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  • Foto do escritorConteúdos Católicos

A piedade é sempre possível à alma de boa vontade

Sendo a piedade a disposição da alma que tende para a aquisição das virtudes e o aumento do amor divino, ela pode e deve se achar em todos os estados da vida. Não reconhecem esta verdade os que formam da piedade um falso conceito, fazendo-a consistir em certas práticas que não são da sua essência. Os exercícios de piedade, dizem eles, são incompatíveis com a vida agitada de um negociante, de um soldado, de uma mãe de família; a pessoa que tem grandes trabalhos, numerosos afazeres, fica presa e não tem tempo para longas orações, e os cuidados que a absorvem lhe impossibilitam a vida de piedade.

É fácil responder que os deveres do próprio estado, mesmo que impostos por Deus, não podem ser um obstáculo ao progresso da alma. O que Deus quer é a vossa santificação

e a de todos os Seus filhos. Todos os que quiserem aplicar-se a servi-Lo melhor, podem contar com o auxílio da Providência e o socorro da Sua graça. Se Ele põe Seu poder e Sua sabedoria á disposição das criaturas para prover ás necessidades do corpo, afim de que este possa atingir seu crescimento normal, com maior razão ainda, quando as vir desejosas de saírem da infância espiritual e de progredirem no seu serviço, fornecer-lhes-á todos os meios necessários.


Prova a experiência que os que querem regrar bem sua vida e não perder um só instante, sempre acham tempo para dedicar-se á oração e ao serviço de Deus. Quaisquer que sejam nossas ocupações, tomamos o tempo de dar ao corpo o sustento de que necessita e o sono que lhe restaura as forças; se, pois, amarmos tanto nossa alma como o nosso corpo, saberemos dar-lhe também o tempo necessário para alimentar sua fé e sustentar seu amor.

Prova igualmente a experiência que os que se descuidam de seus deveres de piedade, assim procedem não tanto por causa de ocupações inevitáveis, como porque não estão

compenetrados da sua importância, ou porque, descobrindo neles poucos atrativos, não querem mortificar-se e vencer as dificuldades que se apresentam, os dissabores que

experimentam. É facto, muitas vezes constatado, que as pessoas generosas e verdadeiramente amantes, que tomam sinceramente a peito o serviço de Deus e o bem de sua alma e só deixam os meios de santificação em caso de real impossibilidade, trabalham tanto e de ordinário mais utilmente do que as que, com pretextos fúteis, omitem seus exercícios.

Por isso que não perdem elas tempo em frivolidades, Deus ajuda-as a bem desempenhar seus deveres.


Cumpre, pois, amar os exercícios de piedade. Para fazê-los com fidelidade, é preciso ás vezes incomodar-se e sacrificar ocupações agradáveis á natureza e menos úteis.

Por outro lado, não se lhes deve ter apego exagerado, a ponto de não querer renunciar a eles, até nos casos em que deveres imperiosos o exigem. Os santos gostavam da oração, da

meditação, das funções religiosas, das leituras piedosas; sem motivo grave nunca se privavam delas; mas, sempre que a vontade de Deus, claramente manifestada, exigia que

as sacrificassem, por exemplo, a uma razão superior de caridade ou á prática de outra virtude imposta pelo dever, abandonavam Deus por Deus, conforme sua expressão;

deixavam momentaneamente de procurar a Deus nas doçuras da meditação, no enlevo das cerimônias e procuravam-no e encontravam-no no exercício da dedicação e da renúncia.

Descurando os exercícios de piedade, perdem-se graças de grande valor. Parece-se a alma, neste caso, com as virgens loucas da parábola que, por imprevidência, não encheram de azeite suas lâmpadas e assim deixaram apagar suas luzes. Muitas pessoas que, por qualquer futilidade, deixam de lado seus exercícios, ficarão admiradas e confusas quando, no dia do juízo, ouvirem as exprobrações do Senhor e virem os tesouros inapreciáveis de que tão levianamente se privaram.


Quando a omissão dos atos de piedade é devida, não ao descaso, mas a uma causa sobrenatural, e que a alma faz este sacrifício, aceita esta privação com amorosa submissão á

vontade divina, Deus supre esta omissão e dá, embora não se façam os exercícios, as graças que ordinariamente concede por meio deles.

Reconhece-se que a omissão é legítima quando é feita com pesar e espírito de renúncia. Pelo contrário, quem deixa sem mágoa, ou até com prazer, o exercício que seu regula-

mento de vida lhe prescreve, pode estar certo de que procede por preguiça espiritual ou por falta de fervor.

Quando os exercícios de piedade são impossibilitados por deveres imperiosos que, como acontece á mãe de família carregada de crianças de tenra idade, não permitem consagrar senão pouco tempo aos exercícios piedosos, é preciso supri-los por uma fidelidade maior á lembrança da presença de Deus, por uma união mais íntima com Jesus, no decorrer do dia, união de que resulta a multiplicação de fervorosos atos de fé, de confiança e de amor; é preciso orar trabalhando, quando o trabalho obriga a diminuir o tempo destinado á oração.


A prova que a piedade convém a todos os estados de vida, encontramo-la na história que nos ensina que em todas as profissões tem havido heróis de virtude, servos de Deus que têm sabido aliar a mais terna piedade á prática dos deveres mais absorventes. Muitos foram os santos que, no meio do mundo, acharam meio de aperfeiçoar sua vida e de elevar-se até o heroísmo do amor.

São reis e príncipes e outros virtuosos a quem o trabalho da santificação parece mais difícil, porque, muito mais que outros, estão fartos de bens terrenos, solicitados pelos prazeres e honras, adulados pelos seus fâmulos e têm a facilidade de satisfazer suas paixões humanas. Verdade é que, sendo fiéis, recebem maior número de graças porque têm missão mais

alta a cumprir.


Entre os príncipes que se santificaram, podemos apontar: São Ricardo, rei saxão; São Canuto, rei da Dinamarca; Santo Hermenegildo, rei dos Visigodos; São Pedro Urselo; Santo Edmundo I, Edmundo II e Eduardo, reis de Inglaterra; Santa Margarida, rainha da Escócia; Santa Isabel da Hungria; Santa Joana d'Arc, pastora e guerreira; Santa Ana Maria Taigi; A venerável Isabel Canori e Villana de Bottis, mães de família; A beata Luiza d'Albertone, viúva; A venerável Graça de Valença que morreu com 112 anos e teve de suportar até a morte violentíssimos ataques do demônio e inúmeros outros bem-aventurados...


A Igreja reconheceu as heroicas virtudes destes grandes servos de Deus; mas quantos outros que não tiveram esta honra e souberam, na agitação do mundo, no exercício de profissões que não favorecem a piedade, servir ao Senhor com grande fidelidade e lucrar para o céu inúmeros méritos! No século 17, Berniére Louvigny, tesoureiro real, que deixou trabalhos tão piedosos, e o barão de Reinty que se distinguiram pela eminente santidade de sua vida; converteram muitos hereges pelas suas controvérsias e mais ainda pela sua santidade.

Maria dos Vales, apelidada de santa de Coutances, tão intimamente ligada ao Beato Padre Eudes; Maria Rousseau, esposa de negociantes em vinhos, que sustentou o Pe. Olier em seus empreendimentos e que as personalidades mais eminentes consultavam; Magdalena Vigneron e Armele Nicolas que foram favorecidas de comunicações divinas; praticaram heroicas virtudes. No século 19, o comandante Marceau, Dupont, o Santo homem de Tours, o Philibert Vrau, Maria Brotel, etc., levaram uma vida Santa no meio do mundo.


É verdade, o número dos Santos e dos perfeitos é incomparavelmente maior entre os que se consagraram a Deus, e que acham, quer no sacerdócio, quer na vida religiosa, socorros inapreciáveis; mas os exemplos de tantas almas generosas que se santificaram na sociedade, provam a verdade do princípio: é preciso uma boa vontade, mas uma boa vontade basta, uma vontade enérgica e constante, que fielmente corresponda ás graças que Deus sempre derrama com abundância sobre as almas corajosas.


Da Obra: "Manual de Espiritualidade" por A. Saudreau de 1962


Para se ter uma vida piedosa é necessário a boa vontade como esclarece o texto acima.

Com a constância da vontade diária em exercer exercícios piedosos, progride a alma na perfeição.

Passo a passo, sem relaxamento, pois que devemos avançar para um amadurecimento na fé e com um constante crescimento, por que, devido à nossa natureza frágil de pecador, podemos regredir ou ter uma diminuição nesse sentido.

Busquemos forças em Deus, na Eucaristia e Adoração ao Santíssimo.

É na prática sólida em desempenhar piedosamente nossos afazeres em qualquer estado de vida é que mais se desenvolve naturalmente e energicamente a piedade numa boa vontade.

Combatamos firmemente a preguiça espiritual e a falta de fervor para que se obtenha essa piedade de tão grande valor.


Finalização de Claudia Pimentel dos Conteúdos Católicos

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