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AMAR O AMOR


A outra verdade, de que a alma desejosa de progredir na vida de amor deve estar intimamente convencida é que Jesus só nos pede a nós, pobres criaturas - que amemos.

Do mesmo modo que todas as relações entre o Criador e a criatura se compendiam na palavra de São Paulo: "Vivo na fé do Filho de Deus que me amou" (Gl 2,20), assim também todas as relações entre a criatura e o Criador se resumem naquela outra palavra do Evangelho: "Amarás o Senhor teu Deus" (Mt 22,37).


Amor por amor. O máximo que a criatura Lhe pode dar já é seu e Ele pode retomá-lo à Sua vontade, até mesmo a vida. Mas o amor, não; na terra, o amor é livre e a criatura pode recusá-lo. Mas Deus quer esse amor e exige-o; até dele fez o objetivo da criação do homem; proclamou-o como primeiro mandamento, de cuja observância depende a obtenção da vida eterna (cf. Mt 12). E quer esse amor inteiro, íntegro: quer ser amado com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com toda a força. E para ter o nosso amor desceu do Céu, fazendo-Se homem. Mas não Lhe bastou; fez-Se mendigo aos pés da criatura: "Dá-Me de beber!" (Jo 19, 28).


O pedido divino, sempre vivo, ao longo de vinte séculos na voz do Evangelho, tornou-se depois mais premente com a revelação a santa Margarida Maria Alacoque, intensificou-se ainda mais no século XX, através de não poucas manifestações misericordiosas (22). E, no entanto, quantas almas sinceramente desejosas de chegar até Deus, se perdem inquietas e afadigadas por caminhos difíceis, enquanto a vida direita, fácil e segura está diante delas: o amor! Quantas outras, desejosas de se consagrar a Deus, são arrastadas pelo medo de austeridades ignoradas, como se o Esposo Divino tivesse mais sede do nosso sangue do que do nosso amor!


Mas não é assim! Jesus só pede amor à Irmã Consolata, apesar de ela pertencer a uma das mais severas Ordens claustrais; portanto, só amor poderia fazer o resto. As expressões: "Ama-Me apenas"; "ama-Me sempre"; "ama-Me muito;" "nada mais te peço que amor"; que surgem na páginas do seu diário relativamente às lições divinas, são repetidas centenas de vezes. É um convite contínuo, insistente e também comovente do Criador, sedento do amor da Sua criatura. Como não o encontra na maior parte dos homens e não o recebendo na sua integridade mesmo de muitas das almas que lhe estão consagradas, Ele vai mendigá-lo às almas pequeninas que compreendem melhor o anseio do Coração Divino e sabem corresponder-Lhe. De fato, Jesus dizia à Irmã Consolata (15 de Outubro de 1935): "Tenho sede de ser amado por corações inocentes, corações de crianças, corações que Me amem totalmente."


Pede-o a estas almas para que, através delas, alastre por todo o mundo (13 de Outubro de 1935): "Consolata, ama-Me por todas e cada uma das minhas criaturas, por todas e cada coração que existe. Tenho tanta sede de amor!"

Exatamente aquela sede de amor que cada coração humano deveria ter ao Criador sente-a pelo amor à criatura (9 de Novembro de 1935): "Ama-Me Consolata! Tenho sede do teu amor, como quem morre sequioso tem sede e deseja uma fonte de água fresca."


E esta sede de amor é tal e tanta que Ele chega a dizer à Irmã Consolata (3 de Novembro de 1935): "Consolata, escreve - porque te imponho por obediência - que, por um ato de amor, Eu criaria o Paraíso!"

Segundo o que a Escritura, os Padres e a Teologia ensinam, cada alma em estado de graça é um Templo, o Trono e o Céu de Deus. Então que dizer da alma que não só vive no amor, mas também vive de amor? Jesus dizia a Santa Margarida Alacoque: "Minha filha, gosto tanto dos desejos do teu coração que, se Eu não tivesse instituído o Meu divino Sacramento de amor, institui-lo-ia por teu amor, para ter o prazer de estar na tua alma e poder repousar de amor no teu coração". Eis o que Ele diz à Irmã Consolata (29 de Outubro de 1935): "És o meu pequeno Paraíso; uma Comunhão tua recompensa-Me de tudo o que sofri para te procurar, para ter-te e para te possuir. Mas, Jesus, eu não sei dizer-Te nada! - Não importa; mas o teu amor é Meu, exclusivamente Meu; e o que quero Eu das minhas pobres criaturas senão o seu Coração? Do resto, nada Me interessa, pois quando um coração é Meu, exclusivamente Meu, então este coração torna-se para Mim um Paraíso! E o teu coração é Meu, é já eternamente Meu!"


Agora compreendem-se bem as insistências divinas, para que a Irmã Consolata se unisse ao amor incessante, à oração incessante pela chegada do reino de amor no mundo. Assim, a 16 de Dezembro de 1935:

"Consolata, pede perdão para a pobre humanidade culpada; pede que sobre ela triunfe a minha Misericórdia; mas, sobretudo, pede, oh!, pede que seja incendiada pelo amor divino que, como novo Pentecostes, redima a humanidade de tanta sujidade.

Oh! Só o amor divino pode fazer que apóstatas se tornem apóstolos; lírios enlameados, lírios imaculados; pecadores repetentes e cheios de vícios, troféus de misericórdia!

Pede-me o amor, o triunfo do Meu amor para ti e para cada alma na terra que agora existe e que existirá até ao fim dos séculos.

Com a oração incessante, prepara o triunfo do Meu coração, do Meu amor sobre toda a terra!"


Noutra ocasião, insistindo no mesmo conceito, Jesus usava as palavras de Santa Teresinha: "Ó Jesus, porque não consigo dizer a todas as almas pequeninas como a Tua condescendência é inefável?" e acrescentava (27 de Novembro de 1935): "Consolata, conta ás almas pequeninas, a todos, a minha condescendência inefável; diz ao mundo quanto Eu sou bom e materno e que em troca só peço amor. Podes contar isso, Consolata, fala da minha extrema misericórdia e extrema condescendência materna."

O amor: eis o fogo que Jesus veio trazer à terra e quer que arda em cada coração (15 de Dezembro de 1935): "Oh! Se Eu pudesse descer a cada coração e derramar em vós em torrentes as ternuras do Meu coração!... Consolata, ama-Me por todos e, com a oração e a tua imolação, prepara no mundo o advento do Meu amor!"


Jesus quer salvar o mundo, mas o mundo também deve voltar para Jesus. Com Ele a paz na tranquilidade da ordem, sem Ele a anarquia e a ruina.

E para voltar a Jesus? Um único caminho, tanto para as almas como para as nações: “O amor”. É toda a lei, todo o Cristianismo. No cumprimento deste único preceito, que abrange Deus e o próximo, está a salvação: "Faz isso e viverás" (Lc 10, 28). Nestes últimos séculos, por um lado, o protestantismo e, por outro, o jansenismo, foram extinguindo pouco a pouco este fogo no coração do Cristianismo, e mataram-no, pelo menos em muitas almas. A máscara de um Cristianismo reduzido unicamente á fé e ao temor, gelaram os corações, afastou-os de Deus, conduzindo-os progressivamente ao indiferentismo, ao ceticismo, ao ateísmo e ao paganismo.

Portanto, para voltar a Jesus é necessário voltar ao Evangelho, àquele que Jesus depositou no seio da Igreja Católica e que ela tem constantemente defendido e ensinado: o Evangelho do amor e da caridade.

Crer no Evangelho é crer no Amor; praticar o Evangelho é amar.

Pe. Lorenzo Sales - "O Coração de Jesus ao Mundo"


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