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Os Sacramentos da Igreja

  • há 10 horas
  • 8 min de leitura
Pintura religiosa em estilo barroco mostrando Jesus Cristo ao centro, vestido com túnica branca e manto vermelho, segurando um cálice dourado com uma hóstia luminosa acima dele. Sobre Cristo, o Espírito Santo em forma de pomba irradia luz entre nuvens e anjos, enquanto Deus Pai observa do alto. Ao redor, aparecem cenas dos sete sacramentos: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio, representados por sacerdotes, bispos e fiéis em ação. No primeiro plano, objetos litúrgicos como Bíblia aberta, crucifixo, anéis e vasos sagrados reforçam o simbolismo da vida sacramental da Igreja.

1. CONCEITO. — Em primeiro lugar, deve-se saber que, como diz Agostinho, o sacramento é um sinal sagrado, ou sinal de uma coisa sagrada. Ora, existiram na antiga Lei alguns sacramentos, isto é, sinais de coisas sagradas, como o cordeiro pascal e outros sacramentos legais, que somente significavam a graça de Cristo, mas não a causavam. Eis por que o Apóstolo os chama “rudimentos fracos e pobres” (Gl 4, 9): são pobres porque não continham a graça; e fracos, porque não podiam conferir a graça. Os sacramentos da nova Lei, no entanto, contêm e conferem a graça. Neles, com efeito, “a virtude de Cristo, sob o manto de coisas visíveis, opera secretamente a salvação”, como diz Agostinho. É por isso que o sacramento da nova Lei “é forma visível da graça invisível”, de modo que é semelhança e causa dela. Assim, a ablução que se faz na água do Batismo representa a purificação interior dos pecados, que se realiza pela virtude do Batismo.


2. NÚMERO. — São sete os sacramentos da nova Lei, a saber:

Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema Unção,

Ordem e Matrimônio: dos quais os primeiros cinco se ordenam à perfeição do indivíduo em si mesmo, ao passo que os outros dois, ou seja, a Ordem e o Matrimônio, se ordenam à perfeição e multiplicação de toda a Igreja.


3. FUNÇÃO. — De fato, a vida espiritual é conforme à vida corporal. Ora, na vida corporal, o homem se aperfeiçoa primeiro por geração, pela qual nasce neste mundo; em segundo lugar, por crescimento, pelo qual alcança quantidade e vigor perfeito; em terceiro, por alimento, que sustenta a vida e as forças do homem. E estas coisas lhe seriam suficientes, se nunca lhe sucedesse ficar doente; mas dado que o homem frequentemente adoece, ele precisa, em quarto lugar, de cura.


a) Assim é na vida espiritual. Em primeiro lugar, precisa o homem de regeneração, que é produzida pelo Batismo, segundo aquilo: “Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3, 5).


b) Em segundo, é necessário que o homem receba uma virtude

perfeita, como que por certo crescimento espiritual, pelo sacramento

da Confirmação, à semelhança dos Apóstolos, que o Espírito Santo, ao descer sobre eles, confirmou. Eis por que o Senhor lhes disse: “Permanecei na cidade (de Jerusalém), até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24, 49).


c) Em terceiro lugar, é necessário que o homem seja espiritualmente

nutrido pelo sacramento da Eucaristia, segundo aquilo: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6, 53).


d) Em quarto, é necessário que o homem seja curado espiritualmente pelo sacramento da Penitência, segundo aquilo: “Senhor, sarai-me, porque pequei contra Vós” (Sl 40, 5).


e) Em quinto lugar, o homem é, a um tempo, curado corporal e espiritualmente pelo sacramento da Extrema Unção, segundo aquilo: “Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá.

Se ele cometeu pecados, lhe serão perdoados” (Tg 5, 14-15).


Quanto à utilidade comum da Igreja, estão ordenados dois sacramentos, a saber: a Ordem e o Matrimônio. Pois, f ) pela Ordem, a Igreja é governada e propagada espiritualmente, enquanto que, g) pelo Matrimônio, ela é propagada corporalmente.


4. SEMELHANÇAS, MATÉRIA E FORMA. — Entretanto, deve-se considerar que estes sete sacramentos têm algo em comum e algo próprio <a cada um deles>. É, pois, comum a todos os sacramentos o conferirem a graça, como se disse. Também é comum a todos eles o consistirem em palavras e coisas corporais, assim como em Cristo, que é o autor dos sacramentos, o Verbo Se fez carne (cf. Jo 1,14). E assim como a carne de Cristo foi santificada e tem o poder de santificar pelo Verbo ao qual está unida, assim também os elementos materiais (res) dos sacramentos são santificados e têm o poder de santificar pelas palavras que neles se proferem. Eis por que Agostinho diz: “Junta-se a palavra ao elemento, e faz-se sacramento”. Assim sendo, as palavras pelas quais são santificados os sacramentos chamam-se formas dos sacramentos; as coisas, porém, santificadas chamam-se matérias dos sacramentos, tal como a água é matéria do Batismo e o crisma, da Confirmação.


5. VALIDADE E FRUTO. — Requer-se também em qualquer

sacramento a pessoa do ministro que celebre o sacramento com

a intenção de o conferir e fazer o que faz a Igreja: e se falta algum

destes três <requisitos>, isto é, se a) não se guarda a devida forma das palavras, ou b) se não houver a devida matéria, ou c) se o ministro do sacramento não tiver a intenção de celebrar o sacramento, não se realiza o sacramento. Impede-se também

o efeito do sacramento pela culpa de quem o recebe como, por

exemplo, no caso de alguém achegar-se com simulação (fictus)

e não preparado interiormente para receber o sacramento. Tal

pessoa, ainda que receba o sacramento, não recebe, porém, o

efeito do sacramento, isto é, a graça do Espírito Santo, porque,

como está dito: “A sabedoria não entrará na alma perversa” (Sb

1, 5). Ao contrário, há quem ainda não tenha recebido um sacramento, mas colhe o efeito do sacramento graças à devoção

que tem ao sacramento, seja em voto, seja em desejo.


6. DIFERENÇAS. — Por outro lado, existem algumas coisas que são próprias de alguns sacramentos. Pois alguns deles imprimem caráter, isto é, certo selo espiritual distinto dos demais, como no sacramento da Ordem ou no sacramento do Batismo, e no sacramento da Confirmação: e tais sacramentos nunca se repetem sobre a mesma pessoa. Nunca, com efeito, deve ser novamente batizado quem já foi batizado; nem novamente confirmado quem já foi confirmado; nem novamente ordenado quem já foi ordenado: porque o caráter que se imprime nestes sacramentos é indelével.


Nos outros sacramentos não se imprime caráter em quem os recebe, e por isso podem ser repetidos quanto à pessoa que recebe, mas não quanto à matéria. Assim, pode um mesmo homem confessar-se várias vezes, receber várias vezes a Eucaristia, receber várias vezes a Extrema Unção, contrair Matrimônio diversas vezes (desde que viúvo); mas não pode a mesma hóstia ser consagrada várias vezes, nem o mesmo óleo dos doentes deve ser benzido várias vezes.


Existe ainda outra diferença, na medida em que alguns sacramentos

são necessários à salvação, como o Batismo e a Penitência, que foram instituídos para purificar os pecados, e sem eles não pode o homem ser salvo. Outros sacramentos, porém, não são necessários à salvação, porque sem eles pode haver salvação, a não ser <que se deixe de os receber> por desprezo ao sacramento.


Santo Tomás de Aquino


Texto transcrito e elaboração textual de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos


Síntese do Conteúdo

Os Sacramentos: Fontes Vivas da Graça e Caminho Seguro de Santificação


A doutrina dos sacramentos ocupa lugar central na vida cristã, porque neles se manifesta a condescendência amorosa de Deus, que desce até nós por meio de sinais visíveis para comunicar a graça invisível. Desde os primeiros séculos, a Igreja reconheceu nos sacramentos não apenas ritos sagrados, mas verdadeiros instrumentos pelos quais Cristo continua a agir no mundo, santificando as almas e edificando o seu Corpo místico. A compreensão profunda desses mistérios é essencial para quem deseja viver plenamente a fé, pois eles acompanham o cristão desde o nascimento espiritual até a entrada na eternidade. A seguir, desenvolve-se uma reflexão contínua que aprofunda a natureza, a ação e a finalidade dos sacramentos, prolongando e iluminando o ensinamento já exposto.


Os sacramentos, instituídos por Cristo, não são fruto de invenção humana nem simples expressões simbólicas da fé, mas realidades eficazes nas quais o próprio Senhor vinculou a comunicação da graça. Ele, que conhecia a fragilidade da natureza humana, quis que a salvação chegasse a nós por meio de sinais sensíveis, capazes de tocar os sentidos e elevar o espírito. Assim como na Antiga Aliança Deus educou o Seu povo por meio de figuras e ritos que prefiguravam a obra futura, na plenitude dos tempos o Verbo Encarnado elevou esses sinais à dignidade de instrumentos vivos da graça. Por isso, a Igreja afirma que os sacramentos são necessários à salvação, não porque Deus esteja limitado a eles, mas porque Cristo assim determinou, estabelecendo-os como meios ordinários pelos quais a graça deve ser recebida. Negligenciá-los é, portanto, negligenciar a própria vontade do Salvador.


Em cada sacramento, é Cristo quem age. O ministro é instrumento; Cristo é o autor. Quando o sacerdote batiza, absolve, consagra ou unge, é o próprio Cristo quem realiza a obra invisível por meio da palavra e do gesto visível. A eficácia do sacramento não depende da santidade do ministro, mas da fidelidade da Igreja ao que Cristo instituiu. Essa verdade confere grande segurança aos fiéis e ao mesmo tempo, grande responsabilidade aos ministros, chamados a agir in persona Christi e a guardar com reverência aquilo que lhes foi confiado.


Embora os sacramentos tenham eficácia própria, é indispensável que quem os recebe esteja devidamente disposto. A graça não encontra entrada onde há obstáculo voluntário. Assim, os sacramentos produzem graça pelo próprio rito realizado, mas o fruto depende das disposições interiores do fiel. Quem se aproxima com fé, humildade e arrependimento recebe abundantemente; quem se aproxima com tibieza recebe pouco; quem se aproxima em pecado grave, quando o sacramento exige estado de graça, fecha a porta à ação divina e comete sacrilégio. Por isso, a Igreja insiste na preparação adequada, catequese para o Batismo, instrução para a Confirmação, exame de consciência para a Penitência, recolhimento e jejum para a Eucaristia, discernimento para o Matrimônio e para a Ordem. Quanto mais pura a alma, mais livremente a graça age.


A economia sacramental revela a misericórdia de Deus, que conhece a nossa condição sensível e frágil. Ele não quis salvar-nos apenas por inspirações interiores, mas por sinais concretos que falam à nossa humanidade, a água que lava, o óleo que fortalece, o pão que alimenta, a palavra que absolve, o toque das mãos que consagra. Os sacramentos são remédio contra o pecado, força contra a tentação, luz para a inteligência, fogo para a vontade, cura para as feridas, alimento para a alma, selo para a missão e vínculo para a comunhão. Acompanham o cristão desde o renascimento espiritual até a hora da morte, sustentando-o em todas as etapas da vida sobrenatural.


Cristo confiou os sacramentos à Igreja, e somente ela possui autoridade para administrá-los, guardá-los e interpretá-los. Não cabe ao indivíduo alterar sua forma, matéria ou significado. A Igreja, assistida pelo Espírito Santo, é a dispensadora dos mistérios de Deus, e por isso determina quem pode administrar cada sacramento, estabelece normas para sua celebração, protege sua integridade e garante que a graça seja comunicada conforme Cristo instituiu. A fidelidade da Igreja aos sacramentos é fidelidade ao próprio Cristo.


Por fim, os sacramentos não são apenas remédios para o tempo presente, mas prenúncios da glória futura. Eles apontam para o destino último da alma, o Batismo antecipa a vida eterna, a Eucaristia é penhor da ressurreição, a Penitência prepara para o juízo, a Extrema Unção fortalece para a passagem, a Ordem e o Matrimônio edificam a Igreja que será consumada no Céu. Toda a vida sacramental é, portanto, uma caminhada rumo à visão beatífica. Os sacramentos são sementes de eternidade plantadas no tempo, sinais visíveis da promessa invisível que Deus deseja cumprir plenamente em cada alma.


Que estas verdades sobre os sacramentos despertem em nós um renovado amor pela vida da graça e uma sincera decisão de caminhar segundo aquilo que Cristo nos deixou como herança viva. Diante de tantos dons que o Senhor confiou à Sua Igreja, não permaneçamos indiferentes nem deixemos que a rotina ou o esquecimento nos afastem das fontes onde Ele mesmo nos espera. Cada sacramento é um encontro real com o Salvador, um toque da Sua misericórdia, um convite à conversão e à santidade. Por isso, deixemo-nos conduzir pela luz da fé, aproximemo-nos com reverência e confiança, e permitamos que a graça transforme aquilo que ainda resiste em nós. Quem acolhe os sacramentos com coração humilde experimenta a força que vem do alto e aprende a viver segundo o Evangelho. Assim, convido você a guardar estes ensinamentos, a meditá-los com serenidade e a colocá-los em prática com fidelidade, para que a sua vida se torne um reflexo cada vez mais claro da presença de Cristo no mundo. Que cada passo dado na direção dos sacramentos seja também um passo rumo à plenitude da vida que Deus deseja para você.


Finalização e aperfeiçoamentos de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos


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