A perda da salvação é um mal sem remédio
- Conteúdos Católicos

- 8 de jun. de 2022
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Atualizado: há 1 dia

O negócio da salvação eterna é não somente o negócio mais importante, o negócio único; é além disso o negócio irreparável. "Não há falta que se possa comparar à do descuido da salvação eterna" diz Santo Eucherio. Para todos os outros males há remédio. Perdidos os bens, podem-se adquirir outros; perdido o emprego, pode-se obtê-lo de novo; ainda no caso de se perder a vida, contanto que se salve a alma, está tudo reparado. Só o condenado não tem remédio. - Morre-se uma vez; e perdida a alma uma vez, está perdida para sempre: Só lhe esta gemer eternamente no inferno com os outros infelizes insensatos. Ali o pesar maior que os atormenta, é o pensar que para eles acabou o tempo de remediar seus males: Finita est aestas, et nos salvati on sumus - O estio fundou-se e nós não fomos salvos.
Pergunte a esses sábios do mundo, que já estão mergulhados no abismo do fogo, perguntai-lhes que pensam hoje, e se estão contentes por terem feito fortuna na terra, agora que estão condenados a uma prisão eterna. Ouvi o que respondem, gemendo: Ergo erravimus a via veritatis - Assim nos desencaminhamos da estrada da verdade. - Mas para que lhes serve reconhecerem o erro, já que não há mais remédio para a sua eterna condenação?
Qual não seria o pesar de um homem que, tendo podido com pequena despesa acudir ao desabamento de sua casa, a encontrasse um dia em ruínas, e pensasse em sua negligência, quando não havia mais remédio? Muito maior é a pena que os réprobos sentem, pensando que perderam a alma e se condenara por sua própria culpa: A tua perdição, ó Israel; tantummodo in me auxilium tuum - A tua perdição, ó Israel, toda vem de ti; só em mim está o teu auxílio. Ó céus! Qual não será o desprezo de um cristão, no momento em que cair no inferno, quando, vendo-se encerrado nesse lugar de tormentos, refletir na sua descrença e reconhecer que por toda a eternidade não haverá meio de há reparar! Assim, dirá ele, perdi a alma, o paraíso e Deus; perdi tudo para sempre; e como? Por minha própria culpa!
Cum metu et tremore vestram salutem operamini - Com temor e tremor empenhai-vos na obra de vossa salvação. Meu irmão, avivemos a nossa fé, que tanto o inferno como céu são eternos; lembremo-nos que um ou outro nos caberá por sorte. Este grande pensamento nos encherá de medo e nos fará evitar as ocasiões de ofendermos a Deus e empregar os meios necessários para alcançarmos a salvação. Quem não treme pelo temor de se perder, não se salvará. - Façamos sobretudo por adquirir uma devoção verdadeira para com a Santíssima Virgem, e examinemos frequentes vezes se porventura estão ardendo no inferno, por terem deixado de honrar a grande Mãe de Deus!
Ah Senhor, como é possível que, sabendo que pelo pecado me condenava uma eternidade de penas, Vos tenha ofendido tantas vezes e perdido a vossa graça? Sabendo que sois meu Redentor, morto na cruz para minha salvação, como pude voltar-Vos tantas vezes as costas por um desprezível prazer? Meu Senhor, pesa-me sobre todos os males de Vos ter assim ofendido, e quisera morrer de dor. Agora amo-Vos sobre todas as coisas, de hoje em diante sereis o meu único bem, o meu único amor, e antes quero perder tudo, antes que perder mil vezes a vida, do que perder a vossa amizade.
Rogo-Vos, meu Jesus, não me repilais de Vossa presença, como bem merecia; tende piedade de um pecador que volta arrependido aos vossos pés e Vos quer amar muito, porque muito Vos ofendeu. Que seria de mim, se me tivésseis deixado morrer quando estava na Vossa inimizade? Ó Senhor, já que tivestes tamanha piedade de mim, dai-me força para Vos ser sempre fiel e me santificar. Espero-O pelos Vossos merecimentos. Espero-O também pela Vossa intercessão, ó grande Mãe de Deus e minha Mãe Maria.
Santo Afonso de Ligório
Texto transcrito e elaborado por Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos
✅ Síntese do Conteúdo
Quando a Alma Corre Perigo: Um Chamado Urgente à Salvação
Estimado leitor, antes de tudo, deixo que estas palavras se abram como uma porta que o chama a despertar, porque poucas perdas na vida são tão graves quanto a perda da própria alma, reconhecer essa verdade é o primeiro passo para não caminhar adormecido rumo a um destino que jamais poderá ser desfeito. O artigo que acabaste de ler, insiste com força e clareza, que a salvação eterna é o único assunto verdadeiramente decisivo da existência, porque tudo o que se perde neste mundo pode ser recuperado, como os bens, trabalho e até a própria vida, mas a alma, uma vez perdida, não volta mais. Santo Euchério afirma que nenhuma falta se compara ao descuido da salvação, o artigo desenvolve essa verdade mostrando que os condenados sofrem sobretudo por perceberem que o tempo de remediar já passou, que o “estio findou-se e nós não fomos salvos” (Jeremias 8:20). Eles reconhecem que se desviaram da estrada da verdade, mas esse reconhecimento já não lhes serve de nada, porque não há mais remédio para a eternidade que escolheram. A reflexão avança com imagens fortes: o homem que poderia ter evitado o desabamento da própria casa com um pequeno esforço e por negligência, vê tudo arruinado sem possibilidade de reparação. Assim é a dor dos réprobos, que percebem que a sua perdição veio deles mesmos, que perderam a alma por culpa própria. O artigo insiste que o cristão que cai no inferno reconhecerá, com horror, que perdeu Deus, o paraíso e a própria alma por sua própria escolha e que essa perda é eterna. Por isso, São Paulo exorta: “Com temor e tremor empenhai-vos na obra da vossa salvação”. O artigo recorda-nos que tanto o céu como o inferno são eternos e que um dos dois nos caberá inevitavelmente, essa consciência deve despertar santo temor, afastar-nos das ocasiões de pecado e mover-nos a buscar os meios necessários para alcançar a salvação. Entre esses meios, destaca-se a verdadeira devoção à Santíssima Virgem, lembrando que muitos se perderam por não a honrarem devidamente. Devem ter notado, que certa altura, a reflexão converte-se numa oração de arrependimento sincero e ardente, o pecador reconhece a sua dor verdadeira, ter ofendido tantas vezes o Senhor, mesmo sabendo que cada pecado o afastava da graça e o conduzia a uma eternidade de penas. Confessa que Cristo, seu Redentor, morreu na cruz para lhe alcançar a salvação, e ainda assim, escolheu voltar-Lhe as costas por prazeres frágeis e indignos. Tomado de contrição, declara pesar-se de todas as ofensas e promete amar a Deus sobre todas as coisas, disposto a perder tudo e até a própria vida, antes de perder novamente a amizade divina. Implora que Jesus não o rejeite, suplica misericórdia e reconhece que, se tivesse morrido em estado de inimizade, estaria para sempre perdido. Por fim, pede força para permanecer fiel, alcançar a santidade e perseverar no caminho da salvação, confiando inteiramente nos méritos de Cristo e na intercessão maternal da Santíssima Virgem. Por isso, ao concluir esta reflexão, deixo que estas palavras ressoem como um chamado vivo ao coração, que este artigo não seja apenas conhecimento, mas um despertar. Se a perda da alma é um mal sem remédio, então é agora e não num amanhã incerto, que cada um deve rever a própria vida, abandonar o pecado, cultivar a devoção, buscar a graça e escolher conscientemente o caminho que conduz à eternidade feliz. Que o leitor se deixe tocar por este apelo e responda com firmeza, porque a salvação é um dom oferecido por Deus, mas também uma decisão que se assume com toda a existência.
Finalização e aperfeiçoamentos de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos
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