Ser católico
- Conteúdos Católicos

- 26 de mai. de 2022
- 6 min de leitura
Atualizado: há 15 minutos

Se eu não fosse Católico...
Se eu não fosse Católico e estivesse procurando a verdadeira Igreja no mundo de hoje, eu iria em busca da única Igreja que não se dá muito bem com o mundo. Em outras palavras, eu procuraria uma Igreja que o mundo odiasse. Minha razão para fazer isso seria que, se Cristo ainda está presente em qualquer uma das igrejas do mundo de hoje, Ele ainda deve ser odiado como o era quando estava na terra, vivendo na carne.
Se você tiver que encontrar Cristo hoje, então procure uma Igreja que não se dá bem com o mundo. Procure por uma Igreja que é odiada pelo mundo como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure pela Igreja que é acusada de estar desatualizada com os tempos modernos, como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e nunca ter aprendido. Procure pela Igreja que os homens de hoje zombam e acusam de ser socialmente inferior, assim como zombaram de Nosso Senhor porque Ele veio de Nazaré. Procure pela Igreja, que é acusada de estar com o diabo, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, príncipe dos demônios.
Procure a Igreja que em tempos de intolerância (contra a sã doutrina,) os homens dizem que deve ser destruída em nome de Deus, do mesmo modo que os que crucificaram Cristo julgavam estar prestando serviço a Deus.
Procure a Igreja que o mundo rejeita porque ela se proclama infalível, pois foi pela mesma razão que Pilatos rejeitou Cristo: por Ele ter se proclamado a si mesmo A VERDADE. Procure a Igreja que é rejeitada pelo mundo assim como Nosso Senhor foi rejeitado pelos homens. Procure a Igreja que em meio às confusões de opiniões conflitantes, seus membros a amam do mesmo modo como amam a Cristo e respeitem a sua voz como a voz do Seu Fundador.
E então você começará a suspeitar que se essa Igreja é impopular com o espírito do mundo é, porque ela não pertence a esse mundo e uma vez que pertence a outro mundo, ela será infinitamente amada e infinitamente odiada como foi o próprio Cristo. Pois só aquilo que é de origem divina pode ser infinitamente odiado e infinitamente amado. Portanto, essa Igreja é divina.
Arcebispo Fulton J. Sheen
Texto transcrito e elaborado por Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos e finalização de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos
✅ Síntese do Conteúdo
A Existência Cristã Entre a Cruz e a Esperança
Ser católico, à luz da fé, significa participar ontologicamente do Mistério de Cristo. Não se trata apenas de aderir intelectualmente a um conjunto de verdades, mas de ser enxertado, pelo Batismo, no Corpo d’Aquele que é a Verdade em pessoa. A identidade católica não nasce de uma escolha cultural, mas de uma configuração sacramental, é Cristo quem imprime em nós a forma da Sua própria vida, de modo que já não pertencemos a nós mesmos, mas Àquele que nos resgatou.
Por isso, a Igreja não é uma realidade acessória à fé, mas o seu lugar constitutivo. Não existe Cristo sem Corpo, nem cristão sem Igreja. A comunhão eclesial não é um sentimento, mas uma realidade objetiva, fundada na sucessão apostólica, na unidade da fé e na celebração dos sacramentos. Ser católico é reconhecer que a economia da salvação é eclesial por natureza e que a graça chega a nós através de mediações visíveis, históricas, concretas, mediações que o mundo rejeita porque não tolera a encarnação.
A resistência do mundo à Igreja, portanto, não é um acidente sociológico, mas uma consequência teológica. A mesma lógica que levou Cristo à cruz continua operante, a luz incomoda as trevas, a verdade desinstala a mentira, a caridade desmascara o egoísmo. A Igreja é perseguida não quando falha, mas quando é fiel; não quando se dilui, mas quando se mantém íntegra; não quando se adapta ao espírito do tempo, mas quando o confronta com o Evangelho.
Ser católico é aceitar, que a fé possui uma dimensão martirial. O martírio não é apenas derramamento de sangue, mas a disposição permanente de perder privilégios, reputação e segurança por causa de Cristo. É o testemunho que nasce da convicção de que a verdade não é negociável e de que a caridade não é opcional. O católico autêntico sabe que a cruz não é um acidente da vida cristã, mas o seu princípio estruturante.
Ao mesmo tempo, ser católico é viver na certeza de que a Igreja, apesar de suas feridas, permanece indefectível. A sua santidade não depende da perfeição moral de seus membros, mas da presença do Espírito Santo que a sustenta, purifica e conduz. A Igreja é santa porque Cristo é santo; é una porque Cristo é uno; é católica porque Cristo é universal; é apostólica porque Cristo age através daqueles que Ele enviou. A fidelidade à Igreja não é um peso, mas uma participação na própria fidelidade de Deus.
Por fim, ser católico é compreender que a fé não se reduz a uma ética, a uma visão de mundo ou a um conjunto de valores. A fé é uma adesão pessoal e total a Cristo, que transforma a inteligência, purifica os afetos, ordena os desejos e orienta a vida inteira para o Reino. É uma forma de existir, uma maneira de estar no mundo sem ser do mundo, uma vocação a irradiar a presença de Deus no cotidiano.
E talvez seja precisamente isso que o mundo não suporta, que exista um povo que vive de uma esperança que não nasce da política, de uma verdade que não depende de consensos, de uma caridade que não busca reciprocidade. Um povo que, mesmo frágil, permanece de pé porque sabe que a história pertence ao Cordeiro imolado.
Conclui‑se, portanto, que ser católico é entrar no dinamismo próprio da fé apostólica, uma fé recebida, guardada e transmitida, nunca inventada. É reconhecer que a Igreja não é obra humana que possa ser remodelada ao gosto das épocas, mas mistério divino que atravessa a história como sacramento universal de salvação. A identidade católica nasce da iniciativa de Deus, que nos incorpora ao Corpo de Cristo e nos faz participantes da Sua missão de reconciliar todas as coisas.
Neste horizonte, a vida cristã não se reduz a um esforço moral, mas é resposta à graça que nos precede e sustenta. A fidelidade à Igreja com sua doutrina, sua liturgia, sua disciplina e sua missão, não é um peso exterior, mas a forma concreta pela qual Cristo continua a plasmar em nós a Sua própria vida. A obediência eclesial, tão incompreendida pelo mundo, é na verdade o lugar onde a liberdade se purifica e se realiza, porque nos liberta da tirania do eu e nos insere na comunhão dos santos.
Ser católico é, enfim, viver na tensão fecunda entre o “já” e o “ainda não”: já pertencemos a Cristo, mas ainda caminhamos rumo à plenitude; já participamos da vida divina, mas ainda carregamos a fragilidade da condição humana; já somos cidadãos do Céu, mas ainda somos enviados ao mundo como testemunhas. É nesta tensão que se revela a grandeza da vocação cristã, permanecer firmes na verdade, perseverar na caridade e avançar na esperança, sabendo que a vitória não é fruto de estratégias humanas, mas da fidelidade Daquele que prometeu estar conosco até o fim dos tempos.
Assim, ser católico não é apenas uma identidade religiosa, mas uma forma de existir, é deixar que Cristo seja o centro, a medida e o sentido de tudo. É viver na Igreja, com a Igreja e para a Igreja, porque nela encontramos o Cristo total — Cabeça e membros — que nos conduz à vida eterna, é precisamente esta certeza que sustenta o coração do crente; a Igreja permanece, porque Cristo permanece; e quem permanece n’Ele jamais caminha sozinho.
✨ Oração final:
Senhor Jesus Cristo,
Filho eterno do Pai e Cabeça da Igreja,
nós Te bendizemos porque nos chamaste, sem mérito algum,
a participar do Teu Corpo e da Tua missão.
Concede-nos a graça de viver como verdadeiros católicos:
firmes na fé recebida, dóceis à Tua Palavra,
fiéis à Igreja que fundaste e sustentaste com o Teu Sangue.
Purifica o nosso olhar para que vejamos na Igreja
não um peso humano, mas o Teu Mistério vivo;
não uma instituição entre outras,
mas o sacramento da Tua presença no mundo.
Dá-nos um coração humilde para acolher a verdade,
corajoso para testemunhá-la
e perseverante para vivê-la até o fim.
Fortalece-nos, Senhor,
quando a fidelidade exigir renúncia,
quando a verdade provocar rejeição,
quando a caridade pedir sacrifício.
Que a cruz, longe de nos assustar,
seja para nós sinal de pertença e de esperança,
pois sabemos que quem caminha Contigo
nunca caminha sozinho.
Conduze-nos, Espírito Santo,
à santidade que nasce da obediência,
à liberdade que brota da verdade,
à alegria que floresce na comunhão.
Faz de nós testemunhas luminosas,
capazes de irradiar no mundo
a beleza da fé católica
e a certeza de que Cristo vive e reina.
E que Maria, Mãe da Igreja,
nos ensine a guardar, meditar e viver tudo o que ouvimos,
para que, ao final da nossa peregrinação,
possamos contemplar, face a face,
Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
Amém.
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