GLÓRIAS VÃS DO MUNDO
- Conteúdos Católicos

- 27 de jun. de 2022
- 6 min de leitura
Atualizado: há 2 dias

Quem ama a Jesus Cristo só a Ele ambiciona
"A caridade não é ambiciosa". Quem ama a Deus, não anda à busca de afeição das pessoas. Seu único desejo é estar bem com Deus, o único objeto de seu amor. Escreve Santo Hilário que as honrarias deste mundo são negócios do demônio. É isso mesmo, porque ele negocia para o inferno quando introduz na alma os desejos de estima. Perdendo a humildade, qualquer pessoa se coloca em risco de abraçar todos os males.
Deus, ao dar Suas graças, abre Sua mão aos humildes e a fecha aos orgulhosos: Deus resiste aos orgulhosos, isto é, nem sequer escuta suas orações.
Entre os atos de orgulho, certamente um é este: ambicionar a afeição dos homens e tornar-se vaidoso com as honras recebidas deles.
Muito espantoso foi o exemplo de Frei Justino. Ele tinha adquirido um grande grau de conhecimento de Deus, mas possivelmente ou certamente alimentava dentro de si o desejo de ser estimado pelo mundo. Eis o que lhe aconteceu. Um dia, o Papa Eugênio IV mandou chamá-lo. Pela fama que tinha de sua santidade, recebeu-o com muitas honras, abraçando-o e fazendo com que se assentasse junto dele. Depois deste fato. Frei Justino encheu-se de vaidade, de tal forma que São João Capistrano lhe disse: 'Frei Justino, você foi lá como um anjo e voltou como um demônio'. De fato, crescendo dia a dia em seu orgulho, pretendendo ser tratado como julgava merecer, chegou até a matar um frade com um punhal. Depois perdeu a fé e morreu, apóstata, numa prisão.
Por isso, quando ouvimos ou lemos que caíram certos cedros do Líbano, um Salomão, um Tertuliano, um Osio, é sinal que eles não se deram totalmente a Deus. É sinal que interiormente alimentavam em si sentimentos de orgulho e por isso caíram.
Tremamos de medo, portanto, quando sentirmos aparecer em nós qualquer desejo de aparecer e de ser estimado pelo mundo. Quando as pessoas nos homenagearem, cuidado para não nos comprazermos nessas honras. Elas poderão ser a causa de nossa ruína.
Vida oculta
Cuidemo-nos especialmente de andar buscando pequenas honras. Dizia Santa Teresa: 'Onde há pequenos pontos de honra, não haverá espírito interior'.
Muitas pessoas dizem ter vida espiritual, mas idólatras da estima própria. Mostram exteriormente certas virtudes, mas ambicionam ser louvadas por tudo o que fazem e quando não há ninguém que as louve, louvam-se a si mesmas. Procuram, enfim, parecer melhores do que os outros e, se por acaso alguém as machuca em algum ponto de honra, perdem a paz, deixam de comungar, abandonam todas as suas devoções. Não ficam sossegadas enquanto não lhes parecer que readquiririam a fama perdida.
Aqueles que amam a Deus de verdade não fazem assim. Fogem de falar em seu próprio louvor, não se comprazem nas palavras elogiosas que lhe dizem. Longe de tudo isso, eles se entristecem com tais elogios e se alegram quando são desprezados pelas pessoas.
Dizia S. Francisco de Assis: 'Sou aquilo que sou diante de Deus'. Que valor ser estimado pelas pessoas deste mundo, se diante de Deus somos nada? Ao contrário, o que importam os desprezos do mundo, se somos agradáveis e queridos aos olhos de Deus?
Escreveu S. Agostinho: 'O elogio do adulador não cura a má consciência; nem as injúrias de quem ofende ferem a consciência boa'. Dessa forma, quem nos louva não nos livra do castigo de nossas más ações e quem nos condena não nos tira o merecimento de nossas boas ações.
Dizia S. Teresa: 'Que nos importa sermos julgados como culpados pelas pessoas, tidos por ordinários, se diante de Deus somos grandes e inocentes?'. Os santos desejavam viver desconhecidos e desconsiderados por todos. Escreve São Francisco de Sales: 'Que mal as pessoas nos fazem quando tem uma fraca opinião de nós, se nós mesmos a devemos ter? Talvez saibamos que somos maus e pretendemos que os outros nos tenham por bons?'
Vida Simples
Como é segura a vida escondida para aqueles que querem amar de todo o coração a Jesus Cristo! Jesus mesmo nos deu o exemplo disso, vivendo desconhecido e desprezado durante trinta anos numa oficina. Por isso os santos, fugindo à estima dos homens, foram viver nos desertos e nas grutas. Dizia S. Vicente de Paulo: 'O gosto de aparecer, de ser elogiado, o desejo de que seja louvado o comportamento, de que se diga que somos bem sucedidos e que fazemos maravilhas, é um mal. Fazendo-nos esquecer de Deus, prejudica nossas ações mais santas e torna-se para nós o vício mais pernicioso ao progresso da vida espiritual'.
Aquele, portanto, que quer crescer no amor a Jesus Cristo, precisa fazer morrer em si mesmo o amor à própria estima.
Como se faz morrer a própria estima?
Diz-nos Santa Maria Madalena de Pazzi:
- 'A Vida da própria estima é a boa reputação na qual os outros nos têm. Portanto, a morte da própria estima consiste em nos escondermos para não sermos conhecidos de ninguém. Enquanto não chegarmos a morrer desse modo, não seremos verdadeiros servos de Deus.'
Portanto, para nos fazermos agradáveis aos olhos de Deus, é preciso afastar de nós o desejo de aparecer e de agradar aos outros homens. Principalmente refrear o desejo de dominar os outros. Santa Teresa preferia que o seu mosteiro, com todas as religiosas, fosse devorado pelo fogo, antes que entrasse lá essa maldita ambição. Se, por acaso, uma das suas religiosas pretendesse ser superiora, queria que fosse expulsa do convento ou, no mínimo, encarcerada para sempre. Santa Maria Madalena de Pazzi dizia: 'A honra de uma pessoa desejosa da vida espiritual está em ser colocada depois de todos os outros e em ter horror de ser preferida aos outros. A ambição de uma pessoa que ama a Deus deve ser a de superar a todos na humildade: 'nada fazendo por competição ou vanglória, mas com humildade'.
Resumindo, quem ama a Deus não deve ter outra ambição senão Deus.
Do Livro: A Prática do Amor a Jesus Cristo de Santo Afonso de Ligório
Texto transcrito e elaboração textual de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos
✅ Síntese do Conteúdo
Glórias Vãs do Mundo: A Liberdade de Quem Vive Apenas para Deus
A busca humana por reconhecimento sempre seduziu o coração, mas é justamente nesse ponto que a fé nos chama a um caminho mais profundo. Entre elogios passageiros e expectativas que mudam ao sabor do vento, Deus convida-nos a descobrir um valor que não depende do olhar dos outros, mas do Seu. Este artigo nasce desse confronto interior, o desejo de ser visto pelo mundo e a necessidade de ser encontrado por Deus. Aqui, somos conduzidos a olhar para dentro, a discernir o que realmente sustenta a alma e a reconhecer que a verdadeira grandeza não está na aparência, mas na verdade silenciosa que habita o coração. Quando compreendemos que toda a ambição humana nasce de um coração inquieto, percebemos também que a verdadeira grandeza não está em ser visto, mas em permanecer unido a Deus mesmo quando ninguém nos reconhece.
A alma que busca a estima dos outros acaba inevitavelmente presa às expectativas do mundo, enquanto a alma que se esconde em Deus encontra uma liberdade que nada pode ameaçar. É por isso que os santos insistem tanto na vida interior, porque nela se decide o rumo de todas as outras coisas. Quem vive para agradar a Deus aprende a caminhar com leveza, sem carregar o peso das opiniões alheias, e descobre que a humildade não é humilhação, mas força silenciosa que sustenta tudo.
A vida simples, escondida e silenciosa, tão desprezada pelo mundo, torna-se então o lugar onde Deus molda os Seus amigos. Não é fuga, mas escolha, não é medo, mas amor. A alma que renuncia à vanglória abre espaço para que Deus seja tudo nela e isso transforma até os gestos mais pequenos em atos de grande valor espiritual. A verdadeira ambição do cristão não é ser admirado, mas ser fiel, não é ser aplaudido, mas ser encontrado humilde diante de Deus. E quando essa verdade se enraíza no coração, até os desprezos se tornam ocasião de graça, porque recordam que nada neste mundo é mais precioso do que a amizade divina. Assim, quem deseja crescer no amor precisa vigiar continuamente o próprio coração, reconhecendo que a estima humana é volátil e enganadora, enquanto o olhar de Deus é firme, seguro e eterno. A vida espiritual floresce quando deixamos de medir o nosso valor pelo que dizem de nós e começamos a medir tudo pelo que somos diante de Deus. É nesse ponto que a alma encontra paz: quando já não precisa provar nada a ninguém, porque sabe que é amada por Aquele que vê o escondido. E é justamente aí que nasce a verdadeira liberdade cristã, aquela que não depende de aplausos, cargos, elogios ou títulos, mas apenas da certeza de que Deus basta. Ao contemplarmos a fragilidade das glórias humanas, percebemos que nada é mais libertador do que viver para Aquele que vê o escondido. Quando deixamos de medir o nosso valor pelos aplausos e passamos a medir tudo pelo amor de Deus, o coração encontra finalmente descanso. Que esta reflexão desperte em nós o desejo de uma vida mais simples, mais verdadeira e mais unida ao Senhor, onde cada gesto, por menor que seja, se torne um ato de amor. Que o leitor, ao fechar este artigo, sinta o convite a caminhar com humildade e confiança, escolhendo sempre a glória que permanece: a de Deus.
Finalização e aperfeiçoamentos de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos
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