Quanto a Concupiscência
- Conteúdos Católicos

- 18 de jun. de 2025
- 7 min de leitura
Atualizado: há 6 horas

Os Dez Mandamentos do Mundo e seu Verdadeiro Significado, Segundo S. Luís Maria Grignion de Montfort
1º - Conhecer o mundo, isto é, estar a par das finezas amaneiradas do século e demonstrar esse conhecimento.
2º - Viver honestamente, isto é, contentar-se com aparências de honestidade.
3º - Realizar seus negócios, isto é, tomar o dinheiro por fim último da vida, sem o deixar transparecer.
4° - Conservar o que é seu, isto é, ignorar a caridade, sob pretexto de direito de propriedade, interesses de família, negócios, etc.
5° - Adiantar na vida, isto é, ter ambições, ousadias, conseguir sem mérito pessoal nenhum.
6° - Fazer amigos, isto é, não desdenhar relações de nenhuma espécie, ainda à custa da consciência, para obter os desejosos fins.
7° - Frequentar altas rodas, andar atrás das pessoas eminentes ou em
evidência, a fim de brilhar ao menos com a auréola dos outros.
8° - Viver confortavelmente, isto é, ter boa mesa, com pretexto de
conservar a saúde, manter as relações sociais, tratar de negócios, ou
saborear coisas boas para glorificar o Criador.
9° - Não ser desmancha-prazeres, isto é, cultivar o bom humor mediante toda sorte de prazeres, mesmo culpáveis, embora seja preciso negligenciar os deveres do próprio estado.
10° - Evitar singularidades, isto é, rejeitar a piedade, religião, obras de caridade, todo o "exagero" das pessoas devotas.
A Falsa Sabedoria do Mundo
Deus tem Sua Sabedoria. É a única e verdadeira, que há de ser amada e buscada como um grande tesouro. Mas o mundo corrompido tem igualmente sua sabedoria. E ela deve ser condenada e detestada, como falsa e perniciosa.
A sabedoria do mundo é uma perfeita conformidade com as máximas do mundo; uma contínua tendência para as grandezas e estima; uma busca infatigável e secreta do próprio prazer e interesse próprio, não de maneira grosseira e chocante, em pecados escandalosos, mas de modo elegante, falacioso e político; porque, de outra sorte, já não seria, como diz o mundo, sabedoria, mas libertinagem.
Um sábio do século é um homem que conhece bem seus negócios e
deles sabe tirar todo proveito temporal, sem o dar a perceber; que
conhece a arte de dissimular e enganar finamente, sem que os outros suspeitem; que diz ou faz uma coisa e pensa outra; que nada ignora dos ares e etiquetas mundanas; que a todos se acomoda para seus intentos, sem ponderar muito em honra e interesse de Deus; que leva a cabo um secreto mas funesto pacto da verdade com a mentira, do Evangelho com o mundo, da virtude com o pecado, de Jesus Cristo com Belial; que quer passar por honesto, mas não por devoto; que despreza, envenena ou condena facilmente todas as práticas de piedade que não se adaptam às
suas. Enfim, um sábio mundano é um homem que, guiando-se somente pela luz dos sentidos e da razão humana, não pretende senão revestir-se das aparências de cristão e honesto, sem se preocupar muito em agradar a Deus e expiar pela penitência os pecados com que ofendeu a Divina Majestade.
É tríplice a sabedoria do mundo:
1. Ela é terrestre. Os bens da terra. E desta sabedoria fazem secreta
profissão os sábios mundanos, quando apegam o coração ao que
possuem e se empenham para tornar-se ricos. Quando intentam
processos e demandas inúteis para obter dinheiro ou para conservá-los. Quando não pensam, não falam não agem, senão para alcançar ou conservar qualquer ganho terreno; a confissão, a oração, etc, que fazem superficialmente, como quem se desempenha de um ônus, a raros intervalos, e para salvar as aparências.
2. A sabedoria do mundo é carnal. O amor do prazer. E desta sabedoria fazem profissão os sábios mundanos, quando buscam apenas os prazeres dos sentidos. Quando gostam de boa mesa. Quando de si afastam tudo o que poderia mortificar ou incomodar o corpo, como os jejuns e as austeridades. Quando, ordinariamente, não pensam mais que em comer, beber, divertir-se, rir, passar agradavelmente o tempo. Quando andam em busca de leitos confortáveis, jogos que divirtam, festas agradáveis, companhias mundanas. E depois que sem escrúpulos se deram todos esses prazeres, vão atrás de um confessor "o menos escrupuloso que
encontrarem", a fim de obter assim, por pouco preço, a paz em sua vida sensual e útil, e a indulgência plenária de todos os pecados.
3. A sabedoria do mundo é diabólica. O amor da estima e das honras. E desta sabedoria fazem profissão os sábios mundanos, quando aspiram, muito embora secretamente, grandezas, honras, dignidades e cargos elevados. Quando se esforçam para serem vistos, estimados, louvados e aplaudidos pelos homens. Quando não colimam em seus estudos, trabalhos, lutas, senão a estima e louvor dos homens, a fim de que sejam tidos por honestos, sábios, grandes líderes, sábios jurisconsultos, pessoas de infinito mérito e grande consideração. Quando não podem suportar o desprezo e a repressão. Quando escondem o que têm de defeituoso e mostram o que possuem de belo.
É preciso, com Jesus Cristo, detestar e condenar estas sabedorias
falsas, a fim de obter a verdadeira, que não busca seu interesse, que não é da terra, nem se encontra no coração dos que vivem em seus cômodos, e que abomina tudo o que é grande e prestigioso aos olhos dos homens.
Texto transcrito e elaborado, com mensagem final encorajadora da autoria de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos
✅ Síntese do Conteúdo
A Sabedoria Falsa do Mundo e a Concupiscência: Um Espelho para a Vida Cristã
Desde os primeiros séculos, a Igreja sempre alertou para a sedução das falsas luzes do mundo, aquelas que brilham intensamente, mas não iluminam o coração. Este artigo, inspirado nos ensinamentos de São Luís Maria Grignion de Montfort, é de grande importância para qualquer leitor que deseja compreender, com profundidade, como a concupiscência atua na vida humana e como o espírito mundano se infiltra nas atitudes, escolhas e costumes do nosso tempo. O objetivo deste trabalho é oferecer ao leitor uma visão clara, honesta e espiritualmente lúcida sobre os mecanismos interiores que afastam o homem de Deus, revelando como a sabedoria do mundo se disfarça de virtude, enquanto corrói silenciosamente a vida moral.
O artigo inicia expondo os chamados Dez Mandamentos do Mundo, que desvendam as múltiplas atitudes tidas como normais pelo espírito mundano, embora profundamente contrárias à verdadeira vida cristã, são desejáveis e até virtuosas, mas que, na verdade, são desvios profundos da reta intenção. O primeiro deles é o desejo de conhecer o mundo, isto é, dominar as maneiras, as etiquetas e as sutilezas sociais para parecer atualizado e inteligente. Em seguida, o mundo ensina a viver honestamente, mas apenas na aparência, cultivando uma fachada de integridade sem compromisso real com a verdade. O terceiro mandamento revela a raiz de muitos desvios: tomar o dinheiro como fim último da vida, ainda que disfarçado sob justificativas elegantes. O quarto, conservar o que é seu, denuncia a recusa da caridade sob pretextos de propriedade, família ou negócios. O quinto, adiantar na vida, expõe a ambição sem mérito, a busca de ascensão sem virtude. O sexto, fazer amigos, mostra a disposição de sacrificar a consciência para obter vantagens sociais. O sétimo, frequentar altas rodas, revela o desejo de brilhar com a glória alheia. O oitavo, viver confortavelmente, denuncia a busca de prazeres sob desculpas piedosas. O nono, não ser desmancha-prazeres, mostra a preferência por divertimentos mesmo culpáveis, ainda que isso implique negligenciar deveres. Por fim, o décimo mandamento, evitar singularidades, revela o desprezo pela piedade, pela religião e pelas obras de caridade, vistas como exageros dos devotos.
A partir desta exposição, o artigo aprofunda a crítica à falsa sabedoria do mundo, que se opõe frontalmente à verdadeira sabedoria de Deus. Enquanto a sabedoria divina é um tesouro que deve ser buscado com amor e perseverança, a sabedoria mundana é descrita como falsa, sedutora e perniciosa. Ela consiste numa conformidade às máximas do século, numa busca contínua de estima e grandeza e numa procura elegante e dissimulada de prazer e interesse próprio. O “sábio do século” é aquele que sabe tirar proveito temporal de tudo, que dissimula, que engana com refinamento, que aparenta virtude sem a viver, que mistura verdade e mentira, Evangelho e mundo, virtude e pecado. É alguém que deseja ser tido como honesto, mas nunca como devoto; que despreza facilmente todas as práticas de piedade que não se adaptam aos seus interesses; que vive guiado apenas pela luz dos sentidos e da razão humana, revestindo-se das aparências de cristão sem buscar agradar a Deus.
O texto identifica ainda três formas desta falsa sabedoria. A primeira é a sabedoria terrestre, marcada pelo apego aos bens materiais, pela obsessão com processos e ganhos, e pela prática superficial da vida espiritual apenas para salvar aparências. A segunda é a sabedoria carnal, centrada no prazer dos sentidos, na boa mesa, na fuga de qualquer mortificação, na busca incessante de divertimentos e companhias mundanas, seguida de confissões feitas apenas para aliviar a consciência sem verdadeira conversão. A terceira é a sabedoria diabólica, que se manifesta no amor às honras, na aspiração secreta a grandezas, no desejo de ser visto, louvado e aplaudido, na incapacidade de suportar o desprezo e na tendência de esconder defeitos e exibir qualidades para conquistar estima humana.
Diante de tudo isso, o artigo conclui que é necessário, com Cristo, rejeitar e condenar essas falsas sabedorias para alcançar a verdadeira, que não busca interesses próprios, não se enraíza na terra, não se encontra nos que vivem para seus confortos, e abomina tudo o que é grande aos olhos dos homens.
Concluo este trabalho convidando o leitor a um momento de reflexão profunda: ao percorrer estas linhas, reconhecemos que a concupiscência não é apenas uma inclinação moral, mas uma força que molda silenciosamente o olhar, os desejos e as escolhas. Meditar sobre este conteúdo é permitir que a luz da verdadeira sabedoria revele as sombras que o mundo tenta normalizar. Que esta leitura desperte em cada coração o desejo sincero de discernir, rejeitar e superar as ilusões do século, para que a vida seja guiada não pelas aparências, mas pela verdade que conduz à santidade.
Finalização e aperfeiçoamento de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos
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