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O sentido da penitência

A penitência, geralmente falando, é um arrependimento pelo qual se rejeita e se detesta o pecado cometido, com a resolução de reparar, quanto possível, a ofensa e injúria feita àquele a quem se ofendeu. E incluo na penitência o propósito de reparar a ofensa porque o arrependimento não detesta assaz o mal quando deixa subsistir voluntariamente o seu principal efeito, que é a ofensa e a injúria; e deixa-a subsistir quando, podendo de alguma forma repará-la, o não faz.

Não falo aqui da penitência de muitos gentios, os quais, segundo o testemunho de Tertuliano, algumas aparências dela tiveram entre eles, mas era tão frívola e vã que até às vezes faziam penitência por haverem praticado o bem.

Refiro-me só à penitência virtuosa, que é de diferentes espécies conforme os diversos motivos de que procede. Há sem dúvida uma penitência que é puramente moral e humana, como foi a de Alexandre, o Grande, que, tendo assassinado o seu caro Clito, quis deixar-se morrer de fome, tamanho foi o seu arrependimento, diz Cícero.

E também a de Alcibíades, quando, convencido por Sócrates de que não era sábio, se pôs a chorar amargamente, triste e aflito, por não ser o que devia ser, diz Santo Agostinho. Por isso, Aristóteles, reconhecendo esta espécie de penitência, assevera que o desregrado, que de caso pensado se entrega às sensualidades, «é completamente incorrigível, porque não poderá arrepender-se, e o que não faz penitência é incurável».


Certamente, Séneca, Plutarco e os Pitagóricos, que recomendam tanto os exames de cons-

ciência, e principalmente o primeiro, que fala tão vivamente da perturbação que o remorso interior excita na alma, compreenderam sem dúvida que havia um arrependimento; e o sábio Epicteto descreve tão bem a censura que devemos praticar para com nós mesmos que quase não se poderia dizer melhor. Há ainda uma outra penitência que é certamente moral, conquanto seja também religiosa e de alguma maneira divina, visto que procede do conhecimento natural que se tem de haver ofendido a Deus, pecando; porque, na verdade,

muitos filósofos souberam que era coisa muito agradável à Divindade o viver virtuosamente e que, por conseguinte, a ofendiam vivendo no vício.

O filósofo Epicteto forma o desejo de morrer como verdadeiro cristão (como é muito provável o haja realizado), e, entre outras coisas, diz, que se daria satisfeito se pudesse, ao morrer, levantar as mãos para Deus e dizer-lhe: «Pela minha parte, não vos causei desonra»; além disto, quer que o sábio faça a Deus um juramento solene de jamais desobedecer à sua divina Majestade, nem de censurar ou murmurar de coisa alguma que aconteça por sua ordem, nem de se queixar seja do que for; e noutro lugar ensina que Deus e o «nosso bom Anjo» veem as nossas ações.

Vê, pois, Teotimo, como este filósofo, ainda então gentio, conhecia que o pecado ofendia a

Deus, do mesmo modo que a virtude o honrava; e por conseguinte queria que se arrependessem do mal que houvessem feito, pois que até ordenava que se fizesse à noite o exame de consciência.


Ora, esta espécie de arrependimento ligado ao conhecimento e amor de Deus, que a natureza pode ministrar, era uma dependência da religião moral; mas, como a razão natural deu mais ciência do que amor aos filósofos, que não glorificaram a Deus na proporção do conhecimento que d'Ele tiveram, a natureza forneceu mais luz para fazer compreender quanto Ele era ofendido pelo pecado do que ardor para excitar o arrependimento exigido para a reparação da ofensa.

Porém, ainda que a penitência religiosa tivesse, de alguma sorte, sido reconhecida por alguns dos filósofos, este conhecimento foi tão fraco e tão raro que os que de entre eles gozaram reputação de mais virtuosos, isto é, os estoicos, asseguraram que o homem sábio nunca se entristecia; e desta opinião fizeram uma máxima tão contrária à razão, quanto a proposição em que a fundavam era contrária à experiência, a saber: que o homem sábio não pecava.

Podemos, pois, afirmar, meu caro Teotimo, que a penitência é uma virtude inteiramente

cristã, visto que foi tão pouco conhecida entre os gentios e por tal forma reconhecida entre os vendadeiros cristãos que nela consiste uma grande parte da filosofia evangélica, segundo a qual todo aquele que diz que não peca é mentiroso, e todo aquele que julga remediar o seu pecado sem fazer penitência é louco; porque a exortação das exortações de Nosso Senhor era esta: Fazei penitência.


Eis uma breve descrição do progresso desta virtude. Começamos por uma profunda apreensão de que, tanto quanto em nós cabe, ofendemos a Deus com os nossos pecados, desprezando-o e desonrando-o, desobedecendo-lhe e revoltando-nos contra Ele; o qual também por sua parte se considera ofendido, irritado e desprezado, reprovando, rejeitando e abominando a iniquidade. Desta verdadeira apreensão nascem muitos motivos, que, ou todos ou parte deles ou cada um em particular, podem levar-nos ao arrependimento.

Umas vezes consideramos que Deus, por ser ofendido, estabeleceu um castigo rigoroso no inferno para os pecadores e que os privará do Paraíso preparado para os que são bons. Ora, como o desejo do Paraíso é extremamente apreciável, também o temor de o perder é bom e digno de louvor.

Ah!, quem não temerá tão grande perda e tão grande sofrimento! E estes dois temores, um servil e outro mercenário, nos excitam a arrepender-nos dos pecados, que foram a causa de neles havermos incorrido, e por isso este temor nos é muitas vezes intimado nas sagradas letras.


Outras vezes consideramos a fealdade e malícia do pecado, segundo a fé no-lo ensina, como por exemplo: que pelo pecado a imagem e semelhança de Deus, que existe em nós, é manchada e desfigurada; a dignidade do nosso espírito desonrada; que nos tornamos semelhantes aos animais irracionais; que transgredimos os nossos deveres para com o Criador do mundo e perdemos a felicidade da sociedade dos anjos, para associar-nos

e sujeitar-nos ao demónio, tornando-nos escravos das nossas paixões; que subvertemos a ordem da razão e ofendemos os nossos bons anjos, a quem somos tão obrigados.

Outras vezes ainda, somos provocados à penitência pela beleza da virtude que nos dá tantos bens quantos os males que nos causa o pecado e, depois, a ela somos excitados pelo exemplo dos santos; pois quem poderá jamais contemplar os exercícios da incomparável penitência da Madalena, de Maria Egipcíaca ou dos penitentes do mosteiro denominado Prisão, descrito por João Clímaco, sem mover-se ao arrependimento dos

seus pecados, quando a leitura só da sua história a ela induz os que não enlouqueceram de todo.




A penitência é necessária na nossa vida virtuosa, pois nos ajuda mais a nos centrarmos em Deus, por nossa própria conversão e santidade, assim como das outras pessoas.

Não basta a oração e os sacramentos para nos elevarmos a graus mais altos, mas também devemos dar valor á penitência.

Aliada ao jejum, nos submete à uma vida de mais ardor e nos garante uma constância e firmeza mais fortes na vida espiritual.

Existem vários tipos de penitências que cada um pode praticar e devemos escolher aquelas que melhor se enquadrem à nossa saúde e disposição.

São de suma importância numa vida católica autêntica e convém que na medida do possível, pratiquemos por alguma intenção ou intenções que aumentarão ainda mais o sentido e nos capacitarão alcançarmos muitas bençãos e a perfeição de vida.


Finalização de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos



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1 comentario


Fatima Delgado
Fatima Delgado
08 dic 2023

Estão de parabéns pelo site, quando li este artigo fiquei com vontade de ler outros. Gosto de ouvir o áudio do texto, pois que posso fazer outras coisas. 😘


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