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Consequências práticas do amor à Deus e o amor ao mundo


É, pois, verdade que o mundo torna insensatos os seus sequazes, induzindo-os até a renunciar aos bens infinitos e eternos do céu por amor dos bens miseráveis e passageiros da terra e a sofrer as penas indizíveis e eternas do inferno para se verem livres de males pequenos e transitórios. Não é isso uma incomparável loucura?

Vê-se claramente do sobredito que o mundo torna seus sequazes também traidores de Jesus Cristo, pois não se contenta de separá-los de Nosso Senhor, mas esforça-se igualmente para afastar os outros do mesmo Senhor. Não é isso uma horrenda perfídia? É certo também que o mundo torna infelizes seus partidários, desde que procura cegá-los para que busquem sua felicidade nos bens miseráveis da terra, onde, porém, só encontram um inferno antecipado. Não é isso fazê-los infelizes?

Daí se segue que não devemos agir segundo as máximas do mundo, mas odiá-lo, dele fugir e combatê-lo, antepondo a tudo a salvação de nossa alma, conservando-nos unidos a Jesus Cristo, custe o que custar, pois só Ele pode tornar-nos felizes aqui e na eternidade.

Tomemos a resolução de antepor também a graça de Deus a todos os bens e favores deste mundo e dizer com S. Paulo: "Quem nos separará do amor de Jesus Cristo? será a tribulação? a angústia? a fome? a nudez? o perigo? a perseguição ou a espada?... Mas em

tudo isso sairemos vencedores por Aquele que nos amou. Pois eu estou certo que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem o que é elevado, nem o que é profundo, nem outra criatura alguma nos poderá apartar do amor de Deus, que é em Jesus Cristo Senhor Nosso" (Rom, 8, 35-39).

Jesus Cristo nos recomenda não temermos os que nos podem roubar a vida do corpo, mas sim aquele que pode lançar no inferno o corpo e a alma (Mt 10, 28). Nós temos que nos unir ou a Deus ou ao mundo; se escolhermos a Deus, devemos renunciar ao mundo.

"Até quando pendereis para as duas partes? perguntou Elias ao povo; se o Senhor é Deus, segui-o; mas se for Baal, segui-o" (3 Rs 18,21). Não se pode servir a dois senhores a um tempo. Quem quiser agradar aos homens, não poderá agradar a Deus. "Se agradasse ainda aos homens, não seria eu servo de Cristo", diz o Apóstolo (Gál 1, 10).

Se vierem, pois, falsos amigos, dizendo: Que loucura! por que não fazes como os outros? responde-lhes: Nem todos procedem como vós, há também alguns que vivem piedosamente.

Mas são poucos.

- Pois é a esses poucos que quero seguir, já que o Evangelho diz:"Muitos são os chamados, porém poucos os escolhidos" (Mt 22, 14).

Cassiano diz: "Se queres ser feliz com os poucos, vive com os poucos" (De inst., 1. 4, c. 28). Mas não sabes que todos falam de ti e desaprovam teu modo de vida? - Basta-me que Deus o aprove, pois é melhor obedecer a Deus que aos homens. Se agires segundo tais máximas, alma querida, não só podes esperar confiadamente alcançar a felicidade eterna do céu, como também prelibarás na terra um antegosto dessa felicidade, gozando duma paz semelhante à dos santos.



Da Obra:"Escola de Perfeição Cristã" de Santo Afonso de Ligório

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