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Degraus do Amor

Atualizado: 21 de jul.

  
Pintura religiosa em estilo barroco mostrando a escada mística da alma. Um monge sobe uma escada de pedra em direção a Jesus e Maria, que aparecem no topo envoltos em luz celestial e rodeados por anjos. Na base da escada há símbolos de penitência — crânio, vela apagada e coroa de espinhos — contrastando com chamas ao fundo. A imagem representa a ascensão espiritual descrita por São João da Cruz, o caminho da alma que busca o infinito.


O PRIMEIRO degrau faz a alma enfermar proveitosamente porque nela a alma morre ao pecado e a todas as coisas que não são de Deus.


O SEGUNDO degrau faz a alma buscar Deus sem cessar.


O TERCEIRO degrau da escala amorosa é o que faz a alma agir e que lhe dá calor e ardor para não pecar. Sobre isto diz o salmista: “Feliz quem teme o Senhor e se entusiasma com Seus mandamentos”. (Sl 11,1) Considera pequenas as grandes obras que faz pelo Amado, as que são muitas considera poucas.


O QUARTO degrau é o constante sofrimento sem se cansar.


O QUINTO degrau de amor impele a alma para desejar e cobiçar a Deus impacientemente.


O SEXTO degrau faz a alma correr com ligeireza para Deus e tocá-Lo muitas vezes e, sem desfalecer, corre pela esperança. O amor a fez tão forte que a leva a voar com ligeireza. A propósito deste degrau diz Isaías: “Os que esperam no Senhor renovam suas forças, abrem asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem desfalecer.” (Is 40, 31).


O SÉTIMO degrau desta escada torna a alma atrevida e com veemência. É o que diz o Apóstolo: "A caridade tudo crê, tudo espera e tudo pode." (1Cor 13, 7). Os que alcançaram este grau conseguem de Deus o que Lhe pedem com gosto: “Será o Senhor tua delícia e te dará o que pede o teu coração”.


O OITAVO degrau de amor leva a alma a agarrar e segurar sem largar o amado, como diz a esposa: “Encontrei o amor de minha alma; agarrei-o e não mais o soltarei.”(Ct. 3, 4).


O NONO degrau faz a alma arder suavemente. Este é o degrau dos perfeitos, que ardem suavemente, porque o Espírito Santo produz neles este ardor suave e deleitoso, consequência da união que têm com Deus.


O DÉCIMO degrau já não é desta vida. O décimo e último degrau desta escada secreta de amor torna a alma totalmente semelhante a Deus, pela clara visão de Deus que em seguida a alma possui imediatamente, pois, havendo chegado nesta vida ao nono grau, ela sai do corpo. Porque estes poucos que o alcançam não entram no Purgatório, pois já estão mais do que purificados pelo amor.


São João da Cruz


Texto transcrito e elaborado por Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos


Síntese do Conteúdo

A Pedagogia Mística do Amor: Análise Teológica dos Degraus da Ascensão Espiritual


Ao meditar profundamente as palavras deste artigo, percebemos que ele não apresenta apenas uma descrição espiritual, mas um verdadeiro itinerário existencial, vivo e profundamente humano. Revela que, quando o amor é autêntico e procede de Deus, ele se torna força transformadora, capaz de conduzir a alma por um processo gradual de maturação interior. Ao avançarmos na reflexão sobre esta escada mística, torna-se evidente que cada degrau desempenha uma função indispensável na pedagogia espiritual delineada por São João da Cruz. Não estamos diante de uma sequência arbitrária, mas de uma estrutura ascensional rigorosa, em que cada etapa prepara, purifica e fortalece a alma para a seguinte, construindo um caminho coerente de crescimento, libertação e união com Deus. O primeiro degrau, onde a alma “enferma proveitosamente” ao morrer ao pecado e a tudo o que não é de Deus, é o fundamento de toda a jornada, sem esta morte inicial, não há espaço interior para o amor divino. O segundo degrau aprofunda essa disposição, fazendo a alma “buscar Deus sem cessar”, aqui, o desejo torna-se motor espiritual, inaugurando uma dinâmica de procura contínua que impede a estagnação. O terceiro degrau acrescenta calor e ardor, dando força para agir e não pecar, é o momento em que a alma começa a transformar o desejo em obras, considerando pequenas as grandes ações feitas por amor e poucas as que são muitas, sinal de que o amor já relativiza o esforço humano. O quarto degrau introduz o sofrimento constante “sem se cansar”, que não é destruição, mas purificação profunda. Este sofrimento é pedagógico: fortalece, amadurece e prepara a alma para um amor mais estável. O quinto degrau intensifica o desejo, levando a alma a “cobiçar a Deus impacientemente”, aqui, a distância entre a alma e Deus torna-se quase insuportável, revelando que o amor já tomou posse do centro da pessoa. O sexto degrau descreve uma alma que “corre com ligeireza para Deus”, tocando-O muitas vezes e correndo pela esperança sem desfalecer, é o momento em que o amor se torna força interior, capaz de renovar as energias espirituais, como afirma Isaías: “correm sem se cansar, caminham sem desfalecer”. O sétimo degrau confere ousadia: a alma torna-se “atrevida e com veemência”, sustentada pela caridade que “tudo crê, tudo espera e tudo pode”. Aqui, a confiança em Deus atinge maturidade, permitindo que a alma alcance o que pede, porque o Senhor se torna sua delícia. O oitavo degrau é a posse amorosa: a alma “agarra e não solta mais o amado”, sinal de união estável e profunda. O nono degrau descreve o ardor suave dos perfeitos, produzido pelo Espírito Santo, fruto da união íntima com Deus, aqui, o amor já não é esforço, mas repouso inflamado. Finalmente. O décimo degrau ultrapassa a vida terrena: torna a alma “totalmente semelhante a Deus” pela clara visão que só se alcança ao deixar o corpo e aqueles que chegam a este ponto já não passam pelo Purgatório, pois estão purificados pelo amor.


Assim, cada degrau é indispensável, porque cada um realiza uma transformação específica e necessária: morte ao pecado, desejo, ação, purificação, ardor, esperança, ousadia, união, perfeição e finalmente visão. Esta estrutura revela uma antropologia espiritual coerente, em que o amor é força ascensional que educa, purifica e diviniza. Por isso, ao concluir esta análise, deixo-te um convite, não permaneças apenas na contemplação intelectual desta escada. Permite que ela se torne caminho real na tua vida. Sobe com coragem, degrau por degrau, e deixa que os ensinamentos deste artigo moldem o teu coração até que o amor te conduza plenamente ao encontro de Deus.


Finalização e aperfeiçoamentos de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos


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