pássaro preso e impedir-lhe o voo. É sumamente triste ver tantas almas ricas em exercícios de piedades, virtudes e graças, nunca chegarem à perfeita união com Deus, porque não têm coragem de renunciar a uma pequena inclinação, bastando-lhes apenas levantar um voo magnânimo para romperem o fio que as prende à terra e impede sua felicidade completa.


1) Para chegarmos a uma perfeita união com Deus, devemos nos desprender por inteiro das criaturas. Devemos renunciar, antes de tudo, ao apego desordenado a nossos parentes. Jesus declarou que quem se apegar demasiadamente a seus parentes não pode ser seu discípulo (Lc 14, 26). E por quê? Porque, muitas vezes, os maiores inimigos de nossa alma são justamente os nossos parentes:


«Os inimigos do homem são os seus domésticos». (Mt 10, 36)


São Carlos Borromeu dizia que todas às vezes que voltava de uma visita a seus parentes sentia uma diminuição de fervor para o bem. Perguntando-se ao Pe. Antônio Mendoza por que não punha os pés em casa de seus parentes, respondeu:


«Porque sei que os religiosos em nenhuma parte perdem mais facilmente o espírito de piedade que justamente na casa de seus parentes».


Quem renunciou, em verdade, ao apego desordenado a seus parentes não se contristará em demasia quando um deles, ainda que muito estimado, lhe for roubado pela morte. Muitos mostram-se inconsoláveis quando perdem algum parente ou amigo: fecham-se em seus aposentos para chorar, entregam-se a uma tristeza e impaciência tão excessivas, que ninguém mais ousa aproximar-se deles. Eu desejaria, porém, saber a quem se pretende agradar com tantas lágrimas e tão amarga tristeza! A Deus? Certamente, não, pois Nosso Senhor quer que nos conformemos com Sua santa vontade. À alma do falecido? Também não, pois, se ela se achar no inferno, detesta-te e as tuas lágrimas, e se estiver salva e já no céu, quer que agradeças com ela a Deus; se ainda no purgatório, deseja ardentemente que a auxilies com tuas orações, que te conformes com a vontade divina e trabalhes na tua própria salvação, para poderes um dia te unir a ela, no céu. Para que, pois, chorar tanto?


O Pe. José Caracciolo, teatino, achando-se uma vez entre parentes que choravam sem parar a morte do irmão, disse-lhes:


«Reservemos nossas lágrimas para um objeto melhor: derramemo-las por amor de Jesus, que é nosso Pai, nosso Irmão e nosso Esposo, que por nosso amor sofreu a morte».


Nessas circunstâncias devemos imitar o piedoso que, inteirado da morte, de seus filhos, disse, cheio de resignação:


«O Senhor mo deu, o Senhor mo tirou; como agradou ao Senhor, assim se deu; bendito seja o nome do Senhor». (Jó 1, 21)


No ano de 1624, foi condenado à morte o filho de uma piedosa japonesa. Ao despedir-se de sua mãe, disse-lhe o rapaz o seguinte:


«Minha mãe, é chegada, enfim, a hora por que tanto suspirei e tanto pedi a Deus. Morrerei dentro em breve. Perdoa-me todos os desgostos que te causei e dá-me a tua bênção materna».


Ajoelhou-se então para recebê-la. A mãe, abraçando-o ternamente, disse-lhe:


«O Senhor te abençoe, querido filho, e te conceda a graça de uma santa morte. Dói-me o perder-te, mas consola-me o pensamento de que vais morrer por Jesus Cristo. Que Ele seja sempre louvado por está graça que te concede».


Em seguida, despediu-se o jovem igualmente de sua mulher e dirigiu-se ao lugar do suplício para receber o golpe mortal.


Certamente um belo exemplo de desapego dos parentes.


2) O desprendimento exige também que suportemos com resignação na vontade de Deus a perda daqueles que nos são úteis, quer na vida material, quer na espiritual. Neste ponto, notam-se muitas vezes grandes faltas nas almas devotas, por não se entregarem às disposições da vontade de Deus, como deviam, quanto à perda de seus confessores. Não é o confessor que nos torna santos, mas Deus. Se Ele no-lo dá, quer que nos utilizemos de seu ministério no que se refere aos negócios de nossa consciência; se dele nos priva, quer que não fiquemos descontentes, mas aumentemos a nossa confiança em Sua bondade e Lhe digamos:


«Senhor, Vós me destes esse auxílio e agora dele me privais: seja sempre feita a Vossa vontade. Vinde agora pessoalmente em meu socorro e ensinai-me o que devo fazer para Vos servir fielmente».


Jesus Cristo é nossa verdadeira consolação, nosso verdadeiro guia, nosso verdadeiro amor, o único amor de nossa alma; Ele não quer que procuremos consolação fora Dele. É verdade que Nosso Senhor não quer que deixemos nosso diretor espiritual enquanto podemos tê-lo à disposição; mas, se Ele mesmo no-lo tira, compete-Lhe dar-nos um outro ou substituí-lo de qualquer modo. Quem, pois, se inquieta por ser-lhe tirado seu pai espiritual, não pratica uma virtude, mas comete uma falta e mesmo uma grande falta, porque tal inquietação provém de certo apego natural ou, no menos, de pouca confiança em Deus.


Procura, pois, conservar teu coração livre de qualquer apego a teu diretor espiritual e conserva-te sempre pronto a renunciar a ele se for vontade de Deus ver-te privado de seu auxílio. Se teu confessor te deixar ou o Senhor o chamar a outra vida, repete novamente as palavras de ; e segue as prescrições e conselhos dados por ele, te encontrares um outro diretor para a tua alma.


Pe. Oscar das Chagas C.SS.R.


Procuremos estar firmemente unidos à Deus, numa constante entrega de tudo à Ele.

Exercitemos essa prática tão fundamental nas nossas vidas no decorrer dos dias.

Recorramos à leitura das Sagradas Escrituras e elevemos os pensamentos na Sua direção onde quer que estejamos e em qualquer situação.

Isso nos ajudará no desapego natural que temos às pessoas em geral.

É estarmos sempre cientes que estamos na Sua Presença Amorosa e Atenta à cada um de nós.

Se tivermos que nos confrontar com algo que possa nos abalar, permaneceremos serenos e mais fortalecidos; prontos para lidarmos com o que surgir se assim agirmos.

Em tudo vivermos e situarmos Nele acima de tudo.


Finalização de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos

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