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Maria Santíssima é a Aurora de uma Nova Era


Aos olhos de Deus, que penetravam a história da humanidade em toda a sua nudez e autenticidade, Maria apresentava-se como a aurora de uma nova era. A pureza imaculada de seu coração ia recomeçar a história humana, retraçando-a de uma maneira divina. Ela era aquela "nova criação" de que fala São Paulo (II Cor. 5, 17); uma criação bem superior à primeira, porque a santidade de Maria ultrapassava muitíssimo a que Eva recebera antes da queda original. E esta novidade estava destinada a refletir sobre o mundo, provocando por toda a parte um surto de renovação e de pureza. "Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo; e tudo vem de Deus" (II Cor. 5, 17-18).

A Imaculada Conceição havia inaugurado portanto uma época inteiramente nova; era um acontecimento íntimo, mas que estava destinado a ter repercussões universais.


Para compreender o alcance desse acontecimento e permanecer em nosso ponto de vista, que quer ver a alma de Maria tal como aparecia ao olhar divino, devemos voltar ao texto de

São Paulo que considera o desígnio concebido por Deus desde toda eternidade. "Fomos escolhidos em Cristo, sublinha o apóstolo, desde antes da constituição do mundo, para um destino de santidade, porque Deus, em seu soberano beneplácito e na grandeza de seu amor, decidira perdoar os pecados pela redenção de Jesus, fazer-nos filhos seus por Jesus Cristo e concedermos nesse Filho bem-amado uma graça rica e abundante" (Ef. 1,3-8). Ora se o Pai nos amou de antemão em seu Filho, não envolveu ele primeiramente nesse amor aquela que devia ser a Mãe desse mesmo Filho? Maria foi, portanto, amada de Deus desde o princípio naquele que era o Filho bem-amado. As graças concedidas pelo Todo-Poderoso em seu Filho foram reunidas em primeiro lugar em Maria, para formar nela uma plenitude de graça. Nela, a perfeição de Cristo refletiu-se sem a mínima sombra.


"Desde antes da constituição do mundo" o olhar divino estava pousado na beleza da Virgem. É este o motivo por que liturgia aplica a Maria o que o autor sagrado diz da Sabedoria:


"Javé me criou, como primícia de seus caminhos e prelúdio de suas obras, desde o princípio. Desde a eternidade recebi a investidura, desde o começo, antes das origens da terra. Ainda não havia abismos quando fui concebida, e ainda não havia brotado as fontes das águas. Fui dada à luz antes que fossem assentados os montes, antes das colinas, quando não havia ainda nem a terra, nem os campos, nem os primeiros elementos da poeira do mundo. Quando preparava os céus, lá estava eu, quando traçou um círculo na superfície do abismo, quando fixou barreiras ao mar para que as águas não transpusessem os limites, quando assentou os fundamentos da terra" (Prov. 8, 22-29). Propriamente, essas linhas deveriam referir-se a Cristo, na aplicação que delas se faz à revelação do Novo Testamento, porque Cristo é que é a Sabedoria divina. Mas a liturgia retoma o texto a propósito de Maria, para nos sugerir que Ela estava presente ao olhar divino por causa de Cristo que haveria de se encarnar em seu seio. Se no momento da criação Deus tinha em vista o Verbo feito carne, Ele o via com Maria e Nela. Todo o desdobramento da força prodigiosa que constituía a criação do universo dirigia-se para este ponto minúsculo e longínquo, perdido na imensidade do tempo e do espaço, que era a formação de uma alma imaculada. Bem

mais, é a visão dessa alma que enfeitava de certo modo a obra criadora, que estimulava a ação divina: como a Sabedoria, Maria "brincava todo o tempo diante de Deus" (Prov. 8. 30), proporcionando continuamente novas alegrias ao Seu olhar.

Ela era o prazer de Sua criação, e, para ser fiel às imagens bíblicas, o repouso a que Deus aspirava durante o Seu trabalho. Desse modo, Maria possuía o favor do Criador, e Deus, através Dela, concedia o Seu favor a toda a humanidade.


Maria surgia desde então aos olhos de Deus como as primícias de uma multidão de graças. E sem dúvida, a própria graça da Imaculada Conceição só lhe foi outorgada em previsão dos méritos redentores de Jesus: Maria devia portanto a Cristo toda a sua santidade. Mas no desenrolamento temporal, essa graça da Imaculada Conceição vinha em primeiro lugar e

prefaciava o desenvolvimento da obra da salvação. A partir Dela, Deus via derramar-se a graça, como a partir de Eva o pecado se difundira pelo mundo. Ao paralelo estabelecido por São Paulo entre Adão e Cristo, corresponde o paralelo entre Eva e Maria.

A falta de uma única mulher fizera abundar o pecado na humanidade; a pureza de Maria haveria de propagar a santidade divina nas almas. "Onde o pecado abundou, superabundou a graça" (Rom. 5. 20). Se Maria possuía em si uma superabundância

maravilhosa de graça, é que essa superabundância era destinada a jorrar sobre a humanidade toda. A Imaculada Conceição anunciava a expansão da graça; Deus, que via multiplicar-se o pecado, quis o Coração Imaculado de Maria como ponto de partida de

uma multiplicação mais impressionante de santidade.


Segundo São Paulo, Deus decidira "recapitular" todas as coisas em Cristo (Ef. 1,10), isto é, restaurar todo o universo, colocando-o sob o domínio de Cristo e fazendo-o participar da

vida divina que nos devia merecer a redenção. Ele estava resolvido a promover essa recapitulação, essa restauração universal, a partir da graça inicial concedida a Maria. Saudando-a como "cheia de graça", o anjo reconhecia na Virgem uma plenitude que acabaria por abraçar a humanidade e o universo.

Se toda a obra da salvação e da santificação dos homens já podia revelar-se na graça da Imaculada Conceição, temos aí uma prova do poder que Deus encerrou no Coração de Maria.


Nessa doce e humilde Virgem, ocultava-se uma força que ia revolucionar o mundo, conquistá-lo pacífica mas invencivelmente.

Quando se fala de um coração de virgem, pensa-se logo em frescor poético e emoções suaves. No Coração de Maria havia um grande frescor, mas era o frescor inesgotável da novidade que a graça introduzia por ela no mundo, porque em Maria tudo era novo e por ela todo o universo seria renovado; havia também nesse Coração uma emoção secreta, mas era a emoção do amor divino que tomara posse dela e lhe comunicara uma força invencível em face de Satanás. Nada poderia deter a expansão desse amor entre os homens; o Coração Imaculado da Virgem encerrava uma potência e um dinamismo que a sucessão dos

séculos iria pôr em evidência, e que Deus, seu autor, contemplava desde toda a eternidade.


"O Coração de Maria" de Jean Galot, S.J.








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