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Da Perfeição Cristã




Erros divulgados pelo mundo acerca da perfeição.




- A perfeição não consiste nas orações vocais, nem nas observâncias exteriores,

nem nas penitências corporais, nem nas sujeições ás tendências do caráter e do temperamento, nem em viver no medo e na inquietação, nem em ser favorecido de revelações e obrar milagres.



Resumo que das falsas devoções faz São Francisco de Sales:



1. - Tão preciosas quão raras são as noções exatas.



Muita gente fala de tudo, parece não duvidar de nada e, no entanto, só de maneira imperfeita concebe o que afirma. Naturalmente, o de que o vulgo menos entende é

de cousas espirituais. Compreende-se, pois, que só tenha, no tocante á perfeição, noções errôneas e fórmulas inexatas.


A esse respeito, o mundo, governado pelo espírito mau, dá curso a erros funestos.

Ora apresenta a perfeição como sutilezas quiméricas ou impossibilidades, cujo só efeito é submeter á tortura o espírito e arremessá-lo em ilusões falazes, fora da vida prática e real. Ora, sem lhe negar expressamente nem a existência nem a possibilidade, só vê na perfeição, mimos a que não está obrigado nem autorizado a pretender o comum dos mortais. Frequentemente, representa a devoção como singularidade e pieguice, fazendo-a consistir em atitudes convencionadas e exteriores místicos, indignos de um espírito firme e altivo, confundindo, por malicia e ignorância, as excentricidades de certos devotos com a própria devoção.



Qual a realidade da perfeição?



Nada de corpóreo na alma, espírito, nem a razão, nem a sensibilidade. A alma é o que em nós vê a Deus e as cousas eternas. Formosura da alma que se volve para Deus. Tristeza da alma que está longe de Deus. Deus aqui na terra nos é quase desconhecido. Deus procura a alma com mais empenho do que esta a Deus.



Removidas as falsas noções da perfeição, cumpre-nos dar a conhecer a verdadeira.



Contêm as palavras grande filosofia e são frequentemente a luz das cousas. É o que particularmente se dá com o vocábulo perfeição. Exprime o estado de um ser ao qual nada falta do que lhe convém. Quando uma criatura realiza o que pode fazer e vem dar no ponto a que devia chegar, em suma: quando atinge o fim a que se destinava, está completa, rematada, perfeita. Enquanto carecer de algo que a inteire, não está finalizada, não está totalmente acabada, não é perfeita. Indagar da perfeição de um ser, o mesmo é que indagar do seu fim.


Só Deus a si mesmo se basta. Só Ele em si mesmo tem o Seu fim e a Sua perfeição: remata-se e completa-se na Trindade das adoráveis Pessoas. As criaturas, porém,

não têm em si mesmas o próprio termo e descanso.

Necessitam de complemento extrínseco. A condição vital do ser vivo é precisar do objeto correspondente ás suas potências, ás suas aptidões, ás suas aspirações, e é precisamente esse objeto necessário que constitui o seu fim.


Só está perfeito e satisfeito quando logra esse termo de sua vida. Enquanto se encaminha para essa meta, está em via, em trabalho de perfeição: apura-se, aperfeiçoa-se.

Quando atinge o alvo e só então está completo e perfeito.



Trechos da Obra: "A Ascética Cristã" do Cônego Jerônimo Ribet de 1938 e Adaptação: Conteúdos Católicos.


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