FAZ TEMPO QUE NÃO CONFESSO
- Conteúdos Católicos

- 11 de jun. de 2022
- 6 min de leitura
Atualizado: há 19 horas

Por meio da confissão não só os pecados são perdoados, mas a graça é dada de volta
«Padre, escrevo para ter um esclarecimento em relação à confissão. Eu me dei conta de que estou em pecado mortal há anos, enquanto pensava que estava tudo bem. Agora gostaria de me confessar, mas surgiu um problema. Da última vez que confessei eu era um menino, passaram vinte anos e pode imaginar quantos pecados acumulei neste tempo. Minha pergunta é: visto que sinto uma vergonha incomensurável para confessar, existe a possibilidade de dizer alguns pecados a um confessor e outros a um outro, ou preciso dizer todos os pecados na mesma confissão? Preciso também especificar, ou basta dizer que caminhei contra aquele mandamento? Um abraço».
Resposta do Sacerdote: «Caro,
1- A confissão não é apenas um sacramento no qual são perdoados os pecados, mas é o sacramento que perdoando os pecados, devolve a graça. A presença da graça é incompatível com a presença do pecado. Até que não confesse todos, não é possível ter a graça. 2 - A graça é um certo esplendor divino que envolve a nossa alma. É uma irradiação de Deus em nós. Entre os seus maiores efeitos está a presença pessoal de Deus no nosso coração. A Sagrada Escritura relembra “a sabedoria (aqui sinônimo de Deus), não entra em uma alma que realiza o mal, nem habita um corpo oprimido pelo pecado” (Sb 1,4). 3 - É verdade que diante de você haverá tantos pecados para confessar. Mas o sacerdote não pode realizar adequadamente sua tarefa de médico e também juiz se não conhecer inteiramente a situação da sua alma. Por isso é necessário confessar todos, ao mesmo confessor, na mesma confissão. Se você ver alguns dos mandamentos, é fácil ver onde você tem pecados graves e confessá-los em um curto espaço de tempo. 4 - Não tenha medo de falar muito ao confessor. Não será a primeira confissão que ele escutará. 5 - Não é necessário descrever os pecados, nem dizer por que e como foram cometidos. O sacerdote, se necessário, fará algumas perguntas e você responderá. Além disso, você não é obrigado a acusar todos os pecados veniais, porque não privam a graça de Deus. 6 - Não é necessário nem mesmo que escreva para lembrar todos. Você dirá aqueles que lembrar após ter feito um bom exame de consciência. Se esquecer algum, este será absolvido junto com os outros. Permanecerá em você o dever de confessá-lo - sem preocupação - em uma confissão posterior, se lembrar. No entanto, permanecendo na graça, poderá comungar. 7 - João Paulo II lembrou que - “a confissão individual e íntegra dos pecados, com a absolvição igualmente individual, constitui o único modo ordinário com o qual o fiel consciente do pecado grave é reconciliado com Deus e com a Igreja” (Riconciliatio et paenitentia, 33). 8 - Logo mais terá a alma finalmente liberta de tantos pecados. Será um verdadeiro renascer. Os santos Padres comparavam o sacramento da Penitência a um novo Batismo. Ao mesmo tempo sairá do confessionário experimentando o que diz o Catecismo da Igreja Católica: levará com você “a paz e a serenidade da consciência junto a uma vivíssima consolação do espírito” (CIC 1468). Tem algo mais lindo que isso no mundo?». Padre Ângelo Frase de Padre Pio: "A confissão que é a purificação da alma, deve ser feita ao menos uma vez por semana. Não é possível manter a alma longe da confissão por mais de sete dias."
Texto transcrito e elaboração textual de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos
✅ Síntese do Conteúdo
Faz Tempo Que Não Confesso: O Retorno à Luz da Misericórdia
A Confissão é um dos sacramentos mais esquecidos do nosso tempo, embora seja justamente aquele no qual Deus não apenas perdoa, mas devolve ao homem a graça perdida. A graça não é um sentimento, nem uma ideia abstrata, é a própria presença de Deus na alma, um esplendor divino que ilumina, fortalece e transforma. Por isso, quando alguém permanece anos sem confessar pecados graves, não vive apenas um afastamento moral, mas uma verdadeira ausência espiritual. A alma, privada da luz, acostuma-se à sombra, acostuma-se a viver sem a força que antes a sustentava. E quando finalmente desperta, percebe que não se trata apenas de pecados acumulados, mas de uma vida que ficou suspensa, sem a amizade de Deus.
Muitos, ao se darem conta dessa realidade, experimentam vergonha, medo ou hesitação. A vergonha, porém, não é sinal de impossibilidade, mas de consciência ainda viva. A alma sente o peso do que fez e teme expor suas feridas, mas esse temor é justamente o indício de que ela reconhece a gravidade do pecado e a necessidade de cura. O confessionário, entretanto, não é um tribunal humano onde se expõem misérias para julgamento, é o lugar onde Cristo, Médico das almas, toca as feridas com misericórdia e verdade. O sacerdote não se escandaliza com pecados antigos, porque sua missão não é admirar quedas, mas aplicar remédios. Para isso, precisa conhecer a situação inteira da alma, razão pela qual a confissão deve ser integral, todos os pecados graves devem ser apresentados ao mesmo confessor, na mesma ocasião, para que ele possa exercer plenamente sua tarefa de médico e juiz, como ensina o artigo que vos trago.
A graça, recorda a Escritura, não habita uma alma entregue ao mal (Sb 1,4). Por isso, enquanto a pessoa não confessa sinceramente seus pecados mortais, permanece privada dessa presença divina que dá sentido, direção e força à vida espiritual. João Paulo II reafirma que a confissão individual e íntegra dos pecados é o único modo ordinário pelo qual o fiel em pecado grave se reconcilia com Deus e com a Igreja. Não há atalhos espirituais, nem substitutos emocionais para esse encontro sacramental. A Confissão é o caminho estabelecido por Cristo, e é por meio dela que a alma renasce.
Não é necessário descrever minuciosamente os pecados, nem narrar circunstâncias desnecessárias. Basta acusá-los com sinceridade, clareza e humildade. O sacerdote fará as perguntas que julgar necessárias e o penitente responde com simplicidade. Também não é preciso recordar tudo com perfeição: após um bom exame de consciência, confessa-se o que se lembra, e aquilo que for esquecido sem intenção será igualmente absolvido, permanecendo apenas o dever de mencioná-lo numa confissão futura, caso venha à memória. O essencial é a disposição interior de conversão e a acusação sincera dos pecados graves.
O retorno à Confissão depois de muitos anos é um verdadeiro renascimento espiritual. Os Padres da Igreja comparavam esse sacramento a um segundo Batismo, porque nele a alma é lavada, restaurada e reintegrada à vida da graça. Quem sai do confessionário experimenta aquilo que o Catecismo descreve como “a paz e a serenidade da consciência, junto a uma vivíssima consolação do espírito”. Essa paz não é psicológica, mas teológica: nasce da reconciliação objetiva com Deus, da restauração da amizade divina e da certeza de que a alma voltou a respirar a vida sobrenatural. É uma paz que o mundo não pode dar.
A Confissão frequente, recomendada por santos como Padre Pio, não é exagero devocional, mas caminho de maturidade espiritual. Confessar-se regularmente impede que o pecado crie raízes, educa a consciência, fortalece a vontade, ilumina o discernimento e mantém a alma desperta para a graça. Quem se confessa com frequência não vive escravizado pelo medo de pecar, mas movido pelo desejo de permanecer unido a Deus. A Confissão torna-se, assim, não apenas remédio para quedas, mas alimento para a perseverança.
Por isso, se faz tempo que você não se confessa, não adie mais. O tempo não cura o pecado; só a graça cura. A vergonha passa, o medo se dissolve, a hesitação se desfaz. O que permanece é a paz profunda que só Deus pode dar. A Confissão não humilha: liberta. Não expõe: cura. Não pesa: renova. E aquele que volta depois de muitos anos não volta apenas para si, mas torna-se testemunha viva de que a misericórdia de Deus é sempre maior do que qualquer queda, e de que nunca é tarde para recomeçar.
Finalização do Artigo e aperfeiçoamentos de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos
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