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A VIRTUDE DA ORDEM

É importantíssimo termos ordem para tudo em nossas vidas.

Existe um tempo para tudo e se nos organizarmos para cada coisa, tudo fluirá melhor e o tempo estará á nossa favor, ou seja, as nossas ações terão uma melhor qualidade e pouparemos energia para todos os afazeres.

Deus deve estar em primeiro lugar, desde que levantamos até antes de adormecermos, com um bom exame de consciência e uma oração final para este dia que passou.

Abaixo segue um texto do Padre Francisco Faus que, aborda muito bem sobre esta importante Virtude para que melhor desempenhemos as nossas ações no dia a dia.


Relação entre a prudência e a ordem


1. Meditando sobre a prudência, prestemos atenção à duas breves frases do Catecismo, que nos ajudarão a entrar no tema da ordem: «É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena a sua conduta seguindo este juízo» (n. 1806).

Antes, o Catecismo afirma que é próprio da prudência «discernir o nosso verdadeiro bem e escolher os meios adequados para realizá-lo».

Grifei decide e ordena. São atitudes que se entendem bem meditando estas palavras de Jacques Leclecq: «O problema da ordem é um problema fundamental na vida do homem. No universo, cada coisa está no seu lugar; tudo se encadeia na ordem imutável das leis cósmicas. O homem também está no seu lugar, um lugar sinalizado pelas leis divinas - leis morais - que não admitem mudança. Mas o homem, ao mesmo tempo deve tomar a iniciativa de ocupar o seu lugar. Deve assumir o seu lugar, porque é livre, ou seja, deve orientar pessoalmente a sua vida».


A virtude da ordem consiste precisamente em decidir-se livremente a "pôr a vida em ordem" e a empregar os "meios adequados" para tanto. É uma virtude que apresenta

várias dimensões. Vamos considerá-las a seguir.


2. A) A ordem dos valores


É a principal. Qual é a hierarquia dos valores - das prioridades - na minha vida?

Depende dos meus ideais. Sem um «ideal profundo, que só se descobre à luz de Deus - dizia São Josemaría - , sem ideais bem determinados, capazes de orientar a vida inteira, nasce um estado de desorientação, de ansiedade ou até de desânimo. O remédio - custoso como tudo o que tem valor - está em procurar o verdadeiro centro da vida humana, aquilo que pode dar uma hierarquia, uma ordem e um sentido a tudo».


«Se, vivendo em Cristo - acrescenta - , tivermos nEle o nosso centro, descobriremos o sentido da missão que nos foi confiada, teremos um ideal humano que se torna divino, novos horizontes de esperança se abrirão à nossa vida» (Questões atuais do Cristianismo, n. 88).


Numa perspetiva cristã, a hierarquia certa dos valores é:


  • Em primeiro lugar, Deus ("amar a Deus sobre todas as coisas").

  • Em segundo lugar, os outros (a justiça, o amor, a caridade com o próximo).

  • Em terceiro lugar, "eu" (meus interesses meramente pessoais ou egoístas).


Se algum de nós descobre que a "ordem real" da sua vida é muito diferente dessa que acabamos de mencionar, pense que deve fazer uma profunda revisão do seu modo de pensar e de viver.


B) A ordem dos deveres.


Quando há ordem nos valores, enxerga-se bem a ordem dos deveres. Em princípio, os nossos deveres podem-se resumir nos seguintes:


1.- Deveres para com Deus

2. - Deveres familiares

3. - Deveres profissionais


3.- Deveres sociais (de serviço e caridade para com o próximo, de responsabilidade cívica, etc.).


Como estão organizados e harmonizados estes deveres na nossa vida prática? Não é verdade que alguns deles estão hipertrofiados, e outros - talvez bem mais importantes

- estão atrofiados (como a religião, a educação dos filhos, o serviço aos necessitados, o

apostolado...)?


Revise as suas hipertrofias e as suas atrofias. Há vidas que parecem - como já víamos acima - uma espécie de "monstro" de filme de desenho animado: uma mão enorme (excessiva dedicação profissional) e a outra diminuta (falta de tempo para o convívio de marido e mulher); uma perna ágil e veloz (para correr atrás do dinheiro, de um jogo do nosso time ou de uma balada), e outra perna raquítica (paralisada para a prática religiosa, para a formação cristã, para a solidariedade e o coleguismo...).


Vida em ordem é, portanto, uma existência em que estão bem hierarquizados os valores e, de acordo com eles, os deveres. Mas, para viver esse ideal, além da consciência do dever e das boas intenções, é preciso «escolher os meios adequados para realizá-lo» (Catecismo, n. 1806). É o que vamos ver no seguinte item.


C) A ordem no tempo


A desordem no planejamento dos horários, o deixar-se arrastar pela inércia ou pela agitação no emprego do tempo, acaba agredindo os valores e transtorna os deveres.

Alguém já disse que o tempo é de borracha, no seguinte sentido: o mesmo tempo rende duas vezes mais nas mãos de uma pessoa organizada, que nas de uma pessoa confusa e desordenada nos seus horários.


Pode ajudá-lo meditar estes dois pontos do livro Caminho:


«Se não tens um plano de vida, nunca terás ordem» (m. 76)

«Quando tiveres ordem, multiplicar-se-á o teu tempo» (n. 80)


É preciso organizar-se. Precisamos ter um plano, uns horários bem pensados, onde cada dever encontre seu melhor momento e sua duração certa, de modo que se possam cumprir adequadamente todos eles. Uns exigirão mais tempo, outros menos, mas quanto menos tempo possamos dedicar, maior qualidade deveremos procurar.


A pessoa que "quer" de verdade consegue essa harmonia, porque a ordem no aproveitamento do tempo depende mais da sinceridade do coração ("eu quero mesmo"),

do que da capacidade técnica de organização. E, além disso, sempre precisamos ter

fortaleza para vencer a preguiça e superar o cansaço e o capricho.


Dentre os possíveis tipos de ordem na distribuição do tempo, vejamos qual é o nosso:


1) A ordem defensiva


Há pessoas que fazem da ordem um armadura de defesa pessoal. São muito organizadas. Aproveitam bem o tempo. Mas o seu esquema é intocável.

Fabricaram para si uma espécie de trilho de aço, por onde deslizam mecanicamente, e

não toleram que nada nem ninguém interfira com os planos, tão egoístas e tão cômodos

que planejaram. A ordem pode ser uma barricada defensiva para ter a vida mais tranquila: "não me interrompam, não me perturbem, não mexam comigo", "não veem que estou ocupado?".


2) A ordem oblativa (a que se planeja para servir)


Em confronto com a ordem defensiva, está a ordem oblativa (que se dá, que se oferece). É a distribuição e organização do tempo pensada para poder dar-nos mais e melhor ao que vale a pena: aos ideais, aos deveres e ao bem dos demais. As pessoas de ideias e coração grande procuram praticar essa ordem, porque querem fazer o melhor - especialmente quando oferecem seu trabalho a Deus - e dar-se sempre mais aos outros.


Por isso, quando fora da ordem prevista se apresenta a conveniência de fazer coisas de mais valor, por Deus ou pelo próximo, a alma generosa não hesita: sai do seu trilho e atende a esses apelos da caridade com alegria. Está convencido de que esses planos que Deus lhe apresenta inesperadamente, ainda que alterem os seus, são os melhores, e por isso não se queixa falando de interferências, sobrecargas ou perturbações, por mais que alterem a "sua" ordem.


D) A ordem material


Todas as vezes que dizemos: "Onde é que eu pus esses documentos, onde é que deixei a minha pasta, onde ficou a passagem de avião, onde está o meu RG...?" estamos verificando que a desordem nas coisas materiais interfere, atrasa e, às vezes, dá cabo da organização bem preparada dos nossos planos.


Vale a pena refletir também sobre isso, e lembrar-nos de que "esquecer" - fora os casos de memória alterada - costuma ser um reflexo da preguiça de pensar e de ter ordem, da mania de deixar as coisas para a última hora: pagamentos atrasados, atualizações esquecidas, compromissos atropelados, prazos vencidos, viagens perdidas, etc.


Além disso, não esqueçamos que a ordem material está ligada à virtude da caridade, pois é evidente que poupa trabalho e desgostos aos que convivem connosco e aos que colaboram no nosso trabalho profissional.


Questionário sobre a ordem


- Compreendo que ter a vida em ordem não consiste só em levar uma vida honesta e regrada, mas em ter uma vida que se ajuste, em tudo, à Vontade de Deus?


-Tenho clara, na cabeça e no coração, a ordem de prioridades que deve haver na minha vida? Em primeiro lugar, Deus ("amar a Deus sobre todas as coisas"). Em segundo lugar, os outros (a justiça, o amor, a caridade). Em terceiro lugar, "eu" (os objetivos, finalidades e anseios meramente interesseiros).


- Dou o valor, a dedicação e o tempo necessários a todos e cada um dos meus deveres? Fico satisfeito por cumprir apenas alguns deles - por exemplo, os deveres do trabalho -, ao mesmo tempo que descuido deveres importantes para com Deus, ou no tocante à formação dos filhos e o serviço ao próximo?


-Sou acomodado e rotineiro no cultivo da minha formação cristã, da vida espiritual, da luta pelas virtudes? Que meios concretos vou empregar para me empenhar nesse esforço?


- Vejo claramente quais são as minhas principais omissões? Estou disposto a lutar com um plano ordenado, paciência e constância para superá-las?


- Perco o tempo por desordem, por falta de reflexão, deixando de lado alguns deveres importantes, enquanto me envolvo em coisas secundárias?


- Dedico o tempo necessário à vida espiritual, à formação, à família, procurando preparar e manter um plano que garanta os momentos adequados para cumprir esses deveres?


-Sou consciente de que, sem um plano de vida diário, com horários bem estudados e definidos, a minha vida será uma coleção inútil de desejos ineficazes de ser um bom cristão?


-Sinto a necessidade de parar todos os dias uns minutos, para me recolher na presença de Deus e meditar, e assim ordenar as ideias, preparar os planos e hierarquizar as tarefas?


- Faço o que devo, hoje e agora, sem medo de enfrentar tarefas desagradáveis ou custosas, consciente de que Deus me espera no cumprimento do pequeno dever de cada momento?


Introdução de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos


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