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ACEITAR A CRUZ

  • 23 de jun. de 2022
  • 5 min de leitura

Atualizado: 5 de mai.

Pintura a óleo mostrando um homem ajoelhado e abraçado a uma grande cruz de madeira, em atitude de oração e entrega. Um anjo de asas brancas e túnica dourada toca seu ombro com delicadeza. Ao lado, há um livro aberto, uma vela acesa e um crânio sobre uma rocha, simbolizando fé, luz e meditação sobre a vida. Ao fundo, Jesus aparece envolto em luz radiante, com um céu dourado e um caminho que leva a uma igreja distante. A cena transmite contemplação, consolo e profunda espiritualidade.

NUNCA SE QUEIXE DAS CRIATURAS

Nunca se queixe de qualquer pessoa ou coisa que Deus possa usar para afligi-lo.


Há três tipos de queixas que nós podemos fazer em tempos de sofrimento:


A primeira é a natural e espontânea, como quando o corpo geme e reclama, verte lágrimas e lamentos. Não há falha nisso, desde que, como eu disse, o coração esteja resignado ao desejo de Deus.


O segundo tipo de queixa é aquele da mente, como quando nós reconhecemos nossas maldades a alguém que pode nos dar algum alívio, tal como um doutor ou um superior. Poderia haver alguma imperfeição nisso se nós estivéssemos também ávidos para contar nossos problemas, mas não há pecado nisso.


O terceiro tipo é pecaminoso: quer dizer, quando nós criticamos nosso semelhante tanto para livrar-se de um mal que nos aflige ou nos vingarmos dele; ou quando nós nos queixamos deliberadamente do que nós sofremos com impaciência e resmungos.


ACEITE A CRUZ UNICAMENTE COM GRATIDÃO

Não importa quando você receber qualquer Cruz, receba sempre com humildade e prazer. E quando Deus lhe favorece com uma Cruz de alguma importância, mostre sua gratidão de um modo especial; peça a outros que façam o mesmo. Siga o exemplo da mulher pobre que havendo perdido tudo que ela tinha em um pleito injusto – com a única moeda que restava ofereceu para ter uma Missa em ação de graças pela boa fortuna.

CARREGAR ALGUMAS CRUZES VOLUNTÁRIAS

Se você quer se tornar merecedor dos melhores tipos de cruzes, isto é, aquelas que vêm até você sem escolher, então sob a direção de um diretor prudente, tome algumas delas por seu próprio consentimento. Por exemplo, suponha que você tenha uma peça de mobiliário que você seja apreciador, mas que não é de qualquer uso pra você. Você poderia distribuir a alguém que precisasse disso, dizendo para si: - "Por que eu deveria ter coisas que não preciso quando Jesus é tão pobre?"


Ou se você tiver um desgosto por um certo tipo de comida, uma aversão a uma prática de alguma virtude particular, ou um desgosto por algum odor desagradável, poderia pegar a comida, praticar a virtude, aceitar o odor, e assim conquistar a si mesmo.

Ou novamente, sua ternura por uma certa pessoa, ou coisa talvez seja repugnante. Por que não vê menos essa pessoa ou se mantém distante dessas coisas que lhes seduzem?


Se você tiver uma inclinação natural nunca se perca. Vocês têm uma aversão natural a certas pessoas ou coisas? Então as evite e as domine.


Se em verdade sois verdadeiros Amigos da Cruz, o amor, que é sempre engenhoso, fará vocês encontrarem milhares de pequenas cruzes para enriquecê-los. E vocês não precisarão ter qualquer medo de vanglória, que tão frequentemente corrompe a paciência que as pessoas exibem sobre cruzes espetaculares. E porque vocês têm sido fiéis nas coisas pequenas, o Senhor lhes estabelecerá um fardo maior, de acordo com Sua promessa. Isso quer dizer, fardos de maiores graças que Ele lhes proverá, das maiores cruzes que Ele lhes enviará, das maiores glórias que Ele lhes preparará.

São Luís Maria de Montfort


Texto transcrito e elaboração textual de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos


Síntese do Conteúdo

A Sabedoria da Cruz e o Caminho da Transformação Interior

A Cruz é o caminho pelo qual Deus educa o coração do cristão. Quando aprendemos a aceitá-la, começamos a compreender que nada acontece por acaso e que até mesmo as dificuldades podem se tornar instrumentos de graça. Assim como São Luís Maria de Montfort ensina, não devemos nos queixar das pessoas ou situações que Deus permite em nossa vida, porque muitas vezes é justamente por meio delas que Ele nos purifica e fortalece. Há sofrimentos que vêm naturalmente, como lágrimas e cansaço, e esses não são pecado quando o coração permanece unido à vontade de Deus. Há também queixas que fazemos buscando orientação ou ajuda, e isso é legítimo quando nasce da humildade. Mas existe uma queixa que nos afasta de Deus: aquela que brota da impaciência, da murmuração e do desejo de culpar os outros pelo que vivemos. Essa, sim, nos impede de crescer.


Aceitar a cruz com gratidão é um passo essencial. Quando uma dificuldade chega, grande ou pequena, o cristão é convidado a recebê-la com humildade, reconhecendo que Deus pode tirar dela um bem maior. Os santos nos mostram que até mesmo perdas dolorosas podem ser transformadas em ocasião de louvor, quando oferecidas com fé. A alma que agradece em meio à provação abre espaço para que Deus realize nela uma obra mais profunda.


Além das cruzes que não escolhemos, existem também aquelas que podemos abraçar voluntariamente, como pequenos atos de renúncia, desapego ou caridade. Esses gestos simples, como abrir mão de algo desnecessário, praticar uma virtude difícil ou suportar com paciência algo que nos desagrada, ajudam a formar o coração e a torná-lo mais livre. Quem aprende a ser fiel nas pequenas cruzes do dia a dia torna-se capaz de carregar com mais serenidade as cruzes maiores que Deus permitir. É assim que o amor vai se tornando mais puro e mais forte.


A Cruz, portanto, não é apenas um peso, mas um caminho de transformação. Ela nos ensina a amar de verdade, a confiar mais em Deus do que em nós mesmos, a vencer o egoísmo e a crescer na paciência. Cada cruz tem um sentido, mesmo quando não o compreendemos de imediato. Deus nunca desperdiça um sofrimento oferecido com fé. Ele o transforma em graça, em maturidade espiritual e em união mais profunda com Cristo. Por isso, quem deseja seguir Jesus precisa aprender a ver a Cruz não como castigo, mas como oportunidade de amar e de se deixar moldar por Deus.


Quando vivemos assim, descobrimos que a Cruz não é o fim, mas o início de uma vida nova. Ela nos conduz à ressurreição, à alegria verdadeira e à glória que Deus prepara para aqueles que permanecem fiéis. A alma que abraça a Cruz com humildade e perseverança torna-se amiga de Cristo e participa de Sua obra de salvação. E, pouco a pouco, a alma vai descobrindo que a Cruz, quando é vivida com amor, deixa de ser apenas dor e se torna um caminho seguro para o Céu. E é justamente nesse momento, quando o peso começa a se transformar em paz, que Deus sussurra ao coração: “Vem também. Caminha Comigo.” A Cruz que antes assustava torna-se lugar de encontro, de cura e de intimidade com Cristo. E aquilo que parecia impossível começa a florescer dentro de nós: uma coragem nova, uma confiança serena, uma alegria que não depende das circunstâncias.


É por isso que este caminho não é apenas para os santos dos altares, mas para você também. A Cruz que hoje está nas suas mãos pode ser o início de uma história nova, se você permitir que Deus a transforme em amor. Não espere sentir-se pronto; basta entregar-se, mesmo com medo, mesmo com dúvidas. Deus faz maravilhas com corações que se deixam conduzir.


Dê um passo. Um só. Aceite a pequena cruz de hoje, ofereça-a com amor, e você começará a experimentar essa mesma transformação. Cristo não chama apenas para olhar a Cruz, mas para caminhar com Ele. E quem se arrisca nesse caminho descobre que, no fim, a Cruz não rouba nada, ela devolve tudo, purificado, iluminado e cheio de sentido.


Finalização e aperfeiçoamentos de Paulo Pimentel dos Conteúdos Católicos


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