Como ajudar as almas do Purgatório: 7 maneiras segundo a Igreja
Quando alguém querido morre, ficamos com uma pergunta no coração: o que podemos fazer por essa pessoa? A Igreja responde com ternura e com clareza. Podemos rezar, oferecer a Santa Missa, fazer obras de caridade e obter indulgências em favor dos defuntos. Este artigo reúne sete maneiras de ajudar as almas do Purgatório, explicadas à luz do Catecismo da Igreja Católica e dos documentos da Igreja sobre as indulgências. Se quiser primeiro perceber o que é o Purgatório, leia Que é o Purgatório.

O que a Igreja ensina: podemos ajudar os defuntos
O Catecismo da Igreja Católica diz que «os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu» (n.º 1030).
E a Igreja acrescenta que os vivos podem ajudar: «Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos, oferecendo sufrágios em seu favor, particularmente o Sacrifício eucarístico para que, purificados, possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também a esmola, as indulgências e as obras de penitência a favor dos defuntos» (n.º 1032). Sufrágio é uma oração ou uma obra boa oferecida por quem morreu.
A razão é a comunhão dos santos. Entre os que já estão no Céu, os que se purificam e os que ainda caminham na terra existe, diz o Catecismo, «um constante laço de amor e uma abundante permuta de todos os bens» (n.º 1475). Por isso o nosso amor e a nossa oração chegam aos defuntos. Não sabemos de que modo nem quando Deus acolhe cada oração. Confiamos na Sua misericórdia.

Sete maneiras de ajudar as almas do Purgatório
1. Oferecer a Santa Missa pelos defuntos
É o sufrágio que o Catecismo destaca: «particularmente o Sacrifício eucarístico» (n.º 1032). A Penitenciaria Apostólica recorda o ensino do Concílio de Trento: as almas do Purgatório são ajudadas pelos sufrágios dos fiéis e, especialmente, pelo sacrifício do altar. Pode pedir ao sacerdote que celebre uma Missa pela intenção de um falecido. Se não puder, assista à Santa Missa e ofereça-a pela mesma intenção, recebendo a Sagrada Comunhão com as devidas disposições. Para viver melhor a Missa, leia Os benefícios da Missa e Dez dicas para participar frutuosamente da Santa Missa.
2. Rezar o terço (Rosário) pelas almas
Oferecer o terço pelos defuntos é um costume muito amado. A Igreja liga uma indulgência à oração do Rosário e ela pode ser aplicada aos defuntos. Segundo o Manual das Indulgências (concessão 48), a indulgência é plenária se o Rosário se rezar numa igreja ou oratório, em família, numa comunidade religiosa ou numa associação piedosa. Noutras circunstâncias é parcial.
Para a plenária, o Manual pede o seguinte:
Basta rezar o terço, isto é, cinco dezenas, mas as cinco dezenas devem ser rezadas seguidas.
A oração vocal deve ser acompanhada da meditação dos mistérios.
Na recitação em público anunciam-se os mistérios, segundo o costume do lugar. Na recitação privada, basta juntar a meditação dos mistérios à oração.
Valem também as condições habituais descritas no ponto 4: confissão, comunhão e oração nas intenções do Papa.
Para rezar com mais fruto, leia Como rezar bem o Rosário ou Terço e Os mistérios do Rosário.
3. Fazer a Via-Sacra (no Brasil, Via Sacra)
Acompanhar Jesus no caminho da Cruz é também uma oração muito própria para quem sofre e para quem já partiu. Segundo o Manual das Indulgências (concessão 63), a indulgência é plenária para quem fizer piedosamente o exercício da Via-Sacra, e pode ser aplicada aos defuntos. Para a plenária, o Manual pede o seguinte:
Fazer o exercício diante das catorze estações da Via-Sacra, devidamente erigidas, com as suas cruzes e, como é costume, as imagens ou quadros.
O exercício costuma constar de catorze leituras devotas, a que se juntam algumas orações. Pede-se a meditação piedosa da Paixão e Morte do Senhor, sem ser preciso meditar o mistério de cada estação.
Deslocar-se de uma estação para outra. Se a Via-Sacra for pública e não for possível que todos se desloquem em ordem, basta que quem a dirige se desloque, ficando os outros nos seus lugares.
Quem estiver legitimamente impedido pode ganhar a indulgência com a leitura e a meditação piedosa da Paixão e Morte do Senhor durante algum tempo, por exemplo um quarto de hora.
Outros exercícios piedosos aprovados, que recordem a Paixão e Morte do Senhor e tenham catorze estações, valem do mesmo modo.
Valem também as condições habituais descritas no ponto 4: confissão, comunhão e oração nas intenções do Papa.
4. Obter indulgências pelos defuntos
O Catecismo explica: «A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada». É «parcial ou plenária, consoante liberta parcialmente ou na totalidade da pena temporal devida ao pecado», e «o fiel pode lucrar para si mesmo as indulgências [...], ou aplicá-las aos defuntos» (n.º 1471). Os fiéis defuntos «também são membros da mesma comunhão dos santos», por isso podemos ajudá-los «obtendo para eles indulgências» (n.º 1479).
Na prática, a Igreja pede o seguinte (Constituição apostólica Indulgentiarum doctrina, de Paulo VI, 1967). Para uma indulgência plenária é preciso fazer a obra prescrita, confessar-se, comungar, rezar nas intenções do Papa (basta um Pai-Nosso e uma Ave-Maria) e ter o coração livre de todo o apego ao pecado, mesmo venial. A confissão, a comunhão e a oração pelo Papa podem fazer-se em dias diversos, antes ou depois da obra, mas convém que a comunhão e a oração se façam no mesmo dia. Só se pode ganhar uma indulgência plenária por dia. Quando falta alguma condição, a indulgência é apenas parcial.
Uma nota importante: antigamente falava-se em indulgências de tantos dias ou anos. Desde 1967 a Igreja deixou essa contagem e fala apenas de indulgência parcial e de indulgência plenária. Por isso, hoje, não se diz que uma oração dá este ou aquele número de dias. Para saber mais, leia As indulgências e o Purgatório e Indulgência plenária.
5. Oferecer obras, sofrimentos e esmolas
O Catecismo recomenda «a esmola» e «as obras de penitência» a favor dos defuntos (n.º 1032), e pede ao cristão que aceite as provações da vida como uma graça, aplicando-se à oração, às obras de misericórdia e à penitência (n.º 1473). Pode oferecer pelas almas os pequenos sacrifícios do dia, uma dificuldade vivida com paciência, uma esmola ou um gesto de caridade em memória de alguém. Quem não se sentir capaz de o fazer sempre pode começar por pouco: uma semana, a Quaresma ou o mês de novembro.
6. Rezar o oferecimento do Sangue Preciosíssimo
É uma devoção antiga, de origem privada, e não uma oração oficial da Igreja. Muitos fiéis rezam-na em união com as Missas celebradas em todo o mundo:
«Eterno Pai, eu Vos ofereço o Preciosíssimo Sangue de Vosso Divino Filho Jesus, em união com todas as Missas que hoje são celebradas em todo o mundo, por todas as santas almas do Purgatório, pelos pecadores de todo o mundo, pelos pecadores da Igreja universal, pelos de minha casa e pelos meus vizinhos. Ámen (no Brasil, Amém)».
7. Viver o mês de novembro: Finados e a visita ao cemitério
A 2 de novembro a Igreja celebra a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (Dia de Finados). O Manual das Indulgências, que reúne as concessões da Igreja, prevê duas indulgências plenárias que só podem ser aplicadas às almas do Purgatório. A primeira é a de 2 de novembro, para quem visitar piedosamente uma igreja ou um oratório e aí rezar o Pai-Nosso e o Credo (pode ganhar-se também no domingo anterior ou seguinte, ou na solenidade de Todos os Santos, segundo as normas do Manual). A segunda é a de quem visitar devotamente um cemitério e rezar pelos defuntos, mesmo só em pensamento, de 1 a 8 de novembro, uma por dia. Nos outros dias do ano, a visita ao cemitério dá uma indulgência parcial. Em todas valem as condições habituais descritas no ponto 4. Convém confirmar sempre se a Penitenciaria Apostólica deu alguma indicação especial para o ano.

Ajudar também os vivos: a caridade que aproxima de Deus
Rezar pelos defuntos faz-nos olhar também para os vivos. A Igreja reza para que ninguém se perca, porque «Deus quer que todos se salvem» (1 Tm 2,4, citado no Catecismo, n.º 1058). Não nos cabe dizer quem se salva, pois só Deus conhece o coração de cada um. Cabe-nos rezar, dar testemunho e ter caridade.
São Tiago termina a sua carta com este convite: «aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados» (Tg 5,19-20, Bíblia Ave Maria). Como o viver no dia a dia?
Rezar por quem se afastou da fé, em silêncio e com esperança.
Dar bom exemplo em casa, no trabalho e na paróquia.
Aconselhar com mansidão e respeito, sem discutir nem julgar.
Partilhar bons livros, artigos e programas de rádio que ajudem a conhecer a fé, como os que encontra neste blog e na Cidade Radio.
Convidar alguém a ir consigo à Missa.
Mensagem final
Rezar por quem partiu é um ato de amor que a Igreja nunca deixou de recomendar. Neste mês de novembro, que cada Missa, cada terço e cada visita ao cemitério sejam um gesto de esperança e de saudade entregue a Deus. E que nos lembremos de rezar também uns pelos outros, para que um dia nos encontremos todos na alegria do Céu.
Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso. Brilhe para eles a luz perpétua. Descansem em paz. Ámen (no Brasil, Amém).






Comentários